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Você sabe quais são os maiores custos com a cria de bezerras do seu rebanho?

POR LIBOVIS - UFRRJ

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/12/2020

6 MIN DE LEITURA

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Atualizado em 09/12/2020

Os custos de produção com a cria e a recria de bezerras devem ser monitorados nas propriedades leiteiras, visando uma boa eficiência econômica e adequada reposição do rebanho.

A propriedade rural deve ser vista como uma empresa, sendo necessário conhecer todos os custos de produção e o mercado consumidor, mesmo que o produto da fazenda seja ainda entregue para processamento nas cooperativas. Ao mudar o conceito para empresa é preciso administrar de forma eficiente o negócio, garantindo maior lucratividade e mantendo o bom profissionalismo. Um dos principais entraves para o sucesso da propriedade leiteira como empresa rural é a produção de fêmeas para reposição das matrizes do rebanho.

De forma prática e resumida, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo (ESALQ-USP) uma das maneiras de avaliar o custo de produção de uma fazenda leiteira envolve três conceitos fundamentais: custo operacional efetivo (COE), custo operacional total (COT) e o custo total (CT).

O COE inclui todos os itens considerados variáveis. São os gastos com os alimentos concentrados, os suplementos minerais e vitamínicos, os aditivos em geral, o custo com produção ou compra de volumosos, os gastos com mão de obra contratada e encargos, compra de medicamentos e material de ordenha, o leite consumido pela fazenda, custos de manejo sanitário e reprodutivo, além dos gastos com energia, combustível, demais impostos e taxas. O COT é formado pela soma do COE com a parcela dos custos indiretos representados pela depreciação de máquinas, implementos e benfeitorias e taxas associadas ao processo de produção. Por fim, o CT é a soma do COT com o custo oportunidade de uso do capital e da terra. Abordaremos alguns fatores do custo operacional efetivo (COT) com a fase de cria das fêmeas de reposição do rebanho.

Ao analisarem os custos para produção de fêmeas leiteiras na fase de cria, considerada do nascimento até os 90 dias de vida da bezerra, Reis et al. (2018) observaram que as despesas podem estar alocadas em grupos diversos como impostos e taxas, energia, aluguel de máquinas utilizadas no arraçoamento e etc. Porém, os mais onerosos quando se analisa o COT foram a alimentação (88,29%), a aquisição de sêmen (7,83%) e a mão de obra (1,90%). Os gastos com sanidade foram pouco expressivos. 

A alimentação que representou 89,29% do COT apresentou o leite fornecido aos animais como o responsável por 74,86% deste valor, evidenciando ser esta a categoria mais onerosa no sistema de produção e o leite fornecido as bezerras, o insumo de custo mais alto. Com o intuito de reduzir os custos, muitos produtores utilizam leite de descarte de vacas com mastite ou em tratamento com antibiótico, esse leite não apresenta bom valor nutritivo, além de não ter boa qualidade sanitária, não sendo recomendado o seu uso. Mesmo oneroso, as bezerras devem ser nutridas adequadamente para que tenham bem-estar e boa saúde, o que as tornará vacas mais produtivas em suas futuras lactações. 

Visto que a dieta líquida representa um grande gasto no custo de produção de bezerras, deve-se levar em consideração manejos adequados para reduzir este período, desde que o ganho de peso não seja comprometido, o que pode ser obtido com acréscimo de alimentos sólidos logo nas primeiras semanas de vida, considerando que os autores observaram que o concentrado representou 11,12% e o feno 1,83% do COT. Reduzir o desperdício e evitar morte de bezerras também são ações necessárias para redução desse gasto.

Gastos com sêmen utilizado por bezerra nascida representaram 7,83% do COT. Embora represente um custo alto, a inseminação artificial (IA) evita doenças transmitidas na reprodução; acelera o melhoramento genético de acordo com as necessidades, promovendo o aumento da produtividade do rebanho; padroniza os nascimentos de bezerros concentrando a mão de obra em determinados períodos reduzindo o custo com tratadores e ainda facilita o controle dos dados zootécnicos, consequentemente melhor gerenciamento da fazenda. Além das vantagens mencionadas, manter touros de alto padrão zootécnico na propriedade é mais oneroso que o custo com aquisição de sêmen. 

