Os custos decorrentes da mastite clínica geralmente são os que mais chamam a atenção do produtor de leite, uma vez que ocorre desembolso direto com os custos do tratamento e, principalmente, com o descarte do leite com resíduos de antibióticos. No entanto, além destes custos diretos, os casos clínicos de mastite também acarretam perdas para a vaca (descarte e morte prematura) e para o restante da lactação (redução do potencial de produção e perda funcional de quartos mamários).
O impacto final é a redução da rentabilidade e aumentos dos custos de produção. Estudos anteriores apontaram que existe um risco maior de uma vaca com mastite clínica ser descartada do rebanho. No entanto, em termos econômicos é importante diferenciar entre um descarte voluntário por mastite e a perda efetiva (morte) de uma vaca em decorrência de caso de mastite clínica.
O efeito da ocorrência de casos repetidos de mastite clínica sobre a mortalidade e a taxa de descarte foi avaliado em estudo norte-americano sobre um total de 16.145 lactações, em 5 diferentes rebanhos com média de 11.000 kg de leite/vaca/lactação, durante 24 meses. Foram avaliadas variáveis como a ordem de parição, o estágio de lactação e a ocorrência de outras doenças (febre do leite, retenção de placenta, metrite, cetose e deslocamento de abomaso).
Foi monitorado um total de 3.036 vacas que apresentaram um caso de mastite durante a lactação, 758 vacas com dois episódios por lactação e 288 vacas com 3 casos por lactação. Do total de vacas com mastite clínica, 960 morreram e 1995 foram descartadas por alguma razão.
Os resultados deste estudo apontaram que independentemente do número de casos na lactação, a ocorrência de mastite clínica aumenta o risco de mortalidade e de descarte do animal. Entre as primíparas, o risco relativo de mortalidade foi 5,6 vezes maior para as vacas que apresentaram um único caso de mastite na lactação em relação às vacas sadias, de 23,3 vezes maior para dois casos e 27,8 vezes maior para vacas com 3 casos repetidos durante a lactação.
Para o grupo das multíparas, os animais que apresentaram um caso de mastite clínica tiveram risco relativo de 9,9 vezes maior de mortalidade que as vacas sadias, enquanto esse risco foi 12 vezes maior para dois casos, e 11,5 vezes maior para 3 casos de mastite clínica na mesma lactação. Quando foi considerado somente o período inicial da lactação (2 meses), a ocorrência de um único caso de mastite clínica aumentou o risco de mortalidade em 4,1 vezes mais para primíparas e em 2,3 vezes mais para multíparas.
Além disso, a mastite clínica aumentou significativamente o risco de descarte em um período de até 2 meses após a ocorrência do caso clínico. Deve-se ressaltar que tais resultados foram obtidos, sem considerar o tipo de agente causador, mas pelas características dos rebanhos estudados, os agentes predominantes foram os de origem ambiental.
Entre as possíveis razões para explicar que a ocorrência de mais de um caso clínico na lactação resulta em maior risco de morte ou descarte, está o fato de que vacas repetidoras de mastite levam a maiores custos de tratamentos e tornam-se menos rentáveis para o produtor, o qual pode tomar a decisão de descartar a vaca. Por outro lado, a ocorrência de mais de um caso na lactação, que em cerca de 50% das vezes tem como causa o mesmo agente, não parecer levar a uma maior resistência da vaca e a um menor risco de mortalidade.
Tais resultados apontam para a uma memória imunológica de curta duração, uma vez que a ocorrência de uma resposta inflamatória aguda (para casos de mastite ambiental, por exemplo) oferece pouca proteção para novas infecções.
Fonte: Bar et al, J. Dairy Sci. 91:2196-2204.
Casos repetidos de mastite clínica afetam a mortalidade e descarte de vacas
Os custos decorrentes da mastite clínica geralmente são os que mais chamam a atenção do produtor de leite, uma vez que ocorre desembolso direto com os custos do tratamento e, principalmente, com o descarte do leite com resíduos de antibióticos. No entanto, além destes custos diretos, os casos clínicos de mastite também acarretam perdas para a vaca e para o restante da lactação.
Material escrito por:
Marcos Veiga Santos
Professor Associado da FMVZ-USP Qualileite/FMVZ-USP Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225 Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP Pirassununga-SP 13635-900 19 3565 4260
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Bruno Botaro
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