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Tripanossomose bovina: tratamento, controle e prevenção

POR THIAGO S. AZEREDO BASTOS

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/12/2020

3 MIN DE LEITURA

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Depois de discutir bastante sobre tripanossomose bovina, enfatizando a necessidade de conhecer o problema, como a doença se espalha e quais seus sinais no rebanho; chegou a hora de falar sobre tratamento e prevenção.

 

Qual o melhor medicamento?

No mercado brasileiro hoje, existem dois tipos de produtos com efeito tripanocida: diminazene e cloridrato de isometamidium (Figura 1). Entretanto, cada um oferece uma contribuição diferente no combate à doença. Por exemplo, um dos medicamentos possui efeito curativo ou preventivo, dependo da dose aplicada. Já o outro, oferece apenas efeito curativo1. Mas, como este último possui menores efeitos colaterais, ele acaba sendo altamente indicado em animais mais debilitados.

Além disso, existem outros fatores de igual importância que devem ser levados em consideração durante a escolha do tratamento, como por exemplo:

  • Será feito com uma dose ou mais?;
  • Devo tratar o animal doente ou o rebanho inteiro?;
  • Mantenho animal tratado no rebanho ou devo descartar?.

Então, os desafios são muitos e as opções de tratamento também. Por isso, é importante que um médico veterinário habituado a trabalhar com esta doença possa ajudar a tomar a decisão mais adequada.

Afinal, cada propriedade rural tem suas próprias características ambientas e de manejo, então não é possível ter um protocolo de tratamento único para todos. Aquilo que funciona para seu vizinho, geralmente não funciona para sua propriedade. Por isso reforçamos sempre: cada caso é um caso!

Figura 1: Tratamento de um bovino durante experimento realizado na Universidade Federal de Goiás (Bastos et al., 2017).

 

Basta fazer o tratamento que esta doença vai sumir

Tratamento correto é fundamental para manter o animal vivo e reduzir a disseminação da doença. Por outro lado, um tratamento mal elaborado pode resultar no desenvolvimento de resistência do parasita e, consequentemente, perda da eficácia do medicamento tripanocida. Como só temos dois produtos disponíveis no mercado hoje, se não utilizarmos eles corretamente, logo deixarão de ser uteis2.

Por isso, estamos trabalhando muito para conscientizar todos os produtores sobre a importância dessa medida. Fico feliz em dizer que muitos já se informaram e estão colaborado no controle da tripanossomose. Entretanto, alguns ainda não foram adequadamente preparados para ajudar com este desafio e, consequentemente, tem adotado medidas que interferem negativamente no controle.

Como exemplo, eu cito outra prática que precisa ser combatida: a venda de animais infectados (Figura 2)1. Algumas propriedades, onde animais sobrevivem à doença e não são adequadamente tratados, estão comercializando animais com o parasita. Esta é a principal causa da disseminação do Trypanosoma nos diferentes estados brasileiros3.

Figura 2: Painel representando a venda de todos os animais de uma propriedade como medida adotada para controle da doença (Bastos et al., 2017).

 

Estamos preparados para ajudar!

Felizmente, desde que a doença vem se disseminando, médicos veterinários em todo o país estão constantemente divulgando e capacitando-se para trabalhar no controle da tripanossomose bovina. Assim, o produtor não fica desamparado e a doença não se torne algo comum na rotina do bovinocultor.

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Referências

1.         Hurtado OJB, Castro PDJ, Giraldo-Rios C. Reproductive failures associated with Trypanosoma (Duttonella) vivax. Veterinary parasitology. 2016;229:54-9.

2.         Osório ALAR, Madruga CR, Desquesnes M, Soares CO, Ribeiro LRR, Costa SCGd. Trypanosoma (Duttonella) vivax: its biology, epidemiology, pathogenesis, and introduction in the New World-a review. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. 2008;103(1):1-13.

3.         Bastos TSA, Faria AM, Madrid DMdC, Bessa LCd, Linhares GFC, Fidelis Junior OL, et al. First outbreak and subsequent cases of Trypanosoma vivax in the state of Goiás, Brazil. Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária. 2017;26(3):366-71.

 

THIAGO S. AZEREDO BASTOS

Médico Veterinário pela UFG. Possui doutorado com ênfase em diagnóstico e prevenção de doenças infecciosas e parasitárias, principalmente tripanossomose bovina. Professor e Coordenador do curso Med. Veterinária na Faculdade Anhanguera de Anápolis.

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