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Espaço Acadêmico: Avaliação de mastite clínica, subclínica e presença de Staphylococcus aureus em amostras de leite

POR TAÍSE BASSO

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/04/2015

8 MIN DE LEITURA

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A mastite é um processo inflamatório complexo, oriundo da interação entre animal,
agente etiológico e meio ambiente. Pode ser classificada em dois tipos: a mastite clínica e mastite subclínica. O animal com mastite apresenta alterações que consistem basicamente no aumento da consistência do tecido glandular e alterações do leite, como aparência aquosa e presença de grumos.

O Staphylococcus aureus é capaz de causar infecções de longa duração, com tendência a se tornarem crônicas, com baixa taxa de cura e grande perda na produção de leite.

Tanto a mastite, como a presença de Staphylococcus aureus na produção leiteira, resultam em grandes perdas econômicas para o produtor, e para toda a indústria leiteira. Os produtos de origem animal pertencem ao grande grupo dos alimentos indispensáveis, desempenham um papel fundamental na alimentação humana como fornecedores de elementos básicos para o crescimento e a manutenção da vida. No caso dos produtos lácteos o consumo é influenciado pela qualidade dos mesmos, postos à disposição dos consumidores. A qualidade dos produtos depende dos métodos de produção utilizados e das condições sanitárias na origem, transformação e comercialização destes produtos.

Devem ser tomados alguns cuidados no manejo leiteiro, observando as condições de higiene e limpeza de todos os equipamentos utilizados no momento da ordenha.

De acordo com Dürr (2005), o teste da caneca de fundo preto que é realizado o diagnóstico da mastite clínica realiza-se coletando os primeiros jatos de leite de cada ordenha, avaliando se o leite possui grumos, pus, o úbere está inchado e avermelhado, o animal não se alimenta direito, está com febre e se a produção de leite reduziu, apresenta edemas, aumento de temperatura, endurecimento e dor na glândula mamária.

A mastite clínica determina perdas elevadas por descarte do leite, gastos com medicamentos, perda funcional de glândulas e até por morte do animal. No entanto, os maiores prejuízos são causados pela mastite subclínica, pelo fato de está ter caráter silencioso e não despertar tanto a atenção dos produtores (FONSECA & SANTOS, 2001).

Já o teste CMT, é utilizado para o diagnóstico da mastite subclínica, não apresenta sintomas como à mastite clínica, a não ser que há uma redução na produção de leite, que muitas vezes passa despercebida. Para saber se a vaca está com mastite subclínica, deve-se observar se houve um aumento da CCS (Contagem de Células Somáticas) no leite (DÜRR, 2005).

O CMT é um teste prático e de fácil realização, de baixo custo. Utiliza-se uma raquete
própria e a solução CMT para fazê-lo. Para realizar o teste CMT coleta-se o leite de cada teto em cada um dos compartimentos da raquete, em seguida inclina-se a raquete até que o leite atinja a marca inferior (indicada no compartimento da raquete e que corresponde a 2ml de leite), depois adiciona-se a solução CMT até atingir a marca superior (aproximadamente 2 ml de solução). Depois realizá-se movimentos circulares com a raquete, para que ocorra a mistura do leite com a solução CMT, e logo após é realizada a leitura do teste. O teste CMT pode ser avaliado em função do grau de gelatinização ou viscosidade em cinco escores que são: negativo, traço (falso positivo), fracamente positivo (+), positivo (++) e fortemente positivo (+++) (ROSA, 2009).

O quadro abaixo apresenta as diferentes interpretações dos resultados possíveis de se obter ao empregar o método CMT (Rosa, 2009).

Quadro 1: Leitura do teste CMT Fonte: ROSA (2009).

Fonseca & Santos (2001) afirmam que, na mastite subclínica, não existem sinais evidentes da doença, não sendo possível diagnosticá-la sem a utilização de testes auxiliares. Salientam, ainda, estes autores que o sinal clássico da mastite subclínica é a elevação da CCS (contagem de células somáticas), que pode ser mensurada direta ou indiretamente por meio dos testes California Mastitis Test (CMT), ou pela contagem eletrônica de células somáticas (CCS) em laboratório.

A mastite é uma das mais frequentes infecções que acometem o gado leiteiro, levando a perdas econômicas pela diminuição na produção e na qualidade do leite, à elevação dos custos com mão-de-obra, medicamentos e serviços veterinários, além de descarte precoce de animais (COSER, et al., 2012).

Fernandes (2013) afirma que a mastite é causa contínua de significativos prejuízos para a indústria leiteira. Para se ter uma ideia, as perdas das propriedades leiteiras no Brasil acarretadas pela mastite subclínica, por exemplo, podem chegar a R$ 630,00 por vaca/ano. Soares & Correa (2003), dizem que a mastite é responsável por grandes perdas econômicas, podendo reduzir em até 50% a produção de leite. Não só a mastite clínica, mas também a subclínica, alteram a produção de leite e sua composição química e diminuem a vida produtiva da vaca.

