Atingindo 50% ou mais de concepção no 1º serviço de vacas com diferentes programas de fertilidade

Três estratégias, um objetivo: elevar a fertilidade no primeiro serviço pós-parto. Duplo E-Synch, Duplo-Ovsynch e Smart MatchDay-Synch-7 combinam pré-sincronização e IATF otimizada para alcançar taxas de concepção iguais ou superiores a 50%, inclusive em rebanhos de alta produção. Conheça as diferenças e veja qual programa melhor se adapta à rotina da fazenda.

Publicado em: - 7 minutos de leitura

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1. Relembrando o que são Programas de Fertilidade

No texto (1º texto técnico), apresentamos a importância do primeiro serviço pós-parto para a eficiência reprodutiva, destacando a eficiência de inseminar as vacas ao final do período de espera voluntário (PEV) utilizando a inseminação artificial em tempo fixo (IATF), aumentando a taxa de serviço (TS) e, ao mesmo tempo, alcançando alta fertilidade nessa primeira inseminação.

  Com o objetivo de aumentar as taxas de concepção, o estabelecimento dos programas de fertilidade foi um dos principais avanços do manejo reprodutivo, tendo contribuído significativamente para os resultados da indústria leiteira norte-americana e, mais recentemente, da brasileira. Esses programas incluem uma pré-sincronização realizada antes do protocolo de IATF para o primeiro serviço pós-parto.

O objetivo da pré-sincronização é induzir uma ovulação prévia, fazendo com que a maioria das vacas inicie o protocolo de IATF no momento ideal do ciclo estral, geralmente entre os dias 6 e 7 do ciclo. Isso aumenta as taxas de sincronização e melhora o ambiente hormonal durante o protocolo. A combinação de pré-sincronização com protocolos de IATF é denominada de Programa de Fertilidade porque sabidamente aumenta a fertilidade em comparação com vacas inseminadas em cio ou submetidas a protocolos menos otimizados. Um ponto importante é que a utilização da pré-sincronização no 1º serviço pós-parto não atrasa o início da reprodução, pois os manejos são realizados durante o PEV.

No texto ( 2º texto técnico), apresentamos um programa de fertilidade comumente utilizado no Brasil, o Duplo E-Synch. Neste texto, iremos apresentar mais duas opções que podem ser implementadas por técnicos e produtores de acordo com suas preferências e rotina reprodutiva: o Duplo-Ovsynch e o Smart MatchDay-Synch-7.        

 

2. Duplo E-Synch para o 1º serviço pós-parto

O Duplo E-Synch é um programa estabelecido tanto em experimentos científicos quanto no campo. Ele inclui uma pré-sincronização à base de dispositivo intravaginal (DIV) de progesterona (P4), prostaglandina F2α (PGF) e estradiol (E2). Além disso, o próprio protocolo de IATF incorpora otimizações voltadas ao aumento da fertilidade, como o uso de dose dobrada de hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) no início e duas aplicações de prostaglandina F2α (PGF) ao final. O nome Duplo E-Synch faz referência ao fato de que as duas ovulações do programa — a ovulação ao final da pré-sincronização e a ovulação associada ao protocolo de IATF — são induzidas por estradiol (E2). Assim, o termo “Duplo” refere-se às duas sincronizações sequenciais presentes no programa, enquanto a letra “E” identifica o uso do estradiol como indutor de ovulação em ambas as etapas.

A Figura 1 apresenta o rationale da dinâmica ovariana durante o programa Duplo E-Synch e um exemplo de como ele se encaixa nos dias da semana dentro da rotina da fazenda.

