Alagoas: 350 fazendas podem ir a leilão na Bacia Leiteira

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A tão divulgada crise por que passa a Bacia Leiteira alagoana deve se agravar cada vez mais nos próximos dias e o que ninguém esperava - o leilão de fazendas cujos proprietários afundaram em "dívidas impagáveis" contraídas junto a instituições financeiras - já é realidade. Segundo o produtor Manoel Viana, um dos diretores da Associação dos Agropecuaristas de Batalha (AgroBatalha), outras 350 propriedades podem ir à leilão caso seus proprietários não consigam pagar aos bancos o que devem.

"Como são dívidas cada vez mais crescentes em virtude dos altos juros, dificilmente conseguirão livrar o patrimônio da execução por parte dos credores", afirma o produtor. Segundo Manoel Viana, o anúncio de leilão da Fazenda Jacobina, em Belo Monte, um dos municípios que compõem a Bacia Leiteira, é "o fato mais grave de toda a história da agricultura alagoana". "Quem imaginava que uma região das mais prósperas chegaria à situação de penúria com proprietários perdendo o lugar do ganha-pão para uma instituição financeira?", indaga Viana.

Ele diz ainda que o anúncio de leilão da primeira entre as 350 fazendas na iminência de serem leiloadas, na Comarca de Batalha, é o pontapé inicial de mais uma crise social na região, com o conseqüente crescimento do desemprego e do êxodo rural para a zona urbana de cidades da região. "A Jacobina, avaliada em R$ 179 mil e 880 reais, é a primeira de uma série de leilões", avisa o produtor. Viana ressalta ainda que muitos dos produtores endividados vêm pagando - até mesmo com jóias - parte de suas dívidas em juízo.

"Só um milagre salva esse pessoal. Mais cedo ou mais tarde, devem perder suas propriedades. Ou seja, no momento em que se discute a redução de juros, as instituições financeiras deveriam encontrar alternativas viáveis e não a venda de propriedades cujos futuros donos podem ou não utilizá-las para produzir alguma coisa", avisa Manoel Viana.

Fonte: Gazeta de Alagoas, adaptado por Equipe MilkPoint
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Leovegildo Lopes de Matos
LEOVEGILDO LOPES DE MATOS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 18/03/2002

A situação da bacia leiteira do sertão alagoano já era prevista há muito tempo. Os produtores não se deram conta das mudanças do setor, principalmente o advento do leite longa vida e padronização de preços praticados nas outras bacias de menor custo de produção, por exemplo, a zona da mata alagoana. Insistiram em manter seus sistemas de produção nos moldes antigos, com animais de elevada produção, que tinham de ser alimentados com recursos que a região não possuia. Custos elevadíssimos de produção para manter um sistema de produção incompatível com os recursos naturais disponíveis. O desenlace só poderia ser esse.
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