A venda direta de leite cru
O assunto leite informal é antigo e remonta ao tempo pré-pasteurização. Mesmo depois da disseminação dos processos térmicos, o leite era entregue em casa, em garrafas de vidro, não mais pelo produtor, mas por um entregador do estabelecimento industrial. Este indivíduo era chamado de leiteiro. Não o que produz, mas o que entrega.[...]
Publicado em: - 2 minutos de leitura
Era de se esperar que a evolução tecnológica, o afastamento da produção dos grandes centros de consumo e a legislação impedissem a manutenção do hábito de receber leite em casa. Entretanto, os diversos pesquisadores da área afirmam que em torno de 21% do leite seria destinado ao autoconsumo e por isso não entra no mercado formal, não sofrendo tratamento térmico. Outros dizem que, destes 21%, apenas 5% seriam destinados ao autoconsumo e o restante seria destinado ao comércio informal.
O comércio informal de leite é proibido pela legislação brasileira desde a década de 1950 (com a publicação do RIISPOA). Apesar disto, identificar “leiteiros” transportando leite em latões ou em garrafas PET não é raro, nas pequenas cidades ou no entorno das grandes metrópoles.
Analisando o tema, simplesmente a luz da saúde pública e da legislação, é inconcebível a venda, e muito menos a compra deste produto, sem que ele tenha passado pro qualquer um dos tipos de processamento térmico e que não recebeu nenhuma confirmação de sua qualidade. Não raro, profissionais que trabalham na área são questionados quanto ao leite industrializado, sendo chamado de “fraco”, morto, aguado e mais um sem número de adjetivos.
Os processos industriais, tais como a clarificação, a padronização do teor de gordura (de acordo com os padrões) e a homogeneização são previstos pelas regras e permitem um ganho de qualidade no que se refere aos aspectos sensoriais ( p.ex.: a gordura adequadamente distribuída, refração da luz, deixando o leite com aspecto mais branco). Entretanto o imaginário sempre remete a falta de qualidade, sendo o “bom” aquele artesanal, natural. Quando questionados sobre a procedência do leite informal, os compradores, de forma geral, dizem que conhecem o produtor e que esta é a garantia. De fato, esta produção não oferece nenhum tipo de garantia quanto ao
controle de zoonoses e de outras enfermidades relacionadas à falta de inocuidade do leite, nem quanto a resíduos de medicamentos e outros produtos que possam ser deletérios a saúde humana. Do lado do produtor, que prefere fazer a venda direta, pois o preço pago é maior do que o da indústria e não há o risco da condenação na plataforma de recepção.
A inspeção de alimentos deixa a margem os produtores informais, não registrados. A coibição se dá pelos organismos da área da saúde ou do ministério público. Outra forma eficiente de, no longo prazo, evitar este tipo de comércio seria o investimento na educação dos consumidores sobre os riscos inerentes ao consumo de produtos sem inspeção sanitária.
Agradeço a Daniela Rodrigues Alves e Marcello de Moura Campos Filho, cujos textos me auxiliaram nesta reflexão.
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Material escrito por:
Andrea Troller Pinto
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EM 20/04/2018
Isto para min Esta cheirando a Óleo de soja Vs Banha de porco ou melhor azeite ou óleo de coco no qual o que sofre mais processos e o mais maléfico a nossa saúde e foi introduzido somente pelo aumento no lucro ou lucro fácil, vou continuar tomando o leite in natura enquanto viver na cidade pequena que eu vivo depois que mudar e não conhecer o produtor vou voltar a me arriscar a longo prazo com o UHT .4 Meses ou mais na prateleira além do processo de transporte vs 2 horas da ordenha +5 minutos de transporte Um n sei qual e mais seguro.e quando o leite de depositado e a leite do sitio guarda pra min e de um dia pro outro em um freezer vertical -9 a 17, se por algum acaso azeda ela troca o maravilha. VS Leite que fica No deposito de Mercados grandes Aonde apesar da fiscalização sempre da alguns ratinhos ou baratinhas além dos pombos.
PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO
EM 26/10/2018
PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO
EM 08/11/2017
Não há dúvida que o assunto pode e deve ser amplamente discutido e tem várias abordagens. O Ivandré, logo após o teu cometário, traz algumas informações sobre os problemas decorrentes do consumo de leite in natura. Eu gostaria de complementar, informando que na Europa houve um boom de consumo de leite cru em alguns países, mas era proveniente de fazendas com rigoroso controle sanitário e produzido dentro de alguns critérios de higiene certamente muito mais rigorosos dos que são aplicados aqui no Brasil e, ainda assim, em algumas regiões, o consumo do produto caiu ou está sendo descontinuado por conta da presença de microrganismos patógenos. Deve ser entendido que, quando se trata de saúde pública, devemos trabalhar sempre com o princípio da PRECAUÇÃO, ou seja, sermos exigentes com o intuito de proteger o consumidor contra a possibilidade da ocorrência de uma doença. Como disse o Ilmar, cabe aos governos a proteção da saúde da população através da aplicação de leis em sintonia com a necessidade, que é justamente o caso da proibição da comercialização do leite cru. Quem sabe, em breve, eu posto mais algumas reflexões sobre o assunto, com referencial teórico e informações sobre a ocorrência de doenças pelo consumo de leite cru. Agradeço a vocês seus comentários.

