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Possíveis problemas reprodutivos em fazendas leiteiras

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 15/02/2006

5 MIN DE LEITURA

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Este material é da Universidade da Pennsylvânia, elaborado por Michel O'Conner, David Griswold, Richard Adams e Larry Hutchinson. Eles não têm a pretensão de resolver os problemas reprodutivos das fazendas, é apenas uma lista de problemas mais freqüentes, suas possíveis causas e sugestões para solucionar o problema.

Repeat Breeding - Alta incidência de vacas com três ou mais coberturas

Possíveis causas:

1. Inseminação em momento errado - muito cedo ou muito tarde;
2. Inseminação baseada em sinais secundários de cio (presença de muco, vulva edemaciada);
3. Alta incidência de infecção uterina;
4. Uso de técnica de inseminação errada;
5. Uso de sêmen com problema de estocagem ou descongelamento;
6. Alta incidência de perda embrionária e fetal;
   a. Perda excessiva de peso;
   b. Técnica de diagnóstico de gestação imprópria;
   c. Estresse térmico;
   d. Desbalanço da dieta (excesso de proteína);
   e. Vacas muito gordas;
7.Doenças infecciosas;
8.Intoxicação alimentar;
9. Desbalanço de cálcio, fósforo e vitaminas (A, D, E e caroteno);
10. Anemia;
11. Desbalanço hormonal (ingestão de forragem com alto ter de substâncias estrogênicas);
12. Uso de touros com baixa fertilidade;
13. Uso impróprio de hormônios que podem afetar a reprodução.

Sugestões:

1. Avaliar o programa de detecção de cio e momento das inseminações;
2. Treinar os inseminadores;
3. Diagnósticar as doenças infecciosas;
4. Examinar as vacas "repeat breeders" e tratar as que apresentarem infecção uterina;
5. Avaliar a dieta e seus componentes;
6. Pedir para as empresas de sêmen que forneçam as avaliações do sêmen utilizado;
7. Avaliar o uso de medicamentos ligados ao manejo reprodutivo;
8. Avaliar o programa de vacinação.

Anestro - Cio não demonstrado ou cio não observado

Possíveis causas:

1. Cio não observado em vacas normais;
   a. Falhas na observação de cio;
   b. Falhas nas anotações de cio;
   c. Poucas vacas vazias no mesmo lote;
   d. Alta incidência de problemas de pernas e pés;
   e. Falta de treinamento da pessoa responsável pela observação do cio;
2. Anestro verdadeiro - cio não demonstrado;
   a. Deficiência energética - alta perda de peso;
   b. Desbalanço da dieta;
   c. Alta incidência de infecção uterina grave;
   d. Alta incidência de cistos ovarianos;
   e. Vacas gestantes - falhas de anotação.

Sugestões:

1. Examinar as vacas que não estão sendo observadas em cio;
2. Manter as anotações reprodutivas em ordem;
3. Treinar as pessoas responsáveis pela detecção do cio;
4. Estabelecer uma rotina de observação de cio adequada;
5. Examinar a ocorrência de infecções uterinas e avaliar o manejo no período de transição das vacas para evitar ocorrência de retenção de placenta e infecções;
6. Avaliar a dieta;
7. Fazer o diagnóstico de gestação o mais cedo possível e anotar os diagnósticos de forma adequada.

Cistos Ovarianos

Possíveis causas:

1. Alta incidência de problemas no parto e no pós-parto (distocia, febre do leite, retenção de placenta, mastite severa e infecção uterina);
2. Alta produção de leite;
3. Existem algumas evidências de que a ocorrência de cistos ovarianos é hereditária;
4. Desbalanço hormonal (ingestão de forragem com alto ter de substâncias estrogênicas);
5. Desbalanço de vitaminas.

Sugestões:

1. Controlar problemas peri-parto;
2. Evitar a exposição das vacas a ambientes muitos estressantes;
3. Avaliar o histórico das vacas e descartar as que têm alta incidência de cistos;
4. Avaliar a dieta.

Infecções do trato reprodutivo

Possíveis causas:

1. Dieta e manejo inadequado das vacas secas e no pós-parto;
2. Manejo de parto inadequado que favorece a contaminação;
3. Alta incidência de distocia a retenção placenta;
4. Técnicas de inseminação ou de exames reprodutivos inadequadas;
5. Doenças infecciosas;
6. Água contaminada.

Sugestões:

1. Avaliar a dieta e o manejo das vacas secas e no pós-parto;
2. Avaliar o manejo de parto;
3. Controlar a incidência de retenção de placenta;
4. Controlar a incidência de doenças infecciosas;
5. Manter os equipamentos de inseminação e de diagnósticos reprodutivo limpos;
6. Usar camisa sanitária nas inseminações;
7. Não usar touros sem exames sanitários adequados;
8. Testar a qualidade da água.

Abortos:

Possíveis causas:

1. Doenças infecciosas;
2. Contaminação da dieta por fungos;
3. Uso inadequados de alguns medicamentos (prostaglandina, corticóides);
4. Traumas.

Soluções:

1. Diagnosticar as doenças infecciosas;
2. Avaliar o programa de vacinação;
3. Avaliar os ingredientes da dieta;
4. Manejar adequadamente animais gestantes.

