No 382º leilão da plataforma Global Dairy Trade (GDT), realizado nesta terça-feira, 17 de junho, o mercado manteve a tendência observada na edição anterior, com a maioria dos produtos passando por correções de baixa. O preço médio dos produtos negociados ficou em US$4.389 por tonelada, refletindo uma queda de 1,0% no GDT Price Index. Apesar de parecer contraditório frente ao patamar médio de preços do leilão anterior, essa variação negativa é explicada pela redução de 6,7% no volume negociado, e pelos diferentes pesos de cada produto, que influencia diretamente o índice ponderado da plataforma.
Gráfico 1. Preço médio leilão GDT
O preço do leite em pó integral (WMP), principal referência entre os derivados lácteos negociados na plataforma GDT, registrou uma queda de 2,10%, sendo comercializado a US$4.084 por tonelada. Esse recuo reforça o movimento de ajuste nos preços, observado após os picos registrados nos leilões de maio — ainda que os valores atuais permaneçam em patamares historicamente elevados, quando comparados à média dos últimos anos. O preço do leite em pó desnatado também continua com correções negativas, caindo 1,3%, com média de US$?2.775 por tonelada
Gráfico 2. Preço médio LPI
A muçarela, que vinha de duas rodadas consecutivas de valorização, apresentou queda de 1,9% neste leilão, sendo negociada a US$ 4.802 por tonelada. A retração indica um movimento de correção após as altas registradas nos eventos anteriores, mas o produto ainda se mantém com preços firmes no cenário internacional.
Por último, a gordura anidra do leite recuou 1,3% após cinco eventos seguidos de alta. Enquanto isso, a lactose segue em correção negativa, registrando queda de 3,6% no preço após o forte aumento observado em maio.
As valorizações foram registradas na manteiga, que, mesmo após correções negativas recentes, voltou a apresentar alta de 1,4%, alcançando preço médio de US$ 7.890 por tonelada. O queijo cheddar também se valorizou, revertendo duas quedas consecutivas para subir 5,1%, com preço médio de US$ 4.992 por tonelada.
A Tabela 1 apresenta os preços médios dos derivados ao fim do evento, assim como suas respectivas variações em relação ao leilão anterior.
Tabela 1. Preço e variação do índice dos produtos negociados no leilão GDT em 17/06/2025.
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Produto |
Preço (tonelada) |
Variação |
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Leite em pó integral |
US$ 4.084 |
- 2,1% |
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Leite em pó desnatado |
US$ 2.775 |
- 1,3% |
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Cheddar |
US$ 4.992 |
+ 5,1% |
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Manteiga |
US$ 7.890 |
+ 1,4% |
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Mozzarela |
US$ 4.802 |
- 1,9% |
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Lactose |
US$ 1.323 |
- 3,6% |
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Índice GDT |
US$ 4.389 |
- 1,0% |
Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2025.
Volume negociado volta a apresentar queda
O volume negociado no leilão voltou a registrar quedas, depois da pequena recuperação vista no último leilão. No total, foram comercializadas 15.209 toneladas, o que representa uma retração de 6,7% em relação ao evento anterior, que havia apresentado aumento de pouco mais de 7%. Essa variação negativa pode ser explicada ainda por um mercado cauteloso frente às tensões no mercado internacional.
Gráfico 3. Volumes negociados nos eventos do leilão GDT.
Fonte: Elaborado pela equipe MilkPoint Mercado com dados do Global Dairy Trade, 2025.
Impacto nos contratos futuros
Os contratos futuros de leite em pó integral na Bolsa da Nova Zelândia (NZX Futures) ficaram abaixo dos valores vistos no último leilão GDT, e reforçou a tendência de quedas nas cotações até o fim do ano.
A expectativa é de aumento na produção global nos próximos meses, enquanto a demanda segue incerta — reflexo das crescentes tensões comerciais, da baixa confiança do consumidor e da desaceleração econômica em mercados importantes, como a China. Esse cenário tem exercido pressão sobre os preços e reforça a possibilidade de uma correção gradual no mercado.
Gráfico 4. Contratos futuros de leite em pó integral (NZX Futures).
Fonte: NZX Futures, elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2025.
E como os resultados do leilão GDT afetam o mercado brasileiro?
O cenário global de lácteos, com previsão de aumento da oferta e queda nos preços internacionais, pode refletir nos preços no mercado brasileiro. A demanda externa mais contida e as tensões comerciais podem continuar reduzindo os preços no mercado internacional, inclusive do Mercosul (nossos principais fornecedores). Além disso, com a valorização recente do real frente ao dólar nas últimas semanas, a competitividade do produto importado tem sido favorecida.
Nesse contexto, o câmbio será um fator decisivo: o aumento da taxa de câmbio real vs dólar pode conter as importações, enquanto uma moeda americana mais fraca pode indicar um caminho inverso.