Ajuda de banco oficial aos exportadores de lácteos da Argentina ganha novo impulso com a desvalorização do peso

Publicado por: MilkPoint

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O financiamento anunciado para as exportações de produtos lácteos da Argentina, divulgado na semana passada (clique aqui para ver notícia relacionada) ganha novo impulso com a desvalorização do peso.

Esta operação deve beneficiar principalmente as empresas SanCor, Nestlé Argentina e Mastellone Hermanos (dona da marca La Serenisima), disse o gerente de relações institucionais do BICE, Roberto Cancel. Segundo ele, a medida é semelhante aos empréstimos dados aos exportadores de carne há seis meses.

Héctor Deluca, gerente de exportação da Milkaut, segunda maior cooperativa argentina (em processo de fusão com a SanCor), acredita na possibilidade de as exportações de leite longa vida e queijos para o Brasil aumentarem a médio prazo. A curto prazo isso não deve ocorrer porque os preços dos produtos no Brasil não são atrativos no momento. "Já voltamos a vender leite em pó para indústrias brasileiras, mas por conta da queda dos preços internacionais, não da desvalorização", diz.

Com a desvalorização do peso, o setor lácteo brasileiro voltou a temer a entrada dos produtos importados, especialmente de queijos, produto que não tem acordo de preço mínimo com a Argentina, como acontece com o leite em pó.

Os 11 anos de paridade cambial levaram a uma queda na produção de leite na Argentina. Segundo dados oficiais, até julho de 2001, a retração nacional foi de 4%. Na província de Buenos Aires, a baixa foi de 5,9% até outubro. "A situação é muito complicada e os produtores não podem mais agüentar os US$ 0,11 que lhes pagam pelo litro de leite tipo A", diz o técnico do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária, de Santa Fé, Raul Zehnder.

A única opção é exportar o máximo possível. Até 2000, o Brasil foi o principal mercado das exportações lácteas da Argentina. Só a SanCor destinava 70% de suas vendas externas ao mercado brasileiro (US$ 77 milhões). Após a desvalorização do real em 2001, as vendas caíram. No principal item, o leite em pó, as importações totais brasileiras tiveram retração de 52%.

Fonte: Valor Online (por Giuliano Ventura), adaptado por Equipe MilkPoint
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