São Paulo e a crise no setor leiteiro
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A crise é grave e basicamente decorre da oferta superior à demanda, derrubando os preços e levando muitos produtores a abandonar a atividade. No final de novembro, representantes da Associação Brasileira de Produtores de Leite, da Associação Brasileira das Indústrias de Queijos, do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados no Estado de São Paulo e da Associação Paulista de Produtores de Leite marcaram presença em Audiência Pública realizada pela Comissão de Agricultura e Agropecuária da Assembléia Legislativa paulista para discutir, com parlamentares, a crise e propostas para o setor.
O quadro sobre o segmento apresentado pelas entidades é preocupante. Os números apurados entre 2000 e 2004 são um retrato claro da situação do Estado em relação ao restante do Brasil. Nesse período, enquanto no país a produção de queijos sob inspeção cresceu de 317 para 374 mil toneladas, um aumento de 4,2% ao ano, no Estado de São Paulo a produção caiu de 58 mil para 41 mil toneladas, uma redução de 8,3% ao ano. Ou seja, se em 2000 o Estado compunha 15,5% da produção nacional de queijos, em 2004 passou a deter apenas 9,9%, uma perda de 36% na composição do bolo.
Entre as várias causas apontadas pelo setor para esse declínio pode-se destacar a insuficiência de benefícios fiscais dados à indústria de queijos e outros derivados lácteos. Embora o Governo do Estado de São Paulo venha promovendo, já há algum tempo, a adequação das alíquotas do ICMS incidentes sobre produtos lácteos, em especial sobre o queijo, com o objetivo de reduzir preços, deixando-os mais acessíveis à população de baixa renda, e de tornar a indústria paulista mais competitiva, viabilizando a sobrevivência dos produtores de leite, em sua maioria pequenos, o segundo objetivo não foi atingido. Foi suplantado por iniciativas de outros estados que ampliaram os benefícios e as isenções fiscais. Vale lembrar, ainda, que no Estado de São Paulo os custos de produção são maiores.
Hoje, a indústria de queijos paulista tem 142 estabelecimentos industriais em operação, sendo que 67 operam sob fiscalização estadual e 75 sob fiscalização federal. Esses estabelecimentos processaram, ao longo de 2004, 411 milhões de litros de leite, o que corresponde a 17% da produção de leite industrializada no estado. Distribuídas por todo o Estado de São Paulo, as empresas podem ser classificadas como pequenas ou médias - assim como no resto do país -, geram em torno de 56.000 empregos e se constituem no único destino do leite de cerca de 26.300 mini e pequenos produtores.
Embora a indústria, ponta da cadeia produtiva, sinta os efeitos da atual crise, são os pequenos produtores que sofrem as piores consequências. Enquanto a média nacional para venda do litro de leite é de R$ 0,45, alguns pequenos produtores paulistas têm vendido o produto a R$ 0,30, única forma de escoar a produção. Alguns deles, inclusive, têm arrendado suas terras para o plantio de cana, tal o prejuízo que vêm acumulando por conta dos preços praticados.
Diante desse quadro, a situação dos pequenos produtores só poderá melhorar se a indústria 'queijeira' tiver suas propostas avaliadas e atendidas. As solicitações ao Governo do Estado - a despeito do que este já vem fazendo pelo setor - incluem a concessão à categoria de 6,7% de crédito outorgado de ICMS sobre o valor da operação de saída dos produtos, quando promovida pelo estabelecimento fabricante, assim como a manutenção do aproveitamento do crédito do imposto relativo à aquisição de leite em outros estados.
Numa primeira avaliação, a medida causaria um baixo impacto na arrecadação do Estado de São Paulo, que poderia ser compensada com um aumento da base arrecadadora. A diminuição do valor dos impostos poderia trazer os informais à formalidade. Porém, esta é uma solução que resolveria o problema apenas temporariamente.
Medidas mais efetivas para debelar a crise, de fato, passam pela fiscalização intensiva por parte da Secretaria de Agricultura e Saúde sobre os produtos lácteos. As fraudes existem e prejudicam produtores e consumidores. Passam também pelo combate ao leite vendido diretamente do produtor ao consumidor, prática proibida no Brasil e problema de saúde pública. Outra solução é o governo estadual fazer no próprio Estado as compras públicas de leite líquido, deixando em aberto para outros estados apenas as aquisições de leite em pó. Por último, o setor acredita que a solução passa por uma isenção total de tributos, através de autorização do Confaz.
Somente a implementação dessa série de sugestões pode impedir de vez a falência do setor e viabilizar as atividades, impedindo a evasão dos produtores de leite do Estado e fazendo com que São Paulo recupere uma posição de destaque no ranking nacional. Essas são as propostas e essa será a bandeira de luta da Comissão de Agricultura e Pecuária da Assembléia junto ao Governo estadual.
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1 *É deputado estadual pelo PSDB paulista, integrante da Comissão de Agricultura e Pecuária da Assembléia Legislativa e ex-chefe da Casa Civil do governo Covas e Geraldo Alckmin.
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FERNANDÓPOLIS - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 05/12/2005
Parabéns pelo trabalho, tenho acompanhado de perto o declínio da produção de leite no estado de São Paulo, o que realmente é preocupante, sendo este o Estado maior consumidor de lácteos e que concentra uma população de 40 milhões de brasileiros, sem falar no grande parque industrial laticinista, gerador de empregos diretos e indiretos .
