GDT 391: pressão baixista continua a pressionar o leilão, atingindo o sexto recuo consecutivo

O 391º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT) foi realizado nesta terça-feira (04/11) e apresentou movimentos variados entre as categorias de produtos. Confira!

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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No 391º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT), realizado em 04 de novembro, o preço médio dos produtos negociados foi de USD 3.768 por tonelada, registrando uma queda de 2,4% no price index — o sexto recuo consecutivo nos preços. Com isso, o valor acumula redução de 12,2% ao total das seis quedas.

 

Gráfico 1. Preço médio leilão GDT

 

O leite em pó integral (LPI), principal referência do mercado, registrou a quinta queda consecutiva, com o preço médio recuando 2,7%, e chegando a USD 3.503 por tonelada.

Já o leite em pó desnatado (LPD) interrompeu a sequência de cinco recuos consecutivos e manteve estabilidade em USD 2.559 por tonelada.

 

Gráfico 2. Preço médio LPI

 

Com alta de 1,6%, a muçarela, que vinha em trajetória de queda por nove leilões consecutivos, registrou valorização neste evento, levando o preço médio para USD 3.306 por tonelada.

O leitelho em pó também apresentou avanço, com aumento de 1%, alcançando USD 2.808 por tonelada.

Por outro lado, o cheddar manteve o movimento de retração pelo segundo leilão seguido, com a maior queda percentual do evento, de -6,6%, levando o preço médio a USD 4.449 por tonelada, o menor patamar desde setembro de 2024.

A manteiga registrou o nono leilão consecutivo de queda, com recuo de -4,3%, e preço médio de USD 6.371 por tonelada. Já a gordura anidra do leite também apresentou nova redução, de -1,9%, com cotação média em USD 6.887 por tonelada.

A Tabela 1 apresenta os preços médios dos derivados ao fim do evento, assim como suas respectivas variações em relação ao leilão anterior.

 

Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 04/11/2025.

Produto

Preço (tonelada)

Variação

Leite em pó integral

US$ 3.503

- 2,7%   

Leite em pó desnatado

US$ 2.559

0,0%

Cheddar

US$ 4.449

- 6,6%

Manteiga

US$ 6.371

- 4,3%

Mozzarela

US$ 3.306

+1,6%

Índice GDT

US$ 3.768

- 2,4%

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2025.

 

Volume negociado apresenta retração, mas aumento em comparação com o mesmo período do ano passado

O volume negociado neste leilão somou aproximadamente 30,5  mil toneladas, nova redução de -2,7% em relação ao último evento. Em relação ao evento equivalente de novembro de 2024, o aumento é de 8%. 

 

Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.

Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2025.

 

Impacto nos contratos futuros

Os contratos futuros de leite em pó na NZX voltaram a registrar quedas nos preços projetados para os próximos meses, embora em ritmo menos intenso que o observado no último leilão. A tendência ainda é de retração nos últimos meses do ano, mas com expectativa de recuperação gradual ao longo dos primeiros meses de 2026.

 

Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures)

Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2025.

 

E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?

O cenário de oferta crescente entre a maioria dos players globais continua exercendo pressão sobre os preços. O volume de vendas segue existindo, mas não cresce o suficiente para equilibrar o aumento da oferta, o que é evidenciado pela forte presença de compradores nos eventos de negociação do GDT. Ainda assim, mesmo com o consumo mantido, a conjuntura de excesso de oferta segue pressionando o mercado, e as quedas recentes refletem a continuidade desse movimento.

No mercado interno, o aumento da captação tem elevado os estoques das indústrias, resultando na atual sequência de reduções nos preços dos derivados. Paralelamente, o Mercosul também enfrenta um contexto de oferta crescente e consumo estável, sem sinais de expansão. A queda observada no GDT influencia diretamente nossos principais parceiros comerciais, Uruguai e Argentina, levando-os a ajustar os preços para baixo, o que pode aumentar a competitividade desses países e abre espaço para uma maior pressão das exportações em direção ao Brasil.

Além disso, o câmbio segue como ponto de atenção: com o dólar abaixo de R$ 5,40, os produtos importados permanecem mais competitivos em relação aos nacionais.

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Material escrito por:

Vivian Batista Padilla

Vivian Batista Padilla

Zootecnista pela FZEA USP e Analista Jr. de Inteligência de Mercado no MilkPoint Mercado.

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