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Uso de oxitocina em vacas leiteiras

POR MARCOS VEIGA SANTOS

E SUSANA NORI DE MACEDO

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 04/06/2013

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Susana Nori de Macedo* e Marcos Veiga dos Santos

Introdução
A produção eficiente de leite de alta qualidade depende de uma interação equilibrada entre as vacas leiteiras, os ordenhadores e os equipamentos. Para que a ordenha das vacas seja completa, rápida e sem causar alterações na saúde do úbere é fundamental que o manejo de ordenha seja realizado respeitando-se o funcionamento do reflexo de descida do leite. Nas situações nas quais as vacas não apresentam um bom reflexo de descida do leite, ocorre aumento do tempo de ordenha e maior risco de novos casos de mastite.

Ejeção do leite
Durante a síntese, o leite é continuamente armazenado nos alvéolos, ductos e cisternas da glândula mamária. Aproximadamente 80% do leite armazenado no úbere das vacas está localizado nos alvéolos e pequenos dutos. Sendo assim, somente cerca de 20% do leite total produzido está localizado nas cisternas da glândula e do teto e são prontamente ordenhados após a colocação do conjunto de teteiras no início da ordenha, sem a necessidade de descida do leite. Para que ocorra uma ordenha completa, há necessidade de um reflexo neuroendócrino, que é responsável pela liberação da fração alveolar do leite para a cavidade cisternal.

A ejeção do leite é ativada pela liberação de oxitocina pela hipófise, que induz a contração das células mioepiteliais que envolvem os alvéolos e pequenos dutos do úbere. Em resposta à estimulação tátil, visual ou auditiva, são enviados sinais para o cérebro nos núcleos supraóptico e paraventricular do hipotálamo, localizado na região central do cérebro. Nestes núcleos, a oxitocina é sintetizada e transportada para a hipófise, de onde é liberada para a circulação sanguínea, após a estimulação dos tetos. A contração das células mioepiteliais, como resultado da ação da oxitocina, desloca o leite armazenado nos alvéolos para a cavidade cisternal, deixando todo o leite sintetizado pela glândula mamária disponível para a remoção pela ordenha. Para que ocorra a ejeção do leite, a resistência do canal do teto deve ser superada e a contração das células mioepiteliais deve assegurar força suficiente para o leite sair dos alvéolos e alcançar os ductos.

O reflexo neuro-hormonal de ejeção do leite envolve receptores nervosos presentes na pele dos tetos e ativa a liberação de oxitocina, ocorrendo contração das células mioepiteliais e, consequentemente a ejeção do leite. A oxitocina liga-se especificamente e com alta afinidade aos receptores localizados nas células mioepiteliais.

A remoção completa do leite é fundamental para a alcançar alta eficiência de ordenha, otimização da qualidade do leite e a boa saúde das vacas leiteiras. Porém, o reflexo de ejeção do leite é altamente sensível e pode ser inibido durante situações de estresse ou em situações desconfortáveis para a vaca, como mudança do local ou sistema de ordenha e manejo agressivo, ou ainda nas primeiras ordenhas de vacas primíparas. Além disso, a remoção do leite pode sofrer alteração por alguma disfunção do reflexo de ejeção do leite ou por anormalidade anatômica ou lesões dos tetos, que levam à diminuição do fluxo e da produção de leite. Distúrbios no reflexo de ejeção do leite podem ser causados pela redução ou ausência da síntese de oxitocina ou ainda pela perda da sensibilidade das células da glândula mamária para este hormônio.

Distúrbios na ejeção do leite causam perdas econômicas devido ao decréscimo da produção de leite, aumento do tempo de ordenha e da susceptibilidade de infecções intramamárias. Em vacas com estes problemas, a ejeção do leite alveolar é deficiente ou não ocorre, sendo liberada somente a fração cisternal, ou seja, apenas cerca de 20% do leite total produzido. Nesses casos, é comum o uso de injeções de oxitocina exógena antes ou durante a ordenha. Em altas doses, a oxitocina exógena causa a ejeção de todo o leite, incluindo o leite residual, resultando em produção similar entre vacas com e sem síntese e liberação normais de oxitocina.

A ejeção do leite pode ser inibida quando estão elevados os níveis de adrenalina e noradrenalina, hormônios liberados em condições estressantes. Nestes casos, a administração exógena de oxitocina não reverte o déficit de ejeção do leite, pois a adrenalina bloqueia diretamente a ligação da oxitocina às células mioepiteliais e contrai os músculos dos ductos mamários e dos vasos sanguíneos, causando oclusão parcial dos ductos, dificultando a chegada da oxitocina na glândula mamária.

Uso continuado de ocitocina exógena
Pesquisas realizadas nos últimos anos sobre os efeitos da administração de oxitocina exógena antes da ordenha demonstram que ocorre elevação nos níveis desse hormônio no sangue dos animais tratados, mas, não há influência sobre a síntese e liberação de oxitocina endógena (produzida pelo organismo animal). Porém, o uso diário pode causar redução da ejeção espontânea do leite devido à dessensibilização do úbere para esse hormônio, resultando em menor contração das células mioepiteliais da glândula mamária em concentrações fisiologicamente normais de oxitocina.

