As características que se destacam no produto e influenciam o mercado desse queijo são alto o teor de umidade (de 55% a 58%) e, como consequência, o prazo de validade mais curto em relação ao de outros queijos (a validade do Minas Frescal é de cerca de 20 dias). Por tais motivos, é um produto fresco, com aparência mais mole e de difícil manipulação, o que pode aumentar o índice de produtos avariados e “amassados” e a rejeição pelos consumidores na hora da compra. Este último aspecto é também um grande desafio para a indústria láctea na comercialização do produto, já que aumenta o custo de distribuição (são necessários caminhões refrigerados com caixas plástica e/ou de papelão para melhor acondicionamento dos queijos e redução das perdas).
Ao mesmo tempo, a rentabilidade do queijo Minas Frescal se destaca. Em sua produção são necessários, em média, de 6 a 6,5 litros de leite por kg de queijo, quantidade menor do que a utilizada na fabricação de outros queijos, como o Muçarela, que usa, em média, 10 litros de leite por kg de queijo. A quantidade de leite a ser utilizada, por sua vez, dependerá da umidade final desejada, pois alguns mercados, como na cidade do Rio de Janeiro, os consumidores preferem um queijo com maior umidade, enquanto outros consumidores preferem um produto menos úmido.
Um aspecto que chama bastante a atenção em relação ao Minas Frescal é a maior valorização do produto na ponta final vendedora (canais varejistas de venda ao consumidor final) em relação a outros importantes queijos no mercado. O gráfico 01 mostra a evolução dos índices de preço (janeiro/2003 = 100) do Minas Frescal, do queijo Prato e da Muçarela no varejo da cidade de São Paulo. No gráfico, a linha vermelha mostra a evolução dos preços do Minas Frescal que, a partir de meados de 2007, descolaram dos preços da Muçarela e do Prato, mantendo patamares de variação bastante mais altos do que estes dois outros queijos que, juntos, representam quase 50% do volume de queijos produzido no país.
Gráfico 1. Evolução dos índices de preços no varejo para alguns queijos (Jan/03 = 100). Fonte: elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados do IEA e da FIPE.
Esta tendência de melhor precificação na “ponta final vendedora” aumentou a participação do Minas Frescal no total de valor de venda do mercado de queijos, como mostra o gráfico 2. Em 2011, este tipo de queijo representava cerca de 8% do valor total de vendas do mercado de queijos, passando esta participação para 11,4% no ano passado.
Gráfico 2. Participação (%) dos diferentes tipos de queijos no valor total de venda do mercado brasileiro. Fonte: elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados da Euromonitor.
Com um rendimento industrial mais econômico, um posicionamento de preços mais “firme” no varejo, um bom crescimento de mercado, características de perecibilidade e custos logísticos que, de certa forma, protegem mercados regionais da ação de grandes players nacionais e características de saudabilidade que atendem às recentes demandas do mercado consumidor, o Frescal pode ser uma boa oportunidade no portfólio de diferentes indústrias de laticínios. Vale a pena conhecer melhor este mercado e suas oportunidades!