Já a categoria mão de obra, 1,90% do COT, se referiu aos honorários pagos aos tratadores das bezerras para o desempenho de funções como o aleitamento, fornecimento de água e concentrado, além do tempo gasto com cuidados sanitários de cura de umbigo, aplicações de medicamentos dentre outros. As despesas com a mão de obra foram calculadas cronometrando o tempo gasto pelo funcionário durante a realização do manejo dos animais e multiplicando-se esse valor pelo valor da hora trabalhada do funcionário. Em relação à mão de obra, é indispensável que os funcionários tenham também treinamento, que conheçam a importância do bem-estar animal e como ofertá-lo as bezerras, pois de acordo com Magalhães (2017), interações positivas entre o tratador e a bezerra reduzem o estresse e a reatividade dos animais a manejos futuros, aumentando a produtividade do sistema. 

No estudo de Reis et al. (2018), despesas com sanidade representaram apenas 0,44% do COT, resultado inferior ao de Santos e Beloni (2016) que observaram 9,2% do COT para esse dado. A sanidade animal envolve um trabalho de prevenção, planejamento e cuidados com a qualidade de vida dos rebanhos, variando imensamente entre as propriedades, o que justifica grandes diferenças quando os gastos com saúde são analisados. Propriedades que trabalham a prevenção de enfermidades e princípios de bem-estar para redução de estresse dos animais têm poucas doenças, consequentemente custos reduzidos com tratamentos, encurtando os gastos com a questão sanitária do rebanho.

A criação das bezerras deve receber total atenção, mas as ações devem se iniciar pelo menos 60 dias antes do parto da vaca. Devemos começar pela escolha do touro/sêmen associado ao peso ideal da novilha ou vaca no acasalamento e no parto. Machos pouco adequados ou fêmeas ainda impúberes aumentam as chances de dificuldades no parto, abortos ou bezerros fracos e, consequentemente, perdas econômicas. A nutrição e sanidade da vaca no período pré-parto auxiliam no desenvolvimento fetal, na qualidade do colostro e na boa condição corporal da fêmea ao parto. Este último, chamado de escore de condição corporal permite o nascimento de bezerras fortes e saudáveis, além de garantir a produção de leite da vaca com quantidade e qualidade. 

Cada fazenda tem um manejo diferente, sofrem influências do dólar, fatores climáticos, da oferta e demanda de insumos e etc., o que torna o custo de cada animal variável. Gerir uma propriedade leiteira não é uma tarefa fácil, requer conhecimentos técnicos, habilidade, contabilidade e muito esforço. Porém, para produzir com lucratividade é necessário um planejamento estratégico e uma administração eficiente, pois uma empresa bem gerida, organizada e eficaz, permite investimentos em tempo e dinheiro no que realmente vai trazer bons resultados.

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Autores
Gabriel Antonio Rodrigues Lopes¹
Gabrielle Araujo Rodrigues dos Santos¹ 
Juliana Alves de Araujo¹ 
Ana Paula Lopes Marques² 
Clayton Bernardinelli Gitti² 

1Discentes e 2 Orientadores, Grupo de Estudos Liga de Bovinos - LiBovis  
2Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, UFRRJ

Fontes consultadas
CEPEA. Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada. Metodologia Grãos & Fibra. Disponível em:<https://www.cepea.esalq.usp.br/br/metodologia-graos-fibra-cepea.aspx#:~:text=O%20Custo%20Operacional%20Total%20(COT)%20%C3%A9%20formado%20pela%20soma%20do,do%20capital%20e%20da%20terra.>. Acesso em: 27 out. 2020.

MAGALHÃES, C. B. et al. Influência do sistema de cria no bem-estar e comportamento de bezerros leiteiros durante a fase de cria–Revisão de literatura. REDVET. Revista Electrónica de Veterinaria, v. 18, n. 11, p. 1-24, 2017.

REIS, E. M. B. et al. Custo de produção de fêmeas bovinas leiteiras durante as fases de cria e de recria: um estudo de caso. Medicina Veterinária (UFRPE), v. 12, n. 1, p. 37-45, 2018.

SANTOS, G.; BELONI, T. Custo de produção de bezerras e novilhas leiteiras – Um estudo de caso. Revista IPecege, v. 2, n. 1, p. 29-39, 2016.

LIBOVIS - UFRRJ

A Liga de Bovinos, LiBovis, é um grupo de estudos constituído por alunos de graduação em Medicina Veterinária e áreas afins da UFRRJ. Tem como objetivos estudar, compreender e defender os interesses da bovinocultura contribuindo para sua valorização.

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ANNA CARLA

BARRA DO PIRAÍ - RIO DE JANEIRO - ESTUDANTE

EM 10/12/2020

Vocês são feras! <3
NELSON JESUS SABOIA RIBAS

GUARACI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/12/2020

Tudo bem explicado. Parabéns! Para efeito de benchmarking seria bom se desse algum exemplo de custo para ter novilhas prontas para IA, ou prenhas
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