A compostagem de pequena escala na fazenda: transformando esterco em adubo

A compostagem em pequena escala transforma o esterco bovino em adubo nutritivo, reduz resíduos e aumenta a sustentabilidade das fazendas leiteiras. Entenda!

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A gestão de resíduos em fazendas leiteiras enfrenta desafios significativos, especialmente devido ao volume de esterco gerado. A compostagem em pequena escala é uma solução eficaz, transformando o esterco em adubo orgânico de alta qualidade, que enriquece o solo e promove a sustentabilidade. O processo envolve misturar esterco com materiais ricos em carbono, controlar umidade e aeração, e monitorar a temperatura. O composto resultante melhora a fertilidade do solo, reduzindo a necessidade de adubos químicos e contribuindo para a gestão eficiente de resíduos e mitigação de gases de efeito estufa.

A gestão de resíduos em fazendas leiteiras, especialmente o volume considerável de esterco gerado, representa um desafio ambiental e operacional significativo, o esterco bovino é um recurso valioso, repleto de nutrientes e matéria orgânica. 

 

Compostagem em pequena escala

A compostagem de pequena escala surge como uma solução eficaz e acessível, permitindo que o produtor rural transforme esse resíduo em um adubo orgânico de alta qualidade. Este processo biológico não só reduz drasticamente o volume de resíduos, mas também enriquece o solo, promovendo a sustentabilidade e a produtividade da propriedade.

O esterco fresco, por si só, possui limitações como adubo direto, ele pode conter patógenos, sementes de plantas daninhas e excesso de amônia, que pode queimar as plantas ou lixiviar para corpos d'água. Além disso, sua decomposição no solo consome oxigênio e nitrogênio, podendo temporariamente competir com as plantas por esses elementos. 

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A compostagem, por outro lado, é um processo controlado de decomposição aeróbica que estabiliza o material, eliminando esses inconvenientes e concentrando os nutrientes de forma segura e disponível para as plantas. 

 

Como implementar a compostagem

O processo de compostagem em pequena escala é relativamente simples e pode ser adaptado às condições de cada fazenda. Basicamente, consiste em empilhar ou organizar o esterco de forma a permitir a aeração e o controle de umidade. Primeiramente, é fundamental a escolha do local para a pilha de compostagem, que deve ser uma área plana, bem drenada, longe de fontes de água e preferencialmente sombreada para evitar o ressecamento excessivo. A base da pilha pode ser feita com materiais mais grosseiros, como galhos e palha, para facilitar a circulação de ar.

A mistura de materiais é um passo crucial para uma compostagem eficiente. O esterco de gado é rico em nitrogênio ("material verde"), mas para um equilíbrio ideal, ele precisa ser combinado com materiais ricos em carbono ("material marrom"), como palha, restos de cultura, folhas secas, serragem ou casca de arroz. A proporção ideal geralmente varia de 2 a 3 partes de carbono para 1 parte de nitrogênio. Essa mistura garante a atividade microbiana adequada, que é responsável pela decomposição da matéria orgânica.

Após a montagem da pilha, o controle de umidade e aeração são os fatores mais importantes. A umidade ideal para a pilha de compostagem é semelhante à de uma esponja torcida – úmida, mas sem pingar. Se estiver muito seca, os microrganismos não atuam; se estiver muito úmida, pode faltar oxigênio, levando a um processo anaeróbico com odores desagradáveis. A aeração é conseguida através do revolvimento da pilha, que pode ser feito manualmente com forcados ou com o auxílio de tratores e carregadeiras, dependendo do volume. O revolvimento regular (a cada poucos dias ou semanas, dependendo da temperatura interna) oxigena a massa, homogeneíza a umidade e a temperatura, e evita a compactação.

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Durante a compostagem, a atividade microbiana gera calor, elevando a temperatura interna da pilha. Essa elevação da temperatura, que pode atingir de 50°C a 70°C, é um indicador de que o processo está ocorrendo corretamente e é fundamental para a eliminação de patógenos (como bactérias e vírus) e a desativação de sementes de plantas daninhas presentes no esterco. A manutenção de temperaturas elevadas por um período de tempo (geralmente algumas semanas) assegura a sanitização do composto, tornando-o seguro para uso agrícola.

O monitoramento da temperatura e da umidade é essencial para guiar o processo. Termômetros de compostagem de cabo longo são ferramentas úteis para verificar a temperatura no interior da pilha. O tempo total de compostagem pode variar de algumas semanas a alguns meses, dependendo dos materiais utilizados, das condições ambientais e da frequência de revolvimento. O composto estará pronto quando apresentar uma cor escura e homogênea (semelhante a terra vegetal), cheiro de terra de floresta, textura granular e temperatura ambiente.

 

Vantagens da adubação com o composto

O composto orgânico resultante é um adubo com nutrientes essenciais (nitrogênio, fósforo, potássio e micronutrientes), matéria orgânica e microrganismos benéficos. Ao ser aplicado no solo, ele melhora sua estrutura, aumentando a capacidade de retenção de água e nutrientes, promovendo a aeração e estimulando a vida microbiana. Essa melhoria da saúde do solo se traduz em maior fertilidade e produtividade para as culturas, reduzindo a necessidade de adubos químicos sintéticos e contribuindo para a redução de custos na fazenda.

A redução do volume de resíduos é um benefício imediato da compostagem. O esterco, que antes ocupava espaço e demandava descarte, é transformado em um produto valioso e compactado. Isso alivia a pressão sobre os sistemas de tratamento de efluentes ou áreas de descarte, promovendo uma gestão mais eficiente dos recursos da propriedade. A compostagem contribui para a mitigação de gases de efeito estufa, pois a decomposição aeróbica libera menos metano (um gás potente) em comparação com o armazenamento inadequado do esterco em lagoas ou pilhas anaeróbicas.

A compostagem de pequena escala é uma prática de manejo ambientalmente responsável e economicamente vantajosa para fazendas de leite, além de ser uma tecnologia acessível que empodera o produtor a ser parte da solução para os desafios ambientais da pecuária.

Agradecimentos:

À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (Processo n. 303505/2023-0), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG) Chamada Pública FAPEG n. 21/2024 - Programa de Auxílio à Pesquisa Científica e Tecnológica - Edição 2024, Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e IF Goiano - Campus Rio Verde pelo apoio financeiro a realização da pesquisa.

Referências bibliográficas

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Material escrito por:

Stefany Cristiny  Ferreira da Silva Gadêlha

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Doutor em Ciência Animal pela Universidade Federal de Goiás, Professor do IF Goiano - Campus Rio Verde, GO

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