Novo sistema de pagamento do leite em Alagoas premia qualidade e teores de sólidos

Mudança no modelo de remuneração da Alvoar e chegada da Piracanjuba transformam a pecuária leiteira e estimulam pequenos criadores no estado.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 5 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 2

Sem tempo? Leia o resumo gerado pela MilkIA
A partir de novembro, a Alvoar Lácteos em Alagoas implementará um novo sistema de pagamento ao produtor de leite, considerando volume e qualidade. Produtores com melhores indicadores poderão receber até R$ 0,32 a mais por litro. A mudança visa beneficiar pequenos produtores e estimular investimentos em qualidade. Além disso, a Alvoar oferece assistência técnica para reduzir custos, enquanto a Piracanjuba inicia operações para melhorar a qualidade do leite. Essas mudanças foram discutidas na 43ª Expo Bacia Leiteira.

A forma de pagamento do leite ao produtor começa a mudar em Alagoas. A partir de novembro, a Alvoar Lácteos vai adotar um sistema de remuneração que considera não apenas o volume entregue à indústria, mas também a qualidade da matéria-prima. Produtores com melhores indicadores sanitários e maiores teores de sólidos poderão receber bonificações de até R$ 0,32 por litro.

A mudança representa uma nova etapa para a pecuária leiteira alagoana, onde a remuneração ainda é baseada principalmente na quantidade fornecida. Atualmente, quem entrega maiores volumes consegue negociar preços melhores. Com o novo sistema, pequenos criadores também poderão aumentar a receita, desde que atendam aos critérios de qualidade estabelecidos pela indústria.

O anúncio foi feito pelo gestor da Alvoar, Ricardo Mariz, durante a 43ª Expo Bacia Leiteira, realizada de 14 a 18 de outubro, em Batalha. A empresa passou a atuar no município em parceria com a CPLA e já trabalha com mais de 120 fornecedores no estado. “A qualidade consegue diferenciar muitas coisas. Se formos olhar só a questão do volume, a gente pode ter um produtor com um volume muito grande de leite, e um pequeno produtor dificilmente teria condições de atingir o mesmo volume. Mas, utilizando a tabela de qualidade e de volume, a fórmula de pagamento fica muito clara”, explicou Mariz. Segundo ele, o modelo permite que um produtor com menor volume receba mais por litro do que outro que entregue uma quantidade maior, dependendo dos resultados das análises.

Bonificação

O sistema estabelece bonificações conforme os indicadores de qualidade do leite, incluindo teores de gordura e proteína, composição de sólidos e condições sanitárias. O produtor que alcançar os melhores resultados poderá receber até R$ 0,32 adicionais por litro.

Em uma propriedade que entrega mil litros por dia, a bonificação máxima representaria uma receita adicional de R$ 320 por dia, ou R$ 9,6 mil em 30 dias. A remuneração também poderá sofrer descontos quando o leite apresentar indicadores abaixo dos padrões estabelecidos. A proposta é estimular investimentos em higiene da ordenha, alimentação, sanidade do rebanho, resfriamento e conservação. “O produtor que conseguir pegar todas as bonificações pode ganhar, só na qualidade, até R$ 0,32. Mas existe uma questão importante: da mesma forma que ele pode receber mais, também pode sofrer penalizações. Se a qualidade for ruim, essa tabela passa a ser regressiva”, afirmou Mariz.

Continua depois da publicidade

Na unidade industrial de Batalha, o leite passa por análises antes de ser liberado para processamento. Segundo o gestor, o laboratório realiza 28 testes para verificar a qualidade e identificar possíveis irregularidades. “Antes de internalizar esse leite, ele passa por uma bateria de exames. A gente tem que seguir uma legislação rigorosa. Não se faz um produto bom com leite ruim”, destacou.

Indústria ajuda a reduzir custos

A Alvoar também desenvolve programas de fornecimento de insumos, assistência e orientação técnica, buscando melhorar a produtividade e reduzir os custos nas propriedades. A empresa também utiliza seu poder de negociação para adquirir insumos em maior escala e oferecer condições mais favoráveis aos fornecedores. “Já adotamos em outros estados, a exemplo do Ceará, a produção e comercialização de silagem. A empresa investe para ajudar na redução do custo do produtor, e isso tem funcionado bem”, afirmou Ricardo.

Em Alagoas, a parceria já apresenta resultados. O presidente da CPLA, Aldemar Monteiro, conta que conseguiu reduzir em até 30% o custo da soja utilizada na alimentação do rebanho, por meio de uma operação intermediada pela Alvoar. “A Alvoar me garantiu soja por um preço até 30% menor do que o mercado e ainda assegurou um estoque para seis meses, podendo abater esse valor do leite fornecido. Isso tem sido feito com vários outros fornecedores do grupo”, explicou.

Para Aldemar, o fornecimento de insumos em condições mais vantajosas pode ter impacto tão importante quanto a bonificação pela qualidade. “É uma mudança de paradigma que vai fortalecer muito nossa cadeia produtiva em Alagoas”, afirmou o presidente da cooperativa.

Piracanjuba investe na melhoria da produção

A chegada da Piracanjuba amplia a aproximação entre indústria e produtores. A empresa iniciou uma nova operação em Alagoas, a partir de uma estrutura industrial em Monteirópolis, com planos de adequação e ampliação da unidade.

Continua depois da publicidade

Durante a Expo Bacia Leiteira, o diretor Edney Murilo Secco apresentou as perspectivas da empresa e destacou a importância de melhorar os indicadores de produção e qualidade da matéria-prima. “Hoje nosso programa conecta a empresa com os produtores de leite. Estamos iniciando uma nova operação, com expectativa positiva. Sobre a qualidade do leite, nosso objetivo é a melhoria contínua, pensando em produção, qualidade e melhoria dos sólidos”, afirmou.

A empresa pretende ampliar a captação de leite e desenvolver novas linhas de produtos. Para isso, a regularidade do fornecimento e a melhoria dos padrões da matéria-prima serão fundamentais.

Nova etapa da pecuária

A mudança na remuneração foi um dos principais assuntos da 43ª Expo Bacia Leiteira, realizada em Batalha. O evento reuniu mais de 20 mil visitantes, com cursos, palestras, exposição de animais e atividades de qualificação profissional. Na palestra magna de abertura, a secretária de estado do Planejamento, Paula Dantas, apresentou os investimentos em infraestrutura, incentivos fiscais e iniciativas de qualificação que acompanham a chegada das indústrias.

Entre as ações destacadas estão o programa Qualifica Batalha, melhorias no abastecimento e a expansão da rede de gás natural. As medidas buscam criar condições para o crescimento industrial e preparar trabalhadores para novas oportunidades.

O prefeito Wagney Dantas destacou que os investimentos representam uma nova etapa para a economia de Batalha e da região, com reflexos na geração de empregos, na renda dos produtores e no comércio. Com novas indústrias, maior demanda por matéria-prima e mudanças na remuneração, a pecuária leiteira alagoana entra em uma fase de maior exigência técnica. Para os produtores, o desafio será melhorar a qualidade do leite, reduzir custos e aproveitar as novas oportunidades de mercado. 

As informações são da Gazeta de Alagoas.

Vale a pena ler também:

Por que a margem bruta é decisiva para o pequeno produtor de leite?

Nutrição de precisão exige acertar toda a trajetória da bezerra

QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 2

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?