carregando...
Fechar
Receba nossa newsletter

É só se cadastrar! Você recebe em primeira mão os links para todo o conteúdo publicado, além de outras novidades, diretamente em seu e-mail. E é de graça.

Você está em: Leite & Mercado > Giro Lácteo

Compost barn: o novo modelo brasileiro de produção de leite?

postado em 19/08/2016

11 comentários
Aumentar tamanho do texto Diminuir tamanho do texto Imprimir conteúdo da página

 

Para moderar o quinto painel com a temática Compost barn na prática” do Interleite Brasil 2016 o convidado foi Adriano Seddon, da Alcance Rural – um dos profissionais que trouxe o sistema para o Brasil.

Adriano Seddon - Alcance Rural
Adriano Seddon 

Impulsionado pelas intempéries climáticas, dificuldades operacionais com o crescimento do rebanho, custo fixo elevado, baixa produtividade por vaca e qualidade do leite insatisfatória, Pedro Nunes, produtor de leite de Itaúna/MG, optou pelo uso do compost barn na sua propriedade, a Fazenda Brejo Alegre. A fazenda tem 115 hectares, foi adepta da produção de leite a pasto durante 15 anos e produz hoje 32 mil litros/ha/ano.

Pedro Nunes - Fazenda Brejo Alegre - Interleite 2016
Pedro Nunes 

“Quando eu decidi optar pelo composto, transformei áreas de pastagem e cana-de-açúcar em lavouras de milho e passei a importar forragens de outras propriedades para suprir o déficit. E por que a mudança? Quisemos aproveitar estruturas existentes na fazenda – como prédios antigos e ociosos - e exploramos a facilidade de manejo dos dejetos. Os animais se adaptaram imediatamente às instalações e obtivemos melhores índices produtivos, reprodutivos, de longevidade e de locomoção”, avaliou. Segundo Pedro, outro ganho percebido foi no tempo de ordenha. “Ganhamos 40 minutos em cada uma delas”.

O cronograma utilizado pela Brejo Alegre contemplou 1 mês para a tomada de decisão, discussão com a assessoria técnica, consultoria especializada, visita à propriedades e revisão de literatura. Na sequência, mais 1 mês foi usando para o planejamento e contratação de serviços. Dois meses foram gastos para a execução do primeiro galpão e o primeiro lote de vacas foi instalado em 4 meses. “Priorizamos a instalação em um lugar seco, bem drenado e protegido de enxurradas, sem contar com o pé direito alto, ventilação eficiente e pista de trato e bebedouros separados da cama”, acrescentou. O espaço por animal é de 10 m²/vaca e há facilidade para o acesso de tratores e caminhões.

Para que o sistema traga os benefícios esperados, o manejo diário é fundamental. A avaliação da cama, raspagem da pista, escarificação da cama duas vezes ao dia e reposição de cama se necessário são exemplos de ações comuns na propriedade mineira. Toda essa atenção especial fez com que em 10 meses a produção de leite/vaca/dia saltasse de 23,7 litros para 30,2 litros. Em outros quesitos os resultados também vieram e foram bastante notáveis nos quesitos qualitativos: a CBT (Contagem Bacteriana Total) caiu de 12 mil ufc/ml para 4 mil ufc/ml e a CCS (Contagem de Células Somáticas) de 480 mil cél/ml para 270 mil cél/ml. Outros ganhos aparentes foram a docilidade dos animais, melhora acentuada na locomoção das vacas, melhor controle de ectoparasitas, entre outros.

“O confinamento em sistema de compost barn nos atendeu de forma ágil e efetiva, mantendo-nos competitivos na atividade leiteira. As nossas expectativas continuam altas! Inclusive, pretendemos aumentar a longevidade dos nossos animais por meio da menor mortalidade. Pretendemos também valorizar o rebanho reduzindo o descarte involuntário”.

