Iogurte e longevidade

O caso de uma mulher de 117 anos na Espanha reacende uma antiga hipótese científica: o consumo de leites fermentados pode favorecer uma vida longa e saudável.

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O desejo por uma vida longa e saudável é universal. Recentemente, o caso de Maria Morera, uma senhora de 117 anos da Catalunha, foi destacado. Estudos de saúde mostraram sua genética favorável e um microbioma intestinal rico em Bifidobacterium, associado ao consumo diário de iogurte. Essa relação remete às ideias de Élie Metchnikoff, que sugeriu que leites fermentados promovem longevidade, fundamentando a gerontologia. A saúde intestinal é crucial para o bem-estar geral.

Conformados de que não seremos "jovens para sempre", ao menos uma vida longa e com boa saúde tem sido um sonho coletivo, independentemente de nossas raízes históricas e culturais. 

Diante de pessoas centenárias é frequente o questionamento sobre suas escolhas alimentares ou de estilo de vida, para desvendar o segredo da longevidade. 

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Um exemplo recente foi reportado no site da conceituada revista Nature que traz o relato de uma senhora de 117 anos de idade, chamada Maria Morera, moradora da Catalunha (norte da Espanha). 

Até onde a genética foi responsável por essa conquista cronológica, e qual a relevância do estilo de alimentação e/ou hábitos saudáveis? Ela foi acompanhada por profissionais de saúde periodicamente, sendo coletadas amostras de sangue, saliva, urina e fezes para decifrar sua fisiologia única, incluindo sua genética, metabolismo e microbioma intestinal. Ela apresentou bons marcadores genéticos, forte sistema imune e metabolismo lipídico eficiente. 

Quando perguntado para essa senhora ao que ela atribuía esses achados clínicos não condizentes com sua idade, ela apontou consumo de 3 porções diárias de iogurte. Simples assim. De fato, ela apresentava altos níveis de Bifidobacterium em suas amostras fecais, um gênero de alta abundância no intestino de bebês em lactação, mas presente em baixas proporções na terceira idade.

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De fato, o palpite desta “superanciã” faz sentido e confirma uma hipótese também centenária, formulada por um microbiologista chamada do Élie Metchnikoff, homenageado como "pai da imunidade inata", que defendeu o consumo de leites fermentados para alcançar vida longa e saudável. A observação da longevidade de povos búlgaros que faziam grandes consumos de leites fermentados diariamente o ajudou a fazer essa associação. Também é digno de nota o termo "gerontologia" (estudo do envelhecimento) também é atribuído a esse pesquisador, por volta do ano 1903.  

As bactérias intestinais, assim como outros organismos vivos que hospedam nosso corpo, são verdadeiras fábricas enzimáticas capazes de auxiliar na digestão, produzir neurotransmissores, ativar o sistema imune e incrementar o nosso próprio genoma.

Cultivar boas coleções de organismos, são estratégias aparentemente pequenas, mas que podem repercutir de forma grandiosa.


Prezados leitores, agradeço por sua companhia nesta coluna para a qual me dediquei por 11 anos e produzi mais de 70 conteúdos. Foi muito enriquecedora essa experiência. Tomei a decisão de finalizar essa colaboração, para dar espaço para mentes mais jovens. Meu abraço cordial a todos.    

Referências bibliográficas

Lenharo, M. She lived to 117: what her genes and lifestyle tell us about longevity. Nature. NEWS

24 September 2025. <https://www.nature.com/articles/d41586-025-03112-6?utm_source=Live+Audience&utm_campaign=5a23b79029-nature-briefing-daily-20250925&utm_medium=email&utm_term=0_-33f35e09ea-49921828> Acesso em 30/09/2025

Elie Metchnikoff. <https://en.wikipedia.org/wiki/%C3%89lie_Metchnikoff> Acesso em 30/09/2025

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Material escrito por:

Adriane Elisabete Antunes de Moraes

Adriane Elisabete Antunes de Moraes

Docente da Faculdade de Ciências Aplicadas-FCA/UNICAMP. Graduação em Nutrição (UFPEL), Mestrado em Ciência e Tecnologia Agroindustrial (FAEM/UFPEL), Doutorado em Alimentos e Nutrição (FEA/UNICAMP), Pós Doutorado no TECNOLAT/ITAL.

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