Crescer vai além de escala: o fator cultural por trás das fazendas de alta performance

CEO e sócio da High Plains Ponderosa Dairy, uma das operações mais inovadoras dos Estados Unidos, Greg Bethard defende que o verdadeiro diferencial competitivo da pecuária leiteira moderna está menos nos números zootécnicos isolados e mais na capacidade de construir um negócio sólido, com cultura, liderança e foco econômico.

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Em um setor onde produtividade e eficiência são quase mantras, Greg Bethard traz uma provocação direta: crescimento, sozinho, não sustenta um negócio — muito menos atrai talentos de alto nível.

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CEO e sócio da High Plains Ponderosa Dairy, uma das operações mais inovadoras dos Estados Unidos, Bethard defende que o verdadeiro diferencial competitivo da pecuária leiteira moderna está menos nos números zootécnicos isolados e mais na capacidade de construir um negócio sólido, com cultura, liderança e foco econômico. Essa é a base da sua palestra no Milk Pro Summit 2026: “Como se tornar um excelente CEO em uma fazenda leiteira”.

Greg Bethard
Fonte: FarmProgress

Cultura não se copia — se constrói

Para Bethard, o erro mais comum entre produtores é acreditar que crescimento basta para atrair bons profissionais. Não basta. “Cultura e liderança são fundamentais. A cultura pode até ser definida por uma pessoa, mas precisa ser cultivada por todos. E precisa ser genuína — as pessoas percebem rapidamente quando algo é falso.”

Segundo ele, não existe fórmula pronta: cultura não vem de livro nem de palestra. Ela nasce de dentro do negócio e precisa refletir a personalidade de quem lidera. Nesse contexto, o crescimento cumpre outro papel: torna o ambiente mais atrativo — mas não substitui o que realmente retém pessoas. “Cultura atrai pessoas. Cultura retém pessoas. O crescimento torna tudo mais empolgante.”

Liderança forte — e com direção clara

Outro ponto sensível está na liderança. Bethard é direto ao afirmar que estruturas com muitos líderes tendem a gerar mais ruído do que resultado. “Normalmente, um líder funciona melhor. Múltiplos líderes podem ser problemáticos. Talentos são atraídos por lideranças fortes e decisivas e essa clareza precisa vir acompanhada de visão”. Para ele, sem um direcionamento claro de negócio, até operações com excelente manejo podem falhar financeiramente.

Dinheiro importa — mas não pode ser o centro de tudo

Bethard não romantiza: remuneração é peça-chave para atrair talentos de alto nível. “Os melhores talentos exigem os melhores salários. E algum tipo de participação nos resultados é um incentivo importante para atrair e recompensar essas pessoas.” Mas ele faz um alerta direto ao produtor: “se as conversas com os colaboradores são constantemente sobre dinheiro, então o negócio tem um problema de cultura.” 

Com uma trajetória que passa pela academia, consultoria e operação, Bethard consolidou uma visão clara que pode até parecer clichê: a fazenda leiteira é, antes de tudo, uma empresa. “O negócio vem em primeiro lugar. O modelo precisa fazer sentido para a sua geografia, seus recursos e seu mercado de leite. Entender os animais é fundamental. Mas sem um modelo de negócio claro e sem saber como gerar resultado financeiro, até o melhor manejo pode não se traduzir em sucesso”, completou ele. 

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Entre os indicadores, ele é categórico sobre o principal: “a métrica mais importante para mim é o preço de equilíbrio do leite (breakeven). É isso que torna o negócio competitivo em um mercado de commodities. Logo depois, vem a margem variável estática, que mede o resultado diário da operação ao considerar a receita do leite menos os custos variáveis”. 

Da consultoria ao campo: a realidade do 24/7

Ao deixar a consultoria global para assumir a operação da fazenda, Bethard não enfrentou um choque — mas viveu uma mudança de intensidade.

“Ser produtor de leite é um trabalho 24 horas por dia, 7 dias por semana, o que me mantém ocupado o tempo todo. O maior impacto disso está no âmbito mental — é impressionante como é mais desgastante do que a consultoria, minha cabeça fica completamente envolvida o dia inteiro. Ainda assim, vejo isso como algo positivo: gosto dos desafios intelectuais e sou muito grato pela minha experiência como consultor, que me tornou um produtor de leite melhor", finalizou Greg. 

Milk Pro Summit: escrevendo a nova história do leite brasileiro

A participação de Greg Bethard no Milk Pro Summit 2026, evento que ocorrerá nos dias 28 e 29 de maio em Atibaia/SP, é um convite direto para quem quer evoluir de produtor para líder de negócio.

Dentro do tema “Escrevendo a nova história do leite brasileiro”, o evento reúne nomes que estão redefinindo o que significa ter sucesso na atividade leiteira — no Brasil e no mundo. No palco, Bethard aprofunda justamente essa virada de chave com a palestra “Como se tornar um excelente CEO em uma fazenda leiteira” — conectando gestão, cultura e resultado financeiro de forma prática e aplicável.

Se o setor está mudando, a decisão agora é sua: continuar operando como sempre ou assumir o papel de CEO da sua própria fazenda. Garanta sua participação e esteja entre quem está, de fato, escrevendo o próximo capítulo do leite brasileiro. Vamos juntos?

Figura 2

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Material escrito por:

Raquel Maria Cury Rodrigues

Raquel Maria Cury Rodrigues

Head do MilkPoint e Zootecnista pela UNESP de Botucatu

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