Na mesma linha, Ari Belmiro, produtor de leite de Formiga/MG, encontrou motivação para o uso do compost barn procurando otimizar o espaço da sua fazenda, a Roda D`Água. Para ele, a eficiência do sistema é dependente de outros fatores como genética dos animais, disponibilidade de volumoso, viabilidade econômica e principalmente mão de obra. “No meu caso, não reduzimos a mão de obra, já que precisei contratar mais um funcionário. Em compensação, o manejo se tornou muito mais fácil (principalmente no verão), sem contar o maior conforto para as vacas, a melhoria das condições de trabalho e o reaproveitamento da matéria orgânica”, considerou.

Ari Belmiro - Fazenda Roda D' Água
Ari Belmiro 

Outras conquistas apresentadas por Ari foram na área de sanidade, pois o índice de mastite diminuiu e ele eliminou o uso de carrapaticidas em 100%.

Em setembro de 2014, quando os animais ficavam nos piquetes, a produtividade das 150 vacas era, em média, 25 litros/vaca/dia. Um ano depois, já usufruindo do compost barn, a produtividade aumentou e passou para 31,3 litros/vaca/dia. A contagem de células somáticas (CCS) saiu de 385 mil cél/ml em setembro/2014, para 265 mil cél/ml em setembro/2015. A contagem bacteriana total também foi reduzida pela metade (de 16 mil ufc/ml para 8 mil ufc/ml, no período mencionado).

“No meu ver, ter bons funcionários é essencial. Confesso que esse é um dos meus segredos. Trabalhamos com baixa rotatividade do pessoal e isso deixa o negócio mais robusto com um todo. É importante também os bons parceiros na atividade, a gestão responsável controlada e o apoio da família”.

As melhorias via compost barn também foram notadas na Fazenda Estância do Leite, propriedade de Evando Alves Ferreira, de Patos de Minas/MG. A palestra foi proferida por Gabriel Ferreira, sobrinho de Evando que também atua na produção leiteira da família. Hoje a propriedade produz 8.400 litros/dia e possui no momento 250 vacas em lactação. “Nós somos apaixonados pela atividade e fomos em busca de melhorias. Já estamos usando o compost barn há um 1 ano e 10 meses. Nos tornamos tão adeptos que hoje nosso lote pré-parto também fica dentro do composto. Notamos ótimos resultados com a implantação, principalmente no verão, já que os pastos eram distantes e tínhamos incidência aparente de estresse térmico”.

Gabriel Ferreira - Fazenda Estância do Leite
Gabriel Ferreira 

Gabriel relatou que o descarte de animais antes da mudança era alto (100 vacas/ano) e a produção de leite nas épocas mais quentes caia significativamente. “Condições melhores de trabalho e casos graves de mastite também nos encorajaram a modificar as condições. Inclusive, o uso de antibióticos diminuiu”. A redução na incidência de mastite passou de 15-20% para 2-4% ao mês. “Considerando que cada caso de mastite custa de R$ 400 a R$ 500 (medicamentos e descarte de leite), economizamos aproximadamente R$12 mil por mês”.

Na Estância do Leite, manter a cama seca é uma das metas. Por isso, ela, que é composta por casca de café, é revolvida de duas a três vezes ao dia e é sempre muito bem ventilada. Segundo Caio, os resultados já apareceram: as vacas estão chegando à ordenha com muito mais saúde e houve redução na perda de animais. Com relação à qualidade do leite, a variação da CCS se tornou menor do que antes e a bonificação pelo produto ajudou no fechamento das contas. “Por litro de leite, passamos a receber + R$ 0,08. Na situação atual, isso representa R$ 674,00 por dia, R$ 20.220 mil por mês e R$ 242.640 mil por ano”, calculou Gabriel.

compost barn Fazenda Estância do Leite


compost barn
Compost barn na Fazenda Estância do Leite 

A fazenda também teve um incremento de R$ 0,04 no lucro unitário anual com a venda de matéria compostada, o uso de carrapaticidas para vacas em lactação foi eliminado e 30% a mais de leite foi produzido nos meses de baixa produção. “Procure sempre um sistema de produção que garanta conforto para os animais e para os seus funcionários. Assim como as vacas, quem trabalha todos os dias precisa de boas condições de trabalho para executar suas funções da melhor forma possível”, encerrou o palestrante.

