Fundo do poço no mercado internacional pode não ter chegado!

Do meio de 2014 até aqui, o mercado internacional de lácteos sofreu uma queda vertiginosa. A desaceleração da economia chinesa e as restrições da Rússia à importação de alimentos de vários países, aliados a uma maior oferta global de lácteos, foram as causas desse movimento.[...]

Publicado em: - 2 minutos de leitura

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Do meio de 2014 até aqui, o mercado internacional de lácteos sofreu uma queda vertiginosa. A desaceleração da economia chinesa e as restrições da Rússia à importação de alimentos de vários países, aliados a uma maior oferta global de lácteos, foram as causas desse movimento.

As cotações chegaram a ter alguma reação em fevereiro, com rumores de uma produção de leite expressivamente menor na Nova Zelândia devido à seca que ocorreu no país. No entanto, o volume de chuvas melhorou e, novamente, os preços despencaram no leilão GDT.

Entretanto, o fundo do poço talvez não tenha chegado ainda! Recentemente, publicamos no MilkPoint a previsão de economistas da Nova Zelândia de que o preço médio dos lácteos no leilão GDT possa cair abaixo de US$1.500/tonelada. Muitos viram tal previsão como exagerada, e talvez seja mesmo. Mas, analisando alguns dados, não podemos descartar mais algumas quedas no mercado.

O gráfico abaixo mostra o valor do leite em pó no Leilão GDT em dólares americanos, dólares neozelandeses e em euro. As linhas tracejadas representam o valor mínimo praticado em 2014.

Gráfico 1 – Preços de Leite em pó integral do Leilão GDT em Euro, Dólares Neozelandeses e Dólares americanos

Fonte: MilkPoint Inteligência, a partir de dados do Global Dairy Trade e do BACEN

O que podemos ver é que os preços estão acima dos valores mínimos praticados em 2014, mas ao analisarmos tais variações em cada moeda, vemos que a valorização do dólar gerou um cenário em que a situação nas regiões exportadoras é “menos pior” do que se imagina.
Para efeito de comparação, os preços de leite em pó integral em dólar estão 10,8% acima do menor valor apresentado em 2014. Analisando da mesma forma nas outras moedas, a cotação em dólar neozelandês está 14,3% acima do menor valor de 2014 e na Europa o cenário é ainda melhor: os valores praticados no Leilão GDT em euros estão 24,9% acima do fundo de 2014.

Logo, é possível admitir que, embora os preços em qualquer moeda ainda estejam baixos em relação aos valores praticados no passado recente, a atual situação cambial, com valorização do dólar, tem reduzido o impacto das baixas cotações no mercado internacional, o que pode fazer com que importantes regiões exportadoras, como Nova Zelândia e Europa, não desacelerem tanto o ritmo da produção doméstica, mesmo com baixos preços de lácteos.

Se formos comparar o menor valor de 2014 em Dólares Neozelandeses no leilão GDT e utilizarmos a taxa de câmbio atual, chegaríamos a um “Valor mínimo equivalente” hoje de US$2.180, já se fizéssemos tal comparação com o euro, o “valor mínimo equivalente” seria de US$1.995.

Podemos adicionar a essa variação cambial, a menor demanda de lácteos chinesa nesse início de ano: no agregado até fevereiro, houve queda de 37,9% nas importações chinesas de leites em pó, com relação a 2014. É preciso esperar como a demanda chinesa irá se comportar, mas pelos recentes resultados do leilão GDT, aparentemente não houve maiores compras feitas pelo gigante asiático.

Gráfico 2 – Importação de leites em pó da China (em toneladas)

Fonte: HKDTC

Ou seja, “nem tanto ao céu, nem tanto ao mar”, o mercado ainda apresenta fatores baixistas, mas a intensidade dessas quedas não deve ser tão forte, tendo em vista que a demanda chinesa já está baixa desde o meio do ano passado e que a oferta de lácteos deve desacelerar (embora em ritmo menor do que muitos acreditam). O fundo do poço pode ainda não ter chegado, mas não está tão longe assim.



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Material escrito por:

Carlos Eduardo Pullis Venturini

Carlos Eduardo Pullis Venturini

Economista formado pela ESALQ/USP; Coordenador de Conteúdo do MilkPoint Mercado

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