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Pesquisa mapeia e-commerce de lácteos informais no Brasil

VÁRIOS AUTORES

RAFAEL FAGNANI

EM 04/03/2021

3 MIN DE LEITURA

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Os chamados lácteos informais são aqueles produzidos sem fiscalização, sendo que não há garantias sobre suas procedências nem controle de qualidade. Mesmo assim, ainda são vistos com naturalidade, tanto que seu comércio não fica restrito às feiras livres ou mercearias do interior, mas também em supermercados e padarias (até de grandes municípios).

Com a popularização das redes sociais, eles também alcançaram o e-commerce. Para saber mais sobre o assunto, confira abaixo a pesquisa que mapeou o comércio dos derivados lácteos informais nas capitais brasileiras. Vale ressaltar que os riscos de seu consumo já falamos aqui no Milk, clique aqui.

O que ainda não abordamos é como a sua comercialização se distribui no país. Estas informações são importantes, pois podem fornecer dados que são capazes de servir como orientação para os órgãos oficiais de fiscalização, campanhas de conscientização e esclarecimento da população.

Outro ponto que deve ser enfatizado é que 63% dos consumidores desconhecem a proibição sobre a venda de produtos sem inspeção. Dessa forma, a falta de informação associada à facilidade de acesso são fatores que contribuem para a continuidade do mercado informal.

Para mapear suas vendas, recorremos ao MarketPlace do Facebook, um canal de e-commerce vinculado à rede social que detém o maior número de usuários no Brasil. Você mesmo já deve ter pesquisado algum “item” lá.

Se ainda não fez, vai perceber que é possível usar palavras chaves e ajustar o raio de busca para até 500 km do município alvo. Foi o que fizemos: procuramos termos como “queijo caipira”, “leite da fazenda”, etc em todas as capitais e no Distrito Federal.

Os resultados mostraram que a  comercialização de lácteos informais no Facebook rola livre. As maiores frequências foram na cidade de São Paulo, somando 13% de todo o comércio no Brasil. No mapa abaixo também pode-se notar que o comércio é mais intenso nos Estados das regiões Sul e Sudeste, as quais juntas somaram 55% dos resultados.

O comércio on-line de lácteos informais segue a mesma tendência do comércio eletrônico de outras generalidades de itens. Isto é, com maior concentração nas regiões Sudeste e Sul, as quais reúnem mais de 78% dos consumidores brasileiros.

A intensidade desse tipo de comércio está relacionada ao acesso à internet e aos dispositivos eletrônicos, que por sua vez estão mais presentes nas regiões com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Apesar de as buscas terem sido direcionadas aos produtos lácteos, o comércio informal de cárneos, ovos e mel também foram detectados. As proporções dessas categorias foram distintas entre as regiões geográficas, resultado de um país com diversidade cultural e consequentemente, de hábitos alimentares. Alguns dos itens citados você pode conferir abaixo, como queijos, leite cru, iogurtes, manteigas e nata.

Desde o começo da década de 50 a legislação brasileira proíbe o comércio de qualquer produto de origem animal que não tenha sido inspecionado por órgãos oficiais do governo federal, estadual ou municipal. A política de vendas do Facebook é clara, e artigos ilegais não podem ser vendidos no Marketplace.

Ao se deparar com a venda de drogas ou armas, por exemplo, o próprio usuário pode denunciar a publicação, classificando-a em alguma categoria, como conteúdo abusivo, produto falso, discriminação, etc., porém, ainda não há uma categoria que englobe devidamente a venda ilegal de produtos de origem animal.

Outro ponto que chamou a atenção foi a ocorrência de produtos com falsos selos de inspeção. Essa fraude foi detectada em 7% dos produtos, uma porcentagem considerável e que nos alerta que campanhas de informação sobre os legítimos selos de inspeção sanitária podem valer a pena.

Esses selos tentam mimetizar os oficiais, principalmente pela moldura semelhante. Alguns até usam números falsos do serviço de inspeção, o que dificulta ainda mais o discernimento pelos consumidores.

Demais ações também são válidas, como a educação e esclarecimento aos consumidores sobre os riscos alimentares desses produtos, programas de desenvolvimento de produtores leiteiros e a fiscalização.

No Brasil, a fiscalização de produtos alimentícios expostos ao consumidor é responsabilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a qual enfrenta alguns desafios como o grande número de estabelecimentos comerciais, a logística de venda (entregadores volantes) e a naturalidade com que a população percebe a comercialização de lácteos informais.

Esses resultados já foram aceitos em uma revista científica da área e compõem um estudo mais abrangente, por exemplo, o georreferenciamento do comércio tradicional de produtos informais em municípios.

A pesquisa constituiu a iniciação científica da aluna Beatriz dos Santos Bueno e segue em desenvolvimento tanto pela Universidade Estadual de Londrina quanto pela Unopar, integrando alunos entre instituições.

Se você quiser saber mais sobre o tema, ou tiver alguma dúvida, deixe seu comentário! Para mais informações siga as fanpages do Mestrado em Ciência e Tecnologia de Leite e Derivados e do Mestrado em Saúde e Produção Animal.

Até a próxima!

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*Fonte da foto do artigo: Freepik

RAFAEL FAGNANI

Médico veterinário, com mestrado e doutorado em ciência animal pela UEL. Professor e orientador de mestrado em Saúde e Produção animal e Ciência e Tecnologia de Leite e Derivados na UNOPAR. Professor na UEL, responsável pela disciplina de inspeção.

BEATRIZ DOS SANTOS BUENO

Estudante

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PATRICIA BUENO

EM 04/03/2021

Parabéns!
EURIDALZA TERESA C. DOS SANTOS

GUARUJÁ - SÃO PAULO

EM 04/03/2021

Sucesso para os participantes da pesquisa principalmente para Beatriz dos Santos Bueno.
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