Como o sistema de pagamento afeta a qualidade do leite ? Parte 2

A CCS de todo leite captado pela cooperativa sofreu redução média de 22.000 céls./mL durante o período de estudo em que a maior bonificação foi adotada (US$ 1,00 - entre agosto de 2001 e julho de 2002). A Figura 2 apresenta a CCS média dos produtores e a previsão da CCS média durante este período de maior premiação, juntamente com o comportamento da variação da CCS no ano anterior (entre agosto de 2000 e agosto de 2002). A figura mostra claramente essa variação da CCS média durante o período compreendido entre agosto de 2001 e julho de 2002 quando comparada ao mesmo período do ano anterior. A média de CCS para o período da maior bonificação é bastante próxima à média prevista pelo estudo, para o período em questão.

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A CCS de todo leite captado pela cooperativa sofreu redução média de 22.000 céls./mL durante o período de estudo em que a maior bonificação foi adotada (US$ 1,00 - entre agosto de 2001 e julho de 2002). A Figura 2 apresenta a CCS média dos produtores e a previsão da CCS média durante este período de maior premiação, juntamente com o comportamento da variação da CCS no ano anterior (entre agosto de 2000 e agosto de 2002). A figura mostra claramente essa variação da CCS média durante o período compreendido entre agosto de 2001 e julho de 2002 quando comparada ao mesmo período do ano anterior. A média de CCS para o período da maior bonificação é bastante próxima à média prevista pelo estudo, para o período em questão.

Figura 1: Médias da CCS dos produtores (■) e da CCS prevista (□) durante o ano de máxima bonificação (agosto de 2001 e agosto de 2002), comparadas com a média da CCS dos produtores durante o mesmo período do ano anterior (). (Adaptado de Nightingale et al. 2008)

Figura 1

Apesar de ter ocorrido uma redução da CCS abaixo da esperada pelo estudo, tanto no início do programa de bonificação, em abril de 1998 (com prêmios de US$ 0,15/100 kg para CCS<100.000 células/mL), quanto em agosto de 2001 (quando se adotou premiações de US$ 1,00/100 kg para CCS<100.000 células/mL), ainda assim houve redução significativa da média da CCS dos produtores.

Os resultados do estudo demonstraram que a maior premiação dobrou a probabilidade da cooperativa de captar leite com CCS<100.000 céls./mL, passando de 4 para 8%, e um aumento de 10% para a obtenção de leite com <200.000 céls./mL, passando de 28 para 38% de probabilidade. A Figura 3 ilustra esse incremento da probabilidade de ocorrência de propriedades que produziam leite com CCS<100.000 células/mL e <200.000 células/mL (sendo 0 a menor probabilidade e 0,5 a maior probabilidade).

Figura 2: Porcentagem de propriedades com CCS<100.000 céls./mL (□) e <200.000 céls./mL (■), e as respectivas premiações adotadas durante o período de estudo. (Adaptado de Nightingale et al. 2008)

Figura 2

Apesar do subseqüente decréscimo da bonificação para US$ 0,60/100 kg leite com CCS<100.000 céls/mL, ainda pôde-se observar a tendência do aumento da probabilidade de captação de leite com baixas CCS, muito embora a mesma probabilidade que se obteve durante o período de maior premiação não fora mais observada, particularmente em relação ao leite de CCS<200.000 céls./mL.

A partir dos resultados, os pesquisadores puderam observar que uma bonificação equivalente a 7% do preço do leite recebido pelo produtor, permitiu à cooperativa a captação de um leite com contagens médias 6% menores, aproximadamente. De acordo com o estudo, pode-se concluir que políticas de premiação por qualidade podem ser ferramentas importantes para o técnico de captação e, sobretudo a indústria, uma vez que as bonificações podem ser estabelecidas conforme as necessidades e objetivos de processamento da matéria-prima.

