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Silagem pré-secada na dieta de vacas leiteiras

POR JOÃO RICARDO ALVES PEREIRA

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/05/2021

5 MIN DE LEITURA

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"Silagem pré-secada tem sido uma alternativa na dieta de vacas leiteiras. A pré-secagem permite a ensilagem de plantas forrageiras com teores mais elevados de umidade, num processo relativamente simples onde fermentações indesejáveis são controladas."

A alimentação de vacas de leiteiras é um grande desafio. Esses animais têm alta exigência em energia, cerca de cinco vezes maior que a de proteína.

Por outro lado, necessitam de forragem na sua dieta numa quantidade suficiente estimular a mastigação, ruminação, salivação e a motilidade ruminal. A redução nesses estímulos reduz a produção de saliva, que é rica em elementos tamponantes, cuja falta resulta em queda de pH ruminal que, dependendo da intensidade, pode levar à acidose subclínica, com variação no consumo de matéria seca, teor de gordura no leite e, em casos mais graves, em timpanismolaminite.

Para os nutricionistas é um desafio formular dietas visando maximizar a produção de leite, uma vez que o atendimento da exigência em fibra caminha no sentido contrário da densidade energética da dieta.

Assim, a formulação de dietas é favorecida quando se têm forragens de alta qualidade disponível, uma vez que, além de auxiliar nas funções físicas ruminais essenciais, seu maior conteúdo energético reduz a demanda por alimentos concentrados, geralmente os de maior custo na propriedade.

 

Silagem pré-secada 

Na grande maioria das dietas utilizadas no Brasil, a silagem de milho é principal fonte de fibra e o gerenciamento do tamanho de partícula na colheita, muitas vezes, é a forma que se tem para a forragem ter maior efetividade na ruminação pelas vacas.

No entanto, esse aumento no tamanho do picado da silagem de milho, sem a devida regulagem e maquina apropriada, tem resultado em grandes perdas de grãos por falta de processamento.

Assim, a inclusão de uma segunda fonte de forragem nas dietas se faz essencial quando buscamos maiores produtividades. Os processos para conservação de forragens (capins e leguminosas), geralmente, são a fenação e a ensilagem. 

Figura 01 - Perdas na colheita e no armazenamento de forragens de acordo com o teor de umidade na colheita, em diferentes formas de conservação (adaptado de Pereira & Reis, 2005)

O que é a ensilagem?

A ensilagem é um processo de conservação de forragem, que tem como objetivo final preservar forragem com alto valor nutritivo e com o mínimo de perdas.

No processo, basicamente, carboidratos solúveis são convertidos em ácidos orgânicos pela ação de microrganismos, que encontrando ambiente anaeróbio ideal proliferam e criam condições adequadas à conservação.

Contudo, a ensilagem de plantas forrageiras que apresentam matéria seca (MS) inferior a 20% e poucos carboidratos solúveis, possuem riscos de deterioração maiores, tornando-se fundamental o uso de recursos que, de alguma forma, modifiquem esta situação.

A pré-secagem ou emurchecimento permite a ensilagem de plantas forrageiras com teores mais elevados de umidade, num processo relativamente simples onde fermentações indesejáveis são controladas.

No processo, basicamente, a forragem é cortada e espalhada e o recolhimento e picagem se dá quando o teor de matéria seca está entre 40 a 60%. O tamanho de corte deve ser definido em função da finalidade do seu uso na dieta e se haverá ou não processamento posterior dessa forragem, como a repicagem em vagão misturador (mixer).

As plataformas para recolhimento podem ser um gargalo operacional.

Atualmente, no Brasil, são encontradas plataformas “adaptadas” para ensiladeiras de milho, que tem capacidade limitada para recolhimento em áreas maiores. Outra opção é a terceirização dos serviços com máquinas automotrizes, que nem sempre estão disponíveis na região ou o custo fica muito elevado em função da pouca quantidade a ser recolhida.

Figura 02 - Recolhimento de forragem pré secada com colhedora automotriz e acoplada ao trator.

Assim como para silagem de milho, no processo de ensilagem de pré secado em silos trincheria ou superfície, a retirada de ar da massa ensilada por meio de compactação intensa é fundamental para a redução da respiração e do aumento de temperatura na massa, que têm como consequência principal a perda de energia na forma de calor.

Além de trator(es) pesado(s), favorece a boa compactação a distribuição da forragem em camadas finas. O fechamento do silo deve ser feito com lona plástica adequada, com maior espessura e com “protetor” da ação do sol, no caso de lonas brancas.

Figura 03 - Enchimento e silos de superfície e trincheira para silagem pré secada.

Outra técnica que vêm sendo bastante difundida no Brasil, é a ensilagem de forragem pré-secada em silos fardos redondos (400 até 1.000 kg) revestidos com plástico especial.

Este processo viabilizou a comercialização de volumosos pré-secados, tornando-a uma opção interessante tanto para o agricultor, que passou a ter mais uma opção de renda, vendendo a forragem e/ou produzindo em parceria com terceiros, como para o pecuarista, que pode adquirir alimentos volumosos com qualidade e na quantidade desejada.

Como vantagens, o produtor tem uma maior especialização da propriedade, focando seus esforços e investimentos naquilo que realmente é de sua competência.

Figura 04 - Enfardamento e embalagem de silos fardos para silagem pré secada.

Figura 05 - Silagem pré secada em silos fardos e em mistura na dieta total.

Como conclusão, para a produção de silagem pré-secada deve-se levar em consideração os seguintes fatores:

  • O processo tem como vantagem, em relação a fenação, a redução do tempo de secagem e dos riscos de perdas no campo;
     
  • Preserva melhor a qualidade da forragem colhida com níveis mais elevados de umidade;
     
  • É necessário estabelecer espécies forrageiras produtivas adaptadas às condições climáticas locais e colher a forragem no estágio de desenvolvimento adequado, de modo a se obter maiores produtividades de matéria seca de maior valor nutritivo;
     
  • Deve-se proporcionar condições ideais ao processo de fermentação durante o armazenamento, com atenção especial ao teor de matéria seca da forragem e a compactação durante a ensilagem;
     
  • Adotar, se necessário, o uso de aditivos para melhor conservação, sempre levando-se em consideração o custo final dos nutrientes na forragem armazenada;
     
  • Adotar técnicas de manejo e equipamentos adequados de modo que sejam minimizadas as perdas durante a retirada e o fornecimento da silagem aos animais;
     
  • A aquisição de pré-secado de terceiros de acordo com a demanda e qualidade exigidos em cada propriedade pode ser uma excelente alternativa, por mobilizar menos recursos em máquinas e equipamentos, destinar a área de produção à outras culturas, como o milho, e ter a segurança da disponibilidade de um segundo volumoso na dieta durante o ano todo

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JOÃO RICARDO ALVES PEREIRA

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BRUNO

IBIÁ/ MG - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/05/2021

Caro João Ricardo! Parabéns pelo assunto abordado.
JOAO RICARDO PEREIRA

PONTA GROSSA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 13/05/2021

Obrigado, Bruno. Abraço
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