Em verdade o problema reside em base técnica também:
Primeiro: nos altos valores da terra no Estado
Segundo: devido as extensas áreas de pastagens que estão dando espaço a cultura de cana de açucar
Terceiro: problema cultural " produção de leite é para pequenos"
Entres outros diversos fatores.
Pois bem, desenvolvi um material que demonstra que "cana de açucar e pecuária leiteira é uma parceria rentável" e remunera os altos valores de terras no Estado de São Paulo, promovendo lucro em terras que não se adaptando ao plantio da cana venham a gerar renda e emprego e produzindo volumes de leite suficientes para reverter o atual panorama da produção leiteira em nosso Estado.
Obs.: Leia reportagem na DBO Mundo do Leite de Agosto de 2004, reportagem da capa feita na propriedade que gerencio.
Abraço, se necessitar mais informações entre em contato,
Andrew Jones

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 04/12/2005
Quero cumprimentá-lo por sua presença na Audiência Pública realizada pela Comissão de Agricultura e Agropecuária da Assembléia Legislativa de São Paulo - Leite São Paulo, decorrente do pleito da Associação dos Produtores de Leite do Estado de São Paulo para que se desenvolvesse nessa Comissão um projeto de lei para fomentar o crescimento da pecuária de leite e da indústria de laticínios paulista e para defendê-las de concorrência desleal de outros estados.
Quero agradecer o apoio de Vossa Excelência., da Deputada Beth Sahão e dos Deputados José Zico Prado, Waldomiro Lopes e Ricardo Castilho, que permitiram que, nessa Audiência Pública o pleito da Leite São Paulo se tornasse realidade, com a criação de grupo de trabalho que já no dia 7 de dezembro próximo estará se reunindo para discutir esse projeto de lei.
Quero parabenizá-lo por seu artigo "São Paulo e a crise no setor leiteiro", onde manifesta sua preocupação com a crise do setor leiteiro paulista e a necessidade de medidas no âmbito do Governo para debelar a crise.
Como Vossa Excelência bem mostra, o declínio da indústria de queijos paulista, cuja produção caiu de 58.000 toneladas em 2000 para 41.000 toneladas em 2004 é resultado da crise do setor leiteiro de São Paulo.
É importante lembrar que a indústria queijeira paulista foi beneficiada recentemente com o Decreto nº 50.071, promulgado pelo Governador Geraldo Alckmin em 30/09/2005, que concede aos queijos mussarela, prato e minas redução da base de cálculo do imposto incidente nas operações internas, de forma que a carga tributária resulte num percentual de 7%. Essa redução da base de cálculo do ICMS incidente nas operações internas equivale à isenção, pois tem o mesmo efeito, ou seja, dispensar, no todo ou em parte, o pagamento do tributo devido.
Todavia, com relação a atual solicitação da indústria queijeira ao Governo do Estado, para que dê concessão à categoria de 6,7 de crédito outorgado de ICMS sobre o valor da operação de saída dos produtos, quando promovida pelo estabelecimento fabricante. Assim como, a manutenção do aproveitamento do crédito do imposto relativo à aquisição do leite em outros estados, apresentada como uma solução temporária, causa preocupação e precisa ser cuidadosamente examinada. Explico a seguir a razão dessa preocupação:
1) A concessão desse crédito de 6,7% de ICMS na saída de queijos e a manutenção do aproveitamento de crédito no aproveitamento de leite de outros estados, é medida que favorece a importação de leite de outros estados, e poderá contribuir para o declínio que a pecuária de leite paulista vem tendo nos últimos anos.
2) Se compararmos a captação de leite do primeiro semestre de 2005 com o de 2004 nos principais estados produtores, veremos que enquanto São Paulo teve uma redução de 3,27 %, nos demais estados houve um violento crescimento: Rio Grande do Sul 23,14%, Santa Catarina 19,59%, Goiás 18,20%, Paraná 14,80%, Minas Gerais 12,42. Esse aumento de captação de leite nesses estados elevou a captação brasileira em 13,26% no período, provocando um aumento de oferta que contribuiu para a queda dos preços aos produtores. Esse excesso de oferta de leite nos outros estados conjugado com o pleito da indústria queijeira paulista poderá contribuir para contribuir para o aumento da importação de leite pela indústria de queijo de São Paulo e reduzir ainda mais o preço recebido pelo produtor paulista, seja este grande ou pequeno produtor.
3) Precisamos ter em mente que o grande gerador de empregos no setor leiteiro está no campo, na produção de leite, e não na indústria.
Evidentemente que precisamos tomar medidas para ajudar a indústria queijeira paulista, mas precisamos também ter o cuidado de nos assegurarmos que as medidas que forem tomadas não prejudiquem a pecuária de leite paulista, que é a grande geradora de postos de trabalho e já está bastante combalida.
Conto com sua participação e colaboração na reunião do dia 07 de dezembro próximo, as 09h30min horas, promovida pela Comissão de Agricultura e Pecuária quando começaremos a discutir um projeto de lei para fomentar a pecuária e a indústria de laticínios paulista, e onde essa questão deverá ser discutida com o cuidado que merece.
Marcello de Moura Campos Filho
Presidente da Leite São Paulo