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Teste do anel em leite: precioso, mas esquecido!

RAFAEL FAGNANI

EM 08/12/2023

4 MIN DE LEITURA

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Assim como na famosa obra de J. R. R. Tolkien, "O senhor dos anéis", o anel do leite também é extremamente precioso quando falamos em saúde única. Mas, hoje em dia, está sendo pouco utilizado no setor, beirando o esquecimento.  Confira nesse artigo todos os seus benefícios e utilidade, e conclua o porquê esse teste não pode ficar de fora na cadeia produtiva do leite.

O Teste do Anel em Leite (TAL) ou também chamado “Ring Test” é um exame laboratorial feito no leite do rebanho para detectar anticorpos contra a brucelose. A grande vantagem do ring test está na sua alta sensibilidade, alertando que há animais reagentes em meio a um rebanho de até 700 animais. Sua execução é simples, rápida e barata, sendo recomendado como triagem em dois momentos chaves: na propriedade rural e nas plataformas de recepção do leite cru refrigerado.

Em ambos os momentos, ele atua como medida complementar ao monitoramento da brucelose, uma doença zoonótica e que também gera prejuízos econômicos. Junto com outras análises e medidas profiláticas, o ring test integra o Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose Animal – PNCEBT. Caso o resultado seja reagente no pool de leite de vários produtores, pode-se identificar a propriedade fonte através de outros ring tests feitos individualmente no leite de cada produtor. Caso o resultado seja reagente no leite do rebanho, os animais do estabelecimento podem ser investigados com testes sorológicos individuais.

Como funciona o teste do anel?ring teste - teste do anel

O reagente do ring test contém antígenos de Brucella corados com hematoxilina, um corante azul-púrpura. Animais infectados podem excretar anticorpos no leite, e caso estejam presentes, vão reagir com os antígenos coloridos no reagente, resultando em um complexo antígeno-anticorpo facilmente visualizado na camada de gordura do leite. O resultado para amostras reagentes é um “anel” azul arroxeado como na imagem ao lado. Daí o nome do teste.

Como ele não funciona?

O ring test é um teste de triagem indicado somente para leite de conjunto, não devendo ser usado no leite individual para apontar animais doentes.

Sua sensibilidade também é perdida caso a amostra de leite esteja homogeneizada, congelada, ácida ou com colostro. A ação proteolítica enzimática também interfere na formação do complexo antígeno-anticorpo. Essas enzimas proteolíticas podem ser provenientes de infecções na glândula mamária (mastites) ou de micro-organismos, principalmente os psicrotróficos. Em suma, qualquer situação que cause instabilidade dos componentes do leite ou alteração da integridade dos glóbulos de gordura deve ser evitada.

O ring test é muito utilizado nos dias de hoje?

Infelizmente não! Em um levantamento feito com médicos veterinários habilitados pelo PNCEBT e do serviço veterinário oficial de 19 Estados brasileiros (dados não publicados), as respostas foram uníssonas: nos últimos cinco anos o teste não foi utilizado para monitoramento da doença. O levantamento também foi feito nos estabelecimentos comerciais que revendem não apenas o ring test, mas também outros insumos do PNCBT. Em uma das principais revendas no estado de São Paulo, a resposta à disponibilidade do ring test foi: “não sabemos o que é esse produto”.

Consequentemente, como a demanda pelo teste foi ficando em baixa, a produção do reagente também acompanhou essa tendência. Atualmente apenas um laboratório brasileiro produz o reagente para o teste. O Laboratório de Inovação em Produtos Imunobiológicos do Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo é o único laboratório que produz o insumo, além de outros reagentes para o diagnóstico da brucelose bovina, como o Antígeno Acidificado Tamponado (AAT) e 2-Mercaptoetanol (2-ME).

O reflexo também se estende para os cursos de formação profissional. Sem acesso ao reagente não há como demonstrar a análise na prática. Quando abordada, os princípios ficam apenas no campo teórico. Dessa forma, poucos estudantes tiveram a oportunidade de conhecer na prática o ring test.

Por que foi esquecido?

Um dos motivos está no conhecimento do uso do ring test pela atual regulamentação. Isso não significa que o monitoramento sanitário para brucelose é deficiente. Muito pelo contrário. O ring test tinha o grande objetivo de racionar os testes de brucelose, principalmente nas bacias leiteiras. Por isso a condição eletiva, uma vez que o monitoramento deve ocorrer também na pecuária de corte, além de machos e outras fêmeas que não estejam em lactação. Porém, nas bacias leiteiras o modus operandi foi igual à pecuária de corte, e o teste não “pegou”.

Dessa forma, o ring test seria uma forma de facilitar a investigação do status sanitário do rebanho, sem abrir mão dos outros testes compulsórios previstos pelo PNCBT. Isso acabou sendo, erroneamente, visto como “trabalho dobrado” ou “chover no molhado”, sendo que na verdade facilitaria a supervisão periódica da condição sanitária dos animais em lactação. Como sua execução é simples, o ring test possibilitaria a identificação de casos reagentes de forma mais rápida, possibilitando medidas sanitárias para mitigar a disseminação da doença no rebanho e assim minimizar perdas econômicas.

Os benefícios se estendem para a saúde humana não apenas por se tratar de uma zoonose, mas principalmente pelo seu uso nas plataformas de recepção do leite cru. Em casos de lotes reagentes, medidas preventivas complementares podem ser acionadas para proteger ainda mais a saúde dos colaboradores e consumidores, principalmente evitando a manipulação e a contaminação cruzada na planta de processamento.

Concluindo, o ring test é uma análise estratégica para o monitoramento sanitário do rebanho leiteiro, com reflexos na saúde humana e produção animal. Em conjunto com o AAT, essa ferramenta pode acelerar a identificação de animais reagentes em propriedades leiteiras, evitando perdas produtivas e econômicas.  E você? Escreva nos comentários qual é sua experiência com o ring test. Até a próxima!



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RAFAEL FAGNANI

Médico veterinário, com mestrado e doutorado em ciência animal pela UEL. Professor e orientador de mestrado em Saúde e Produção animal e Ciência e Tecnologia de Leite e Derivados na UNOPAR. Professor na UEL, responsável pela disciplina de inspeção.

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