Fraser (1996), diz que os Staphylococcus aureus são hoje a causa mais importante de mastite na maioria das áreas leiteiras por causar mastite tanto crônica quanto aguda, as infecções respondem fracamente ao tratamento e são facilmente transmitidas no momento da ordenha.

O Staphylococcus aureus é capaz de causar infecções de longa duração, com baixa taxa de cura e grande perda na produção de leite. As perdas por mastite subclínica causada por esse microorganismo causam três vezes mais prejuízos que a mastite clínica (ZAFALON et al., 2007).

Em sua pesquisa, Hartmann (2010), diz que os microorganismos mais presentes nas mastites são o Staphylococcus aureus, tendo em vista a sua resistência aos tratamentos usuais e seus diversos fatores de virulência. O S. aureus são agentes invasivos e geralmente atingem toda a glândula mamária, inclusive as regiões mais profundas do parênquima mamário, é considerado o agente infeccioso causador das infecções na glândula mamária de vacas leiteiras, e por seu caráter crônico, tem expressiva predominância entre as bactérias isoladas no leite cru.

Conforme Aires (2010) o agente está presente na pele dos animais, tetos, amígdalas, camas, mãos do ordenhador e vetores, multiplicando-se nestes locais, ocorrendo à contaminação majoritariamente durante a ordenha através de tetinas contaminadas, mãos do ordenhador ou copos de pré e pós-dipping contaminados.

Pereira (2011) diz, a pressa está longe de ser uma aliada da perfeição quando o assunto é ordenhar as vacas. Um trabalho apressado, sem seguir uma rotina de preparação e higienização dos animais, do ordenhador e do ambiente pode significar tempo maior de trabalho e menor qualidade do leite.

Se os procedimentos de ordenha forem feitos adequadamente, o tempo de funcionamento dos equipamentos pode ser reduzido para 1,5 minutos a 3,5 minutos por animal. Esse período menor de conexão do equipamento à vaca traz outras vantagens como: preservação da extremidade da teta, ganho de qualidade do leite e melhor desempenho da sala de ordenha (PEREIRA, 2011).

Brito (1998) afirma que na ordenha tudo tem que estar rigorosamente limpo na hora de retirar o leite. Acabada a ordenha, tudo deve ser limpo, para a próxima. O leite é livre de germes quando secretado na glândula mamária de um animal sadio. Mas pode ser contaminado enquanto vai descendo pelo canal da teta até chegar ao meio ambiente. Depois da ordenha, micro-organismos presentes em vasilhas, nas mãos do ordenhador, nas fezes, no solo e até no corpo do animal também podem contaminar o produto.

As mastites quando ocorrem, obrigam o produtor a descartar o leite do animal infectado. A grande parte dos micro-organismos que provocam a mastite é eliminada com práticas corretas de higiene e ordenha (BRITO 1998).

De acordo com Biscaro (1999) medidas simples, mas fundamentais, que garantem um trabalho eficiente e um bom leite. As instalações devem comportar o número de animais que serão ordenhados. A construção precisa ser feita de forma a facilitar a retirada de fezes e urina, além de suportar a lavagem constante e o escoamento da água. Deve estar longe de depósitos de fezes e de fontes de mau cheiro. É fundamental que a sala de ordenha tenha cobertura, para proteção contra sol e poeira. A água disponível tem de ser limpa, abundante e potável.

De acordo com Brito (1998), existe uma ordem indicada para a ordenha que é a seguinte: animais que nunca tiveram mastite, vacas que tiveram mastite e foram curadas, animais com mastite subclínica e, por fim, os que têm mastite clínica.

REFERÊNCIAS

AIRES, Túlia A. C. P.; Mastites em Bovinos: caracterização etiológica, padrões de sensibilidade e implementação de programas de qualidade do leite em explorações do Entre-Douro e Minho. 2010. 87f. Dissertação (Mestrado Integrado em Medicina Veterinária) - Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa, 2010. Disponível em: https://www.repository.utl.pt/handle/10400.5/2373 Acessado em: 15 de junho de 2013.

BISCARO Marcelo. Asseio dos pés á cabeça: sujeira não combina com saúde nem com um bom produtor. Revista Produtor Parmalat. São Paulo: Trevisan Auditores 1999, ano 3 nº32, outubro 1999 pg. 22-24.

BRITO Maria A. V. P. Rotina faz a boa ordenha. Revista Produtor Parmalat. São Paulo: Trevisan Auditores 1998, ano 2 nº 16, junho 1998 pg. 26-29.

COSER, Sorhaia Morandi. et al;. Mastite Bovina: Controle e Prevenção. Boletim Técnico - n.º93 – Lavras – MG, 2012. Disponível em: https://www.editora.ufla.br/upload/boletim/tecnico/boletim-tecnico-93.pdf Acessodo em: 15 de junho de 2013.