Ainda, segundo os pesquisadores, relativo aos programas que unicamente penalizam ou excluem o produtor cujo leite exceda os limites de CCS adotados pela indústria, as premiações e bonificações têm a vantagem adicional de não serem potencialmente prejudiciais à imagem da empresa. Por outro lado, a aplicação de premiações unicamente, sem nenhuma política de penalização, também se mostrou pouco efetivo, e, portanto, uma combinação entre os programas de bonificação e penalização pode ser mais significativa em reduzir os níveis de CCS, melhorar a qualidade da matéria-prima fornecida à indústria e atender os anseios do produtor que produz um leite de melhor qualidade.

Fonte:

Nightingale et al. Journal of Dairy Science, 2008.
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Material escrito por:

Marcos Veiga Santos

Marcos Veiga Santos

Professor Associado da FMVZ-USP Qualileite/FMVZ-USP Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225 Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP Pirassununga-SP 13635-900 19 3565 4260

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João Aparecido Corrá
JOÃO APARECIDO CORRÁ

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/12/2008

Gostaria de saber os fatores que fazem dar um ponto de crioscopia abaixo de -0,530C.
Fatores de alimentação animal, manejo do leite.
Obrigado pela atenção.

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado João Aparecido Corrá,

A crioscopia do leite depende basicamente dos componentes solúveis do leite, principalmente da lactose e dos minerais. Entretanto, existe sim uma faixa de variação normal entre rebanhos, sendo as causas de variação mais comuns: raça, estação do ano e alimentação. Em um estudo que fizemos em amostras de leite de rebanhos do estado de São Paulo, houve efeito significativo da estação do ano, mas dentro da faixa exigida pela legislação (<0,530ºH). Sugiro uma leitura do artigo abaixo que traz mais informações sobre esse tema.

http://www.laticinio.net/inf_tecnicas.asp?cod=68

Atenciosamente, Marcos Veiga
Fernando Bueno Simões Pires
FERNANDO BUENO SIMÕES PIRES

SANT'ANA DO LIVRAMENTO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/05/2008

Muito boa a matéria sobre qualidade do leite. Sou produtor de leite em Livramento-RS - média de 53.000 litros de leite por mês. Continuo achando que a bonificação do leite produzido, por qualidade, é uma piada. Recebo uma "bonificação" pela qualidade, de R$0,0525/litro. Pois bem, este valor, é extamente 7% sobre o preço bruto do litro do leite, mesmo da pesquisa.

Produzir com qualidade, é obrigação do produtor; entretanto, já que há "bonificação" pela qualidade, este valor é uma piada, ou não? Se a qualidade vale só 7%, é certo dizermos que o "branco" (leite), vale 93 %, não? Se a indústria bonifica desta maneira, o que vale mesmo é o volume - branco - e não a qualidade. Se a qualidade vale tão pouco (e a própria indústria estimula isto), o consumidor, que toma qualquer "branco", jamais vai apreender a conhecer o verdadeiro leite.

E nós, que nos preocupamos em produzir também qualidade, continuaremos a "tapar" o furo do "branco" que as indústrias coletam Brasil a fora. Volume também é interessante, para quem produz e para quem coleta, mas a "bonificação" pela qualidade, além de ser piada, deveria ter como contraponto a punição, o que não acontece.

Fernando Bueno S. Pires
Livramento-RS
Antonio Vieira Filho
ANTONIO VIEIRA FILHO

AFOGADOS DA INGAZEIRA - PERNAMBUCO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 15/05/2008

Boa Materia.
bruno lacerda denucci
BRUNO LACERDA DENUCCI

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 12/05/2008

Em rebanhos omde se utiliza hormônio para maior ejeção do leite, como ocitonina sintética, tendem a ter CCS mais baixa?

<b>Resposta do autor</b>

Não tenho nenhuma informação científica sobre a relação entre o uso de ocitocina injetável e a CCS. No entanto, não é recomendável o uso rotineiro de ocitocina para auxiliar na ejeção do leite. A recomendação seria somente usar a ocitocina para situações em que se deseja uma ordenha mais completa ou a esgota completa do quarto ou úbere, como por exemplo em casos de mastite aguda.

Atenciosamente, Marcos Veiga
Qual a sua dúvida hoje?