No debate após as palestras, um ouvinte questionou sobre o gasto de energia elétrica devido ao uso intenso dos ventiladores no compost barn. Na fazenda de Pedro Nunes, que mantém 24 horas os ventiladores funcionando (menos no inverno), o incremento no custo foi de R$ 0,05/litro. Ari Belmiro não sentiu alterações e sugeriu um profissional capacitado para distribuir bem as réguas de energia. Já Gabriel notou um incremento de R$ 3 mil a R$ 4 mil por mês, porém, frisou que é irrisório perto dos ganhos que o compost barn proporciona. Sobre o valor investido, na propriedade de Ari o valor foi de R$ 3.300 mil/animal e na de Gabriel, R$ 2 mil/animal.

Debate Interleite - Painel Compost Barn
Debate Painel Compost Barn 

Outro ponto levantado pelo público foi se o sistema está caminhando para se tornar o principal modelo brasileiro de produção de leite e se já conseguimos avaliar as experiências por meio de um histórico no país. Para Adriano, o moderador do painel, só o tempo dirá. “O compost barn existe nos Estados Unidos desde 1986 e não se vê problemas novos. Os principais entraves estão relacionados aos problemas de manejo e não vejo gargalos sanitários”, comentou. Pedro acredita que o sistema em breve será dominante nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. “Essa questão vai depender das outras atividades que o produtor desenvolve. Não acredito que seja o programa do futuro, pois todos os programas funcionam bem quando manejados adequadamente”, complementou Gabriel.

Carlos Eduardo Carvalho, vencedor do Troféu MilkPoint Impacto 2016, ponderou que todos os sistemas são viáveis, quando bem executados. Como exemplo, ele falou dos produtores que participaram do painel sobre produção a pasto, que reportaram altas produtividades e resultado econômico.

Para quem quiser saber mais sobre sistemas de Compost Barn, o EducaPoint tem em seu portfólio de cursos da Biblioteca, o curso on-line "Compost barn no confinamento de vacas leieiras" com o professor Adriano Seddon. Confira a programação e adquira o curso no link: "Compost Barn".

Ou entre em contato: cursos@agripoint.com.br, (19)3432-2199, Whatsapp (19) 99817- 4082.


Avalie esse conteúdo: (5 estrelas)

Comentários

Udson Sérgio

Barra Mansa - Rio de Janeiro - Produção de leite
postado em 19/08/2016

Como o compost barn auxilia no combate ao estresse térmico?

Cássio

Carmo do Paranaíba - Minas Gerais - Produção de leite
postado em 20/08/2016

Qual é o custo por animal/dia no composto, considerando apenas os gastos referentes ao composto  (energia, cama,estrutura, mão de obra para sua manutenção, etc)?

Vano Cerutti

OUTRA - OUTRO - OUTRA
postado em 20/08/2016

Udson!! Ele ajuda com a ventilação q existe no galpão e com o sistema de aspersão q é colocado em cima da vara de alimentação do coxo das vacas!! quando as vacas vão se alimenta vc programa quantas vezes vc acha necessário, assim molhando as vacas vc diminui muito o estresse.A gente possui esse sistema e é notório diferença no leite pode chega em até 3 litros de leite vaca dia se é bem manejado.    

Leonardo Barros Corso

Apucarana - Paraná - Indústria de insumos para a produção
postado em 21/08/2016

Udson, acrescento também a sombra disponível para as vacas 24 horas por dia ,e com um telhado na altura correta um ambiente bem ventilado e com menor temperatura que fora do compost barn. Além da água para beber e cochos de alimentação que também estão de fácil acesso e na sombra. Saudações, Leonardo Corso

Newton Jodas Gonçalves

Tapejara - Paraná - Consultoria/extensão rural
postado em 22/08/2016

Olá! O resfriamento das vacas se dá por ventilação( aspersão) ou realmente com banhos programados? Ouço dizer que o banho é o mais recomendado,enquanto a aspersão cria uma camada isolante, o que impede que os animais façam a troca de calor. Este conceito está correto, na sua avaliação?

