Variação nos níveis de proteína do leite pode impactar negativamente a qualidade e o rendimento na produção de queijo. Para padronizar o teor de proteína, fabricantes de queijo podem utilizar tecnologia de membranas, resultando em qualidade e rendimento otimizados para os produtos.
A Veolia Water Technologies & Solutions, uma divisão do grupo Veolia especializada em soluções de tratamento de água e efluentes para clientes industriais e públicos, possui grande expertise em tecnologia de membranas e suas aplicações na produção de queijo.
A empresa fornece ativamente soluções para que laticínios utilizem filtração por membranas em processos como recuperação de proteína do soro, concentração de componentes do leite e melhorias gerais na eficiência da fabricação de queijos. Eles oferecem uma variedade de tecnologias de membranas especificamente desenvolvidas para a indústria de laticínios, incluindo ultrafiltração, nanofiltração e osmose reversa.
Vantagens da tecnologia de membranas
Frederick Liberatore, Diretor Global de Filtros e Membranas Espiraladas na Veolia Water Technologies & Solutions, destacou as principais tendências e avanços tecnológicos no uso de membranas para a produção de queijo. Segundo ele, "Os desenvolvimentos mais significativos estão centrados na melhoria dos materiais e da construção dos elementos, o que aumenta sua durabilidade. Além disso, há um forte compromisso com projetos energeticamente eficientes, que reduzem os custos operacionais".
Liberatore enfatiza que a tecnologia de membranas traz diversas oportunidades de otimização para os laticínios. As membranas permitem concentrar o leite e fracionar o soro, viabilizando a padronização de proteínas.
Essa concentração reduz a necessidade de secadores por spray, uma das etapas mais onerosas do processo. Uma meta atual da indústria é atingir 30% de sólidos no retentado, o que exige membranas especializadas capazes de operar com alta carga sem comprometer a eficiência.
Essa abordagem permite aos fabricantes ampliar a produção de pó de soro aproveitando a infraestrutura existente, como secadores já instalados — gerando ganhos de eficiência e economia de escala. O que antes era considerado um resíduo, o soro, passou a ser uma importante fonte de receita graças à tecnologia de membranas, que permite isolar, purificar e concentrar proteínas de maneira precisa e funcional.
A sustentabilidade também tem impulsionado inovações na área. O reúso da água residual das fábricas, por meio de tecnologias como ultrafiltração (UF) e biorreatores com membranas (MBR), é uma resposta direta à crescente preocupação com o descarte ambiental. Um dos destaques mencionados por Liberatore é o uso de sistemas de osmose reversa (RO) para purificar permeados e água condensada, permitindo seu reaproveitamento em processos de limpeza CIP — o que reduz significativamente o consumo de água potável.
Outro ponto importante é a durabilidade dos elementos. Enquanto no início de sua carreira os elementos duravam poucos meses, hoje é comum que superem três anos de vida útil, reduzindo a geração de resíduos e o impacto ambiental.
Como iniciar com essas novas tecnologias?
Para laticínios que estão considerando implantar sistemas de membrana, Liberatore recomenda visitas a plantas que já operam com fornecedores em potencial, antes mesmo da aquisição de equipamentos. Essa etapa ajuda a tomar decisões mais seguras e embasadas, além de garantir que a escolha do fabricante esteja alinhada às necessidades da operação, seja para tratamento de efluentes ou aplicação direta no processo.
Ele também observa que o uso de membranas tem sido decisivo para a entrada dos fabricantes de queijo em novos mercados. A aplicação de técnicas como ultrafiltração, microfiltração, nanofiltração e osmose reversa permite atingir níveis específicos de proteína, com a textura e funcionalidade ideais para produtos como barras proteicas e lanches rápidos, que têm alta demanda por conveniência e saudabilidade.
Por fim, Liberatore chama atenção para uma lacuna importante: o descarte dos elementos após o fim de sua vida útil. "Apesar de não serem classificados como resíduos perigosos, a destinação em aterros representa um desafio crescente". Com vida útil média entre dois e três anos, o volume descartado é expressivo. Ele defende que a indústria precisa avançar em soluções sustentáveis para lidar com esse material plástico e minimizar o impacto ambiental.
As informações são da Dairy Foods.