 

Figura 1. Esquema do Programa Duplo E-Synch para o 1º serviço pós-parto, incluindo os dias de manejo da pré-sincronização e do protocolo de IATF, assim como os fármacos administrados em cada dia. Está apresentada a dinâmica folicular e luteal e as respostas fisiológicas em cada momento do programa de IATF. Além disso, a figura exemplifica como o programa se encaixaria nos dias da semana em uma fazenda com início dos protocolos (D0) às segundas-feiras e IATF às quintas-feiras. Dessa forma, a pré-sincronização iniciaria e terminaria às sextas-feiras. Abreviações: CL (corpo lúteo), FOL (folículo), DIV (dispositivo intravaginal), P4 (progesterona), CE (cipionato de estradiol), PGF (prostaglandina), GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina), PEV (período de espera voluntário). Adaptado de Consentini et al. (2025).

 

2. Duplo-Ovsynch para o 1º serviço pós-parto

O Duplo-Ovsynch também é um programa com fisiologia e fertilidade amplamente estabelecidas, sendo utilizado de forma rotineira na indústria leiteira norte-americana e podendo ser implementado com sucesso em fazendas brasileiras. O nome Duplo-Ovsynch deriva do fato de que tanto a pré-sincronização quanto o protocolo de IATF são estruturados com protocolos do tipo Ovsynch, os quais têm como base farmacológica o GnRH e a PGF. Apesar das diferenças farmacológicas em relação ao Duplo E-Synch, os objetivos fisiológicos do Duplo-Ovsynch são os mesmos: posicionar as vacas em estágios favoráveis do ciclo estral antes do início do protocolo de IATF e otimizar o ambiente hormonal para maximizar a fertilidade.

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A Figura 2 apresenta o rationale da dinâmica ovariana durante o programa Duplo-Ovsynch e um exemplo de como ele se encaixa nos dias da semana dentro da rotina da fazenda.

 

Figura 2. Esquema do Programa Duplo-Ovsynch para o 1º serviço pós-parto, incluindo os dias de manejo da pré-sincronização e do protocolo de IATF, assim como os fármacos administrados em cada dia. Está apresentada a dinâmica folicular e luteal e as respostas fisiológicas em cada momento do programa de IATF. Além disso, a figura exemplifica como o programa se encaixaria nos dias da semana em uma fazenda com início dos protocolos (D0) às segundas-feiras e IATF às quintas-feiras. Dessa forma, a pré-sincronização iniciaria nas sextas-feiras. Abreviações: CL (corpo lúteo), FOL (folículo), GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina), PGF (prostaglandina), PEV (período de espera voluntário). Adaptado de Consentini et al. (2025).

 

3. Smart MatchDay-Synch-7 para o 1º serviço pós-parto

Observe que, nos programas anteriores, os manejos da pré-sincronização ocorrem em dias diferentes dos manejos do protocolo de IATF. Isso faz com que exista um dia adicional de manejo reprodutivo na semana.

Em fazendas com rotina bem estabelecida e equipes capacitadas para realizar os procedimentos organizacionais e operacionais do programa reprodutivo, isso normalmente não representa um inconveniente.

No entanto, desenvolver uma estratégia de pré-sincronização cujos manejos ocorram nos mesmos dias já destinados às atividades reprodutivas pode trazer benefícios operacionais para os técnicos e produtores.

Com esse objetivo, foi desenvolvido o Smart MatchDay-Synch-7. Esse programa inclui uma pré-sincronização cujos manejos coincidem com os mesmos dias da semana utilizados pelo protocolo de IATF, simplificando a rotina organizacional e operacional da fazenda.

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O nome Smart MatchDay-Synch-7 deriva da vantagem operacional. O termo “MatchDay” indica que os manejos da pré-sincronização coincidem ("match", em inglês) com os manejos do protocolo de IATF. Já o número “7” faz referência à estrutura do programa, baseada em intervalos consecutivos de sete dias. O período entre o início e o final da pré-sincronização é de sete dias, assim como o intervalo entre o final da pré-sincronização e o início do protocolo de IATF. Além disso, o período entre o início do protocolo de IATF e a primeira aplicação de PGF também é de sete dias. Como todos esses intervalos possuem a mesma duração, os principais manejos da pré-sincronização e do protocolo ocorrem sempre nos mesmos dias da semana.