Um estudo foi realizado na Alemanha para analisar a interferência da administração contínua de oxitocina exógena sobre a ejeção do leite após a suspensão do uso desse hormônio. Os pesquisadores concluíram que a interrupção do uso contínuo de oxitocina exógena após administração por período igual ou superior a cinco dias causa redução da produção de leite, devido à dessensibilização dos receptores de oxitocina da glândula mamária.

Durante a ordenha, há elevação normal dos níveis de oxitocina, fator essencial para a máxima ejeção do leite total produzido. Deste modo, quando os níveis plasmáticos desse hormônio são elevados acima da concentração basal e contínuos, ocorre ligeira melhora da eficácia da ejeção e da porcentagem do leite espontaneamente removido no decorrer da ordenha. Com base nisso, pesquisadores suíços estudaram o uso contínuo de baixas doses de oxitocina (até 1 UI/vaca) para vacas com distúrbio na ejeção do leite. Os pesquisadores concluíram que, a administração de oxitocina, mesmo em baixas doses, eleva a concentração plasmática desse hormônio e que quanto maior a dose utilizada, maior é a duração da fase de resposta.

Vacas com distúrbio de ejeção do leite afetam diretamente os ganhos do produtor, pois, produzem menos leite, e podem ser a causa de grande parte dos descartes na propriedade leiteira. Segundo um estudo realizado por pesquisadores suíços, embora o uso contínuo de oxitocina exógena em elevadas doses resulte na dessensibilização dos receptores de oxitocina da glândula mamária, esse hormônio pode ser utilizado continuamente e em baixas doses, como uma droga terapêutica em vacas com distúrbio de ejeção do leite.

Conclusão
O tratamento com oxitocina exógena deve ser cuidadosamente planejado e apenas deve ser utilizado nas vacas-problema e quando a saúde da glândula mamária estiver em perigo pela grande quantidade de leite residual restante no úbere após a ordenha. Além disso, se necessário, devem ser aplicadas doses mínimas de oxitocina exógena nas vacas com distúrbio na ejeção de leite, pois a duração do efeito é mais importante que a dose utilizada.

Fontes (originalmente publicado em): MACEDO, S.N., SANTOS, M. V. Uso de ocitocina em vacas leiteiras - Fev-13. Revista Leite Integral. Piracicaba-SP, p.24 - 27, 2013.

*Mestranda em Nutrição e Produção Animal, FMVZ, USP

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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ROSE

ITAQUIRAÍ - MATO GROSSO DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/06/2018

Gostaria de saber sobre a toxina enjetada em vacas se a risco pra meu bb k toma do leite.. Pois ando com medo do meu filho tomar o mesmo
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 25/06/2018

Prezada Rose, a ocitocina não é um toxina e sim um composto natural que a própria vaca libera antes de iniciar a ordenha. Não existe risco à saúde de quem consome o leite, mesmo que seja criança, atenciosamente, Marcos Veiga
RONE DA SILVA

COLUNA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/04/2018

bom dia,eu estou querendo retira a ocitocina das minhas vacas qual e melhor forma
MATHEUS HENRIQUE CORRÊA RESENDE DE OLIVERIA

UBERABA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/12/2017

Gostaria de saber qual a dosagem de ocitocina recomendada para a decida do leite em aplicação intramuscular?
ALÃN

ROLANTE - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/08/2017

Me perdi na esplicaçao , to meio com a cabeça cheia .
Oxitocina deve ser utilizado só para as vacas que não estão entregando o volume que elas davam antes, então? E usasse antes da ordenha cerca de 1 ml ? Mas a vaca vicia nisso ou depois ela começa a entragar a produçao boa sem esse metodo ?
Tenho uma vaca jersey que da uns 7 ou pouco mais litros de leite espontaneamente , mas com o ternero na frente do brete, ainda usamos isso kkk . E tem outra vaca deve ser mestiça a jersey com outra coisa , que pelo ubre no minimo devia dar uns 12 litros mas na verdade nao sei se dá 5 e algumas pior ainda . Aqui é bem simples so na pastagem por um tempo e só . Entao eu gostaria de usar esse metodo .
UDSON SÉRGIO

BARRA MANSA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/11/2016

Tenho novilhas 3/4 de holandês e percebo que elas tem prazer de entrar na sala de ordenha e liberam o leite sem o uso de ocitocina.
Agora tenho também uma 3/8 que já é mais medrosa e fica retendo o leite, alguma sugestão?
Obrigado a todos!
UDSON SÉRGIO

BARRA MANSA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/09/2016

Entendo, tenho umas 5 vacas que sempre seguram leite em algum teto.E geralmente é um teto que já foi afetado por uma mastite.
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 28/09/2016

Udson, é possivel que seja um problema específico desta vaca (canal do teto ?), mas não saberia explicar somente com as informações que você enviou.
A sugestão seria que fosse feito um exame detalhado para decidir se valeria a pena ou não manter esta vaca no rebanho.