DÜRR, João Walter. Como produzir leite de alta qualidade. Brasília: SENAR, 2005.
FERNANDES André P. Mastite é vilã nas fazendas leiteiras. O Presente Rural, Paraná, junho/julho, 2013. Sanidade pg. 18. Fernandes 2013)

FRASER, C. M.; et al. Manual Merck de Veterinária : um manual de diagnóstico, tratamento, prevenção e controle de doenças para o veterinário. 7ª edição. São Paulo: Roca, 1996.

FONSECA & SANTOS (2001) apud COSER, S. M.; LOPES, M. A.; COSTA, G. M. Mastite Bovina: Controle e Prevenção. Boletim técnico nº 93. Lavras/MG: UFLA, 2012. Disponível em: https://www.editora.ufla.br/upload/boletim/tecnico/boletim-tecnico-93.pdf Acessado em: 15 de junho de 2013.

HARTMANN, Welington et al. Estimativa da redução da contagem de Staphylococcus aureus através de tratamento térmico em amostras de leite experimentalmente contaminadas (2010). Disponível em: https://www.utp.br/tuiuticienciaecultura/ciclo_4/tcc_43_FACBS/pdf%27s/art_6.pdf Acesso em: 16 de junho de 2013.

PEREIRA Dennys. Ordenha com precisão. Revista Produtor LBR. São Paulo: Multi Propaganda, 2011, nº 4, junho/ julho, pg. 17-19.
ROSA, M. S. et al. Boas Práticas de Manejo - Ordenha. Jaboticabal - SP: Funep, 2009. Disponível em: https://www.agricultura.gov.br/arq_editor/file/Aniamal/Bemestar-animal/manual_ordenha.pdf. Acessado em: 12 de junho de 2013.

ZAFALON, L. F. et al;. Mastite subclínica causada por Staphylococcus aureus: custo-benefício da antibioticoterapia de vacas em lactação. Arquivo Brasileiro Medicina Veterinária Zootecnia vol 59 nº3 Belo Horizonte 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-09352007000300005 Acessado em: 12 de junho de 2013.

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JOSÉ CARLOS DA SILVA

NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO - MATO GROSSO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 14/09/2016

Bom dia Taíse Basso, meu e mail- josecarlos.tecagr@hotmail.com
TAÍSE BASSO

SANANDUVA - RIO GRANDE DO SUL - ESTUDANTE

EM 12/09/2016

Olá, José Carlos da Silva, me passa teu email que lhe envio o artigo completo.

Obrigada.

Taise Basso
TAÍSE BASSO

SANANDUVA - RIO GRANDE DO SUL - ESTUDANTE

EM 09/09/2016

Obrigada, Mario Roger Araujo Porto.
JOSÉ CARLOS DA SILVA

NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO - MATO GROSSO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 09/09/2016

Boa noite , Tais Basso se puder me enviar o artigo completo eu lhe agradeço

pois estou pesquisando artigos sobre mastite para o TCC.

desde já lhe agradeço.



José Carlos da Silva , acadêmico de ciências biológicas.

UNÍVAG CENTRO UNIVERSITÁRIO - VÁRZEA GRANDE -MT.
MARIO ROGER ARAUJO PORTO

SUMÉ - PARAIBA - ESTUDANTE

EM 09/09/2016

Sou estudante de Agroecologia da UFCG/Campina Grande-PB,tenho uma disciplina Caprinocultura  Leiteira,este artigo bastante valioso sobre este problema de Mastite na produção leiteira valeu.
TAÍSE BASSO

SANANDUVA - RIO GRANDE DO SUL - ESTUDANTE

EM 01/09/2016

Olá José Carlos da Silva

Meu artigo foi publicado na III Mostra de Iniciação Cientifíca e III Mostra de Inovação e Tecnologia da Faculdade IDEAU - Getúlio Vargas - RS,, durante a semana acadêmica no período de 02 de setembro a 06 de  setembro de 2013.

Se quiser posso te enviar o artigo completo por email.

Obrigada.

Taíse Basso
JOSÉ CARLOS DA SILVA

NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO - MATO GROSSO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 01/09/2016

Sou José Carlos da Silva , li o artigo da Tais Basso(avaliação de mastite clinica e subclínica e presença de sthaphilococcus aureus em amostra de leite) qual é ano de publicação e o nº do artigo, estou fazendo o meu TCC sobre mastite bovina se puderem me ajudar eu agradeço !!!
LAUDIMAR LOPES

BEBERIBE - CEARÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 09/05/2016

Ótimo artigo, parabéns
TAÍSE BASSO

SANANDUVA - RIO GRANDE DO SUL - ESTUDANTE

EM 09/10/2015

Muito Obrigada.
ÍTALO BENATO TRENTO

LONDRINA - TOCANTINS - ESTUDANTE

EM 09/10/2015

Parabens pelo artigo
ROCCO ANSANTE

EM 20/04/2015

Parabens pelo artigo,gostei muito.
MilkPoint AgriPoint