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IBGE: captação de leite cai, confirmando cenário de baixa oferta de leite no mercado

POR TIAGO DA CUNHA FARIA

PANORAMA DE MERCADO

EM 15/03/2022

4 MIN DE LEITURA

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Os dados da Pesquisa Trimestral do Leite do IBGE para o quarto trimestre de 2021, divulgados nesta terça-feira (15/03) apontam uma queda de 5,0% na captação de leite cru resfriado, em relação ao mesmo período de 2020, como mostra o gráfico 1.

Gráfico 1. Captação formal: Variação em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (T4 2020 x T4 2021).


Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados do IBGE, 2022.

Historicamente, ocorre um aumento na captação de leite entre o terceiro e o quarto trimestre, devido a sazonalidade de produção. Porém, no ano de 2021 esse aumento foi o menor observado desde 1997, conforme podemos observar no gráfico a seguir. A variação entre os últimos trimestres do ano foi somente de 4,1%.

Gráfico 2. Captação formal: Variação em relação ao trimestre anterior (T3 x T4).


Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados do IBGE, 2022.

Essa redução na captação de leite acentuada no segundo semestre de 2021 impactou no volume total do ano. No ano de 2020, ao todo, foram captados 25.641.262 (em mil litros), enquanto em 2021, esse número recuou para 25.079.338 (em mil litros), uma redução de aproximadamente 2,2%. Esta é a primeira vez desde 2016 que observa-se um recuo entre os anos.

Gráfico 3. Captação formal: Total por ano.


Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados do IBGE, 2022.

Todos os principais estados produtores sofreram redução no volume captado entre o quarto trimestre de 2021 e o mesmo período de 2020. Goiás teve o maior recuo, com aproximadamente -11,6%, seguido de São Paulo, com -8,1%, Rio Grande do Sul, -5,8%, Minas Gerais, -5,7%, Paraná com -5,5% e Santa Catarina, com uma redução de -0,6%, conforme demonstrado no gráfico a seguir.

Gráfico 4. Variação na captação formal dos principais estados produtores entre o quarto trimestre de 2020 e o mesmo período de 2021.


Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados do IBGE, 2022.

Gráfico 5. Variação na captação formal dos principais estados, 2020 x 2021.


Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados do IBGE, 2022.

Considerando-se ao ano todo, quase todos os principais estados também tiveram variações negativas com relação a captação de leite entre os anos de 2020 e 2021, menos o Rio Grande do Sul, que devido ao melhor desempenho nos primeiros trimestres do ano, manteve sua captação anual superior no ano de 2020. São Paulo apresentou o maior recuo entre os anos, com -6,6%, seguido por Minas Gerais, com -5,1%, Goiás, -3,1%, Santa Catarina, -1,8% e por fim, Paraná, que manteve certa estabilidade, recuando -0,4%.

Diversos fatores contribuíram para este resultado negativo. Podemos citar alguns de relevância, como por exemplo, a queda do RMCR (Receita Menos Custo de Ração), impulsionada pelo aumento nos custos de produção. Os impactos da pandemia mundial afetaram diversas cadeias produtivas, e a do leite também foi impactada, com o poder de compra da população diminuindo ao longo dos últimos meses de 2021, como podemos observar no gráfico 6.

O mercado dos grãos teve altas históricas e consequentemente, levaram as variações negativas do RMCR. O índice vem apresentando recuo desde setembro, conforme o gráfico 7 demonstra.

Gráfico 6. Rendimento Médio do Trabalho.


Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados do IBGE, 2022.

Gráfico 7. Receita Menos Custo de Ração (RMCR) – 2021.


Fonte: Elaborado pelo MilkPoint Mercado, 2022.

Outro ponto importante que contribuiu ativamente para a queda nos números apresentados foram os efeitos climáticos adversos enfrentados no segundo semestre de 2021, influenciados pelo fenômeno La Niña.

O sul do Brasil vem sofrendo com a estiagem, que prejudicou a produção agrícola e leiteira da região durante o fim do ano e ainda persiste no começo de 2022. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS), estima-se que 27.289 estabelecimentos produtores de leite no Rio Grande do Sul foram afetados, podendo atingir uma perda média na produção diária de leite da ordem de 82,5 litros por propriedade.

Já estados do sudeste do Brasil apresentaram um cenário oposto, com um volume de chuvas maior que o esperado. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater/MG), em dados divulgados em 24/01, 127 mil produtores sofreram algum tipo de impacto na atividade por causa das chuvas. O volume de chuvas acima do normal trouxe problemas logísticos para a região, e afetou a captação de leite. O levantamento feito pela Emater/MG, logo após os dias de chuvas mais intensas, mostrou que 9% da captação do produto foi prejudicada.

Para este 1º trimestre de 2022 a tendência é de uma nova queda na captação de leite. Os efeitos dos custos de produção, associados a persistência dos impactos ocasionados pelos efeitos climáticos adversos podem levar a uma variação mais negativa do que o observado historicamente, diminuindo a disponibilidade de leite no mercado nacional.

Gráfico 8. Probabilidade de ocorrência dos fenômenos ENOS.


Fonte: NOAA, 2022.

Os efeitos do La Niña ainda podem persistir durante o primeiro semestre. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), em seu levantamento de diagnóstico para projeção dos efeitos climáticos ENOS (El Niño e La Niña), divulgados em 10/03, os efeitos do fenômeno tendem a durar até o trimestre de março, junho e julho, com 64% de chances de ocorrer durante este trimestre.

No trimestre de junho, julho e agosto, existe uma probabilidade de 53% dos efeitos persistirem, e após este período o La Niña tende a perder força e ser substituido por efeitos neutros ao longo do tempo. Esta duração dos efeitos adversos pode influenciar e impactar negativamente na cadeia leiteira, como por exemplo na entrada da nova safra no sul do país.

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