Leonardo Barros Corso

Apucarana - Paraná - Indústria de insumos para a produção
postado em 22/08/2016

Sr. Newton, tenho acompanhado ótimos resultados com a aspersão de agua nas vacas, seja na sala de espera ou em barra no cocho de alimentação. O importante é saber que a aspersão é diferente de ``nebulizacao`` . Na maneira correta a aspersão deve molhar o couro do animal, e não somente o pêlo. A água deve ter pressão e  quantidade suficiente para molhar o couro. Assim haverá perda de calor do animal para a água que será evaporada. O vento dos ventiladores irá acelerar o processo de evaporação. Maximizando a perda de calor do animal. Lembrando que os dois momentos que os animais mais estão expostos a estresse calórico é na sala de espera e durante as refeições, já que ficam muito juntas em pequeno espaço. Assim a aspersão de água será mais eficiente nesses locais.

Joabe Jobson de Oliveira Pimentel

Teixeira de Freitas - Bahia - Pesquisa/ensino/extensão/consultoria
postado em 22/08/2016

Compost Barn em relação ao free Stall, qual a differença?
Qual é o componente que mais pesa no custo de produção?
Quanto representa alimentação no sistema?
Quando se aumenta a produção de leite o consumo de alimento aumenta?
O que muda na alimentação do rebanho quando se usa o compost barn em relação ao confinamento tradicional?

Pedro Luiz Nunes

Belo Horizonte - Minas Gerais - Produção de leite
postado em 22/08/2016

Gostaria de colocar a nossa experiência de 1ano na Brejo Alegre, com Compost Barn,  em resposta a alguns questionamentos acima.
- O resfriamento é feito atravéz de ventiladores que funcionan 24h, que tem também o objetivo de secar a cama. Além disto, as vacas são molhadas 3 vezes por dia na sala de espera, na ´pré ordenha. Em breve passaremos a molhar as vacas na pista de trato pelo menos mais 2 vezes , totalizando 5  .

- O principal ítem no custo total da fazenda é a alimentação, representando cerca de 50% . Com o aumento da produção em cerca de 25%, com certeza também aumenta o consumo de alimentos.

- No custo  em relação ao semi confinamento em piquetes, temos a energia elétrica, a cama e a mexida da mesma. Tais despesas totalizam cerca de 10 cents por litro de leite produzido.

edvalson de sousa martins

OUTRA - OUTRO - OUTRA
postado em 22/08/2016

A visão que se tem do compost bar é muito lógica: se a vaca recebe conforto térmico ela vai comer mais,vai consumir mais alimento, consequentemente vai produzir mais leite! Os gastos vão continuar existindo. Vaca não dá leite se não comer!...vantagens e sair do barro, evitar a mastite, melhora na reprodução, evitando os consequentes prejuízos !

Antonio Carlos Junior

Teresina - Piauí - Indústria de laticínios
postado em 23/08/2016

Tenho a mesma duvida do Joabe Jobson

Adriano Seddon

Itapeva - São Paulo - Consultoria/extensão rural
postado em 24/08/2016

Quando diminuimos o stress térmico da vaca nós a tornamos mais eficiente do ponto de vista nutriconal. Na minha experiência ganhamos 3 ltrs sem aumentos da ims.
O composto prove sombra para os animais, a diminuição do stress térmico depende da combinação de aspersores e ventiladores. Devem ser usados na sala de espera e na linha de cocho totalizando de 7 a 9 banhos diários com duração de 30 a 40 min cada.

Quer receber os próximos comentários desse artigo em seu e-mail?

Receber os próximos comentários em meu e-mail

Envie seu comentário:

3000 caracteres restantes


Enviar comentário
Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

Copyright © 2000 - 2017 AgriPoint - Serviços de Informação para o Agronegócio. - Todos os direitos reservados

O conteúdo deste site não pode ser copiado, reproduzido ou transmitido sem o consentimento expresso da AgriPoint.

Consulte nossa Política de privacidade