CANOAS - RIO GRANDE DO SUL - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 08/11/2017

LAGOA VERMELHA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 07/11/2017
É FÁCIL SE FALAR EM RISCOS PARA A SAÚDE DE FORMA ABSTRATA, MAS QUAIS OS DADOS CONCRETOS SOBRE O CONTINGENTE DE PESSOAS QUE REALMENTE FICARAM DOENTES TOMANDO ESSE LEITE??? ARRISCO-ME A DIZER QUE MILHARES DE PESSOAS TOMAM LEITE IN NATURA NO BRASIL (FERVIDO OU CRU) E, COM CERTEZA, O NÚMERO DELAS QUE FICOU DE FATO DOENTE COM ESSE CONSUMO ACREDITO SER IRRISÓRIO. AQUI NA MINHA CIDADE, MAIS DE 80% DAS PESSOAS CONSOMEM LEITE IN NATURA (FERVIDO OU CRU) E, TE GARANTO, A EXPECTATIVA DE VIDA DAS PESSOAS É ALTÍSSIMA E A SAÚDE DA POPULAÇÃO É SURPREENDENTE (MINHA AVÓ MORREU COM 98 ANOS E COMEU CARNE E LEITE DOS ANIMAIS DA FAZENDA DURANTE TODA A VIDA).
OUTRA COISA A SER DITA É QUE, DE FATO, O GOSTO DO LEITE IN NATURA E O INDUSTRIALIZADO NÃO É O MESMO ( E AÍ DEPENDE DA PREFERÊNCIA DE CADA UM).
O QUE EXISTE HOJE EM DIA É MUITA FRESCURA; GENTE "CRIADA A LEITE COM PERA"; UMA GERAÇÃO NUTELA TODA AFRESCALHADA E CHEIA DE NOJINHO.
O CONSUMO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS E CIGARROS É LEGALIZADO E AS PESSOAS FICAM IMPORTUNANDO O PEQUENO PRODUTOR DE LEITE E SEUS CLIENTES??? PELO AMOR DE DEUS!!!!
ALÉM DO MAIS, O LEITE IN NATURA PODE SER VENDIDO COM ATÉ O DOBRO DO PREÇO PAGO PELA INDUSTRIA E COMPRADO POR MENOS DA METADE DO PREÇO DE MERCADO. OU SEJA, PRODUTORES E CONSUMIDORES SAEM GANHANDO COM ISSO.
E, SIM, EU VENDO LEITE IN NATURA, PRODUZIDO NO MEU SÍTIO, E GANHO UM BOM DINHEIRO COM ISSO. EM 5 ANOS NINGUÉM NUNCA RECLAMOU OU FICOU DOENTE.
PATROCÍNIO PAULISTA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 19/08/2017
Sem dúvida alguma deveria haver por parte do Governo Federal uma política de conscientização, através de dos principais meios de comunicação o perigo da ingestão do leite cru e principalmente melhorar as fiscalizações, se é que elas existem.
O investimento na prevenção de doenças é muito mais eficaz do quê tratá-las!!
PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO
EM 22/04/2015
Prezado Abrahão, vamos em frente na luta a favor da qualidade e da inocuidade do leite.
abraços!

TEÓFILO OTONI - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 21/04/2015
Parabenizo à Andreia pela excelente matéria.
Realmente, é preocupante para todos nós o comercio informal de cru. Aqui em Teófilo Otoni, cidade com população de 130 000 habitantes esta é uma pratica corriqueira de comercialização de leite e derivados.
É inadmissível que o serviço de vigilancia municipal não tome nenhuma providencia para coibir tal prática.
Aliada a isto, é preciso fazer campanhas esclarecedoras junto à população sobre os riscos ao consumir tais alimentos in natura.
atenciosamente