A Figura 3 apresenta o rationale da dinâmica ovariana durante o programa Smart MatchDay-Synch-7 e um exemplo de como ele se encaixa nos dias da semana dentro da rotina da fazenda. Note que a pré-sincronização também se inicia com um DIV de progesterona, porém com a adição de uma PGF, e a ovulação ao final dessa etapa é induzida por uma dose dobrada de GnRH.

 

Figura 3. Esquema do Programa Smart MatchDay-Synch-7 para o 1º serviço pós-parto, incluindo os dias de manejo da pré-sincronização e do protocolo de IATF, assim como os fármacos administrados em cada dia. Está apresentada a dinâmica folicular e luteal e as respostas fisiológicas em cada momento do programa de IATF. Além disso, a figura exemplifica como o programa se encaixaria nos dias da semana em uma fazenda com início dos protocolos (D0) às segundas-feiras e IATF às quintas-feiras. Dessa forma, a pré-sincronização iniciaria e terminaria às segundas-feiras. Abreviações: CL (corpo lúteo), FOL (folículo), DIV (dispositivo intravaginal), P4 (progesterona), PGF (prostaglandina), GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina), CE (cipionato de estradiol), PEV (período de espera voluntário). Fonte: Consentini et al. (2026).

 

3. Resultados dos programas reprodutivos apresentados

Podemos observar que os programas descritos anteriormente utilizam farmacologias diferentes, porém compartilham os mesmos princípios fisiológicos: uma pré-sincronização eficiente para posicionar as vacas em momentos favoráveis do ciclo estral e protocolos de IATF otimizados para maximizar a fertilidade. Além disso, o uso de uma pré-sincronização não está necessariamente vinculado a um único protocolo de IATF, e vice-versa. Neste texto foram apresentados os formatos mais utilizados de cada programa. Na prática, técnicos e produtores podem escolher a pré-sincronização e o protocolo de acordo com a rotina da fazenda e suas preferências de manejo, desde que sejam respeitados os intervalos e tratamentos descritos.

Quando corretamente implementados, programas de fertilidade como os apresentados neste texto permitem atingir taxas de concepção no primeiro serviço pós-parto iguais ou superiores a 50%, mesmo em rebanhos de alta produção leiteira. A Figura 4 apresenta os resultados de concepção na primeira IATF pós-parto obtidos com os três programas de fertilidade em diferentes fazendas comerciais brasileiras ao longo de 12 meses.

 

Figura 4. Resultados de produção de leite média e concepção na 1ª IATF pós-parto durante 12 meses em fazendas comerciais implementando diferentes programas de fertilidade. DIV (dispositivo intravaginal), P4 (progesterona), PGF (prostaglandina), GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina), CE (cipionato de estradiol), PEV (período de espera voluntário). Fonte: Consentini et al. (2026).

 

Carlos Eduardo Cardoso Consentini1,Tiago Carneiro2, Rodrigo Belli3, Luiz Arregui4, Emmanoel Rosalen4, Mateus Timbola4, José Carpes4,Bruno Gonzales5, Tattiany Abadia6, Eduardo Campos7, Hugo Valadão7, Paulo Medeiros7, Luis Moroz8, Caroline Vandressen9, Alexandre Prata1, Mauro Meneghetti1,Leonardo Melo10, Roberto Sartori9

 

1GlobalGen, 2Fazenda Bela Vista, 3Rodrigo Belli, 4SerVet Consultoria Veterinária, 5Fazenda São Jorge, 6Fazenda Ceú Azul, 7Fazenda Buriti do Meio, 8Fazenda Frankanna, 9ESALQ/USP, 10Universidade Federal de Goiás

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Material escrito por:

Carlos Eduardo Cardoso Consentini

Carlos Eduardo Cardoso Consentini

Gerente Técnico da GlobalGen Vet Science, Doutor pela ESALQ/USP e University of Wisconsin-Madison, Mestre pela ESALQ/USP e Médico Veterinário pela FMVZ/USP

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