Atenciosamente, Marcos Veiga
UDSON SÉRGIO

BARRA MANSA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/09/2016

Obrigado Marcos pelos esclarecimentos
Eu tenho uma outra dúvida, tem algumas vacas do meu rebanho que não tem jeito, mesmo a ordenha trabalhando perfeitamente algum quarto mamário dela fica um leite residual aproximado de 1L de leite.
Isso é algo crônico que se desenvolveu?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 26/09/2016

Prezado Udson, a recomendação é que não é necessário fazer esta pressão no conjunto de ordenha, no final da ordenha. Este procedimento é altamente prejudicial para a saúde dos tetos e aumenta o risco de mastite pois pode ocorrer entrada de ar e flutuação de vácuo durante o procedimento.

Este procedimento de pressão do conjunto de ordenha no final da ordenha é uma tentativa de retirar um volume de leite residual, mas que não é necessário para um volume de at
e 400 ml por vaca no final da ordenha. Caso esteja ocorrendo problema de leite residual acima de 400 ml por vaca, deve-se fazer uma avaliação do nível de vácuo e pulsação, além dos procedimentos de preparação da vaca e tempo de colocação de teteiras.

Atenciosamente, Marcos Veiga
UDSON SÉRGIO

BARRA MANSA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/09/2016

Prezado Marcos
Minha pergunta não está diretamente ligada ao uso da ocitocina e sim sobre a ordenha
Vejo pessoas que após a vaca concluir a descida do leite, eles pegam junto com as teteiras e ficam forçando a mão no úbere da vaca.
Ao meu ver isso não fará bem a longo prazo.
Estou correto?
Tenho a impressão que isso faz com que as vacas fiquem sempre segurando leite em determinado quarto mamário.
Obrigado!
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 30/08/2016

Prezada Sandra, a ocitocina é rapidamente degradada e não afeta a saúde de quem consome o leite, atenciosamente, Marcos Veiga
SANDRA NUNES

EM 30/08/2016

podemos tomar o leite normalmente ? ele nao vai fazer mal nos humanos ?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 24/06/2016

Prezado Iago,

Quando aplicada por via intramuscular, a ocitocina pode permanecer na circulação po um tempo de ação de cerca de 2 horas. Este tempo é muito superior ao tempo que a ocitocina permanece na circulação quando é liberada naturalmente durante a ordenha (cerca de 15 minutos).

Atenciosamente, Marcos Veiga
IAGO GONÇALVES SANTIAGO

CLÁUDIO - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 22/05/2016

Boa tarde professor Marcos Veiga, gostaria de saber qual seria o tempo de ação da ocitocina aplicada via intramuscular. Muito obrigado!
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 22/05/2016

Prezado Elias, o uso de ocitocina não causa aborto em vacas em lactação. A ocitocina somente tem efeito de aumentar as contrações uterinas no momento do parto.

Atenciosamente, Marcos Veiga
ELIAS FERRARI

MANGUEIRINHA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/05/2016

PR Marcos Veiga preciso fazer ocitocina em um animal do meu plantel pois naturalmente desce apenas 2litros com uso da ocitocina 20-24 litros. Mais minha preocupação e se esse animal vai segurar cria essa ocitocina não vai aborta ou coisa parecida? Sou grato pela resposta. Elias
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 21/01/2016

Prezado Vitor, sugiro verificar os comentários anteriores. De uma forma resumida, seria sim possível reduzir ou eliminar o uso de ocitocina injetável como medida de manejo para todas as vacas, desde que as novilhas e animais jovens tenham um manejo de adaptação e treinamento na ordenha antes do parto.

Sugiro que busque os artigos sobre doma racional para reduzir o uso de ocitocina na ordenha.

atenciosamente, Marcos Veiga
VITOR LOPES SOUZA RODRIGUES

LAVRAS - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 21/01/2016

Professor Marcos Veiga, gostaria de saber se o uso mais comum de ocitocina em vacas cruzadas se deve, apenas, à dificuldade de reflexo da descida do leite sem a presença do bezerro ou tem mais algum fator fisiológico envolvido, pois também vejo muitas vacas cruzadas, inclusive uma criação inteira de gir não depender da ocitocina.
Uma outra dúvida seria em relação ao manejo indicado no inicio da lactação para poder evitar a ocitocina. Como pode-se dar esse "treinamento" às vacas?
Obrigado.
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 06/08/2015

Prezado Gilmar, não tenho informações e experiência com o uso de ocitocina em cabras.

Atenciosamente, Marcos Veiga
GILMAR TADEU RODRIGUES

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 06/08/2015

Professor Marcos, bom dia.
A premissa acima se aplica também ao rebanho caprino? Gostaria de entender melhor a administração da oxitocina nesse tipo de rebanho.
Desde já, grato pela atenção
tadeudaviola@hotmail.com