Retenção de Placenta:

Possíveis causas:

1. Parto anormal (distocia, bezerro prematuro, bezerro grande, natimorto, aborto, antecipação do parto, parto gemelar);
2. Hipocalcemia;
3. Desbalanço mineral;
4. Deficiência de vitamina A, E ou caroteno; forragem de baixa qualidade e falta de forragem fresca;
5. Doenças infecciosas;
6. Infecções não específicas do trato reprodutivo;
7. Vacas secas muito gordas.

Sugestões:

1. Minimizar a ocorrência de condições estressantes no período seco e no peri-parto;
2. Prevenir a ocorrência de febre do leite;
3. Avaliar a dieta das vacas secas;
4. Garantir ingestão adequada de selênio, vitaminas A e E;
5. Diagnosticar as doenças infecciosas;
6. Evitar que as vacas secas fiquem muito gordas.

Dificuldade ao parto

Possíveis causas:

1. Bezerros muito grandes;
2. Novilhas mal alimentadas antes do parto e nas duas primeiras lactações, resultando em desenvolvimento esquelético inadequado e pequena área pélvica;
3. Febre do leite, cetose e outras complicações durante o parto;
4. Anormalidades fetais;
5. Manejo inadequado do peri-parto;
6. Vacas e novilhas muito gordas, com deposição de gordura no canal do parto.

Sugestões:

1. Inseminar as novilhas com touros que tenham o índice de facilidade de parto alto;
2. Monitorar o desenvolvimento das novilhas antes e depois da inseminação;
3. Alimentar adequadamente as vacas de primeira e segunda lactação;
4. Controlar a ocorrência de problemas peri-parto;
5. Evitar que as vacas secas fiquem muito gordas;
6. Fornecer a dieta das vacas do pré-parto no final da tarde ou início da noite, assim mais parto ocorrerão entre a manhã e o início da noite.

Comentários:

Temos que lembrar que cada fazenda tem suas características próprias e não podemos generalizar nem as causas nem as soluções dos problemas, esta lista serve apenas para começarmos a pensar sobre os problemas reprodutivos que estão acontecendo nas fazendas de leite.

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 09/01/2018

Dieison,

Se a cervix dela for só muito tortuosa ou estreita o touro pode sim resolver. Mas se ela tiver outro problema de formação da cervix pode ser que não fique gestante nem sendo coberta pelo touro.

Vamos torcer para dar certo!!! Boa sorte!!
DIEISON

EM 08/01/2018

Poise, aconteceu isso, e por garantia o inseminador tamben achou melhor deixar ela ser coberta pelo touro. Isso vai resolver o possível problema?
RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 08/01/2018

Prezado  Dieison, obrigada pela participação!

Na segunda vez o inseminador conseguiu passar a cervix?

Se da segunda vez ele também não conseguiu passar a cervix por completo, pode ser um problema anatômico. Dá próxima vez que a novilha entrar em cio, se possível coloque ela para ser coberta por um touro.


DIEISON

EM 08/01/2018

Estive lendo o Artigo e achei interresante, porem tenho uma dúvida aqui. Uma novilha entro em cio e foi inseminada, mas o inseminador relatou que não conseguiu introduzir totalmente a vareta do sêmen até o final, parecia estar fechado. E 20 dias após ela voltou a entrar em em cio. O que possivelmente seria?
BRENO DALLA MAESTRI

VILA VELHA - ESPÍRITO SANTO - PESQUISA/ENSINO

EM 05/03/2006

Olá



No texto é descrito: "Anestro - Cio não demonstrado ou cio não observado". "Possíveis causas: cio não observado em vacas normais; poucas vacas vazias no mesmo lote". Há diferença comparando o número de montas de vacas gestantes e não gestantes (no grupo sexulamente ativo)?



Muito grato,



Breno



<b>Resposta da autora:</b>



Breno,



Não conheço dados sobre número de montas de vacas gestantes e não gestantes, mas o ponto dessa possível causa de baixa detecção de cio quando se tem poucas vacas vazias no mesmo lote, é que o aumento do número de vacas em cio no mesmo lote facilita a detecção de cio, pois aumenta a atividade de monta.



Atenciosamente,



Ricarda





ANTONIO SALOMÃO CARNEIRO

CAMPOS NOVOS - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/02/2006

Trabalho com gado leiteiro com produção de 1800 l/dia. Encontrei no texto uma radiografia das minhas principais preocupações, no dia a dia, às vezes se tomam decisões que não surgem o resultado desejado, pois é preciso ver o que não podemos enxergar. O texto é de grande importância para identificar algum detalhe esquecido durante o tempo. O texto já esta gravado em meu micro.



Parabenizo pelo dinamismo nas informações repassadas.

ANTÔNIO CÉSAR FERNANDES

GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/02/2006

Com relação a vacas "repeat breders", o texto manda examina-las. Não seria melhor realização de exame ginecológico completo, com vacinoscopia, palpação do aparelho reprodutivo e tratamento 35-40 dias pós parto?



<b>Resposta dos autores:</b>



Caro leitor, é isso mesmo, quanto o texto cita: "Examinar as vacas "repeat breeders", quer dizer para que seja realizado um exame bem detalhado". Normalmente nessa fase não sabemos se a vaca vai ser uma das "repeat breders". Mas a partir dessa fase a involução uterina já deve estar completa e se houver sinais de infecção uterina com acúmulo de conteúdo purulento no útero, a vaca deve ser tratada.



Obrigada, até mais,



Ricarda
MilkPoint AgriPoint