Com a crescente concorrência no setor de leite fermentado, a Yakult resolveu entrar em dois novos segmentos do mercado de lácteos, segundo reportagem de Marta Barcellos, publicada hoje na Gazeta Mercantil. O primeiro lançamento, um queijo petit suisse, será o primeiro alimento da Yakult no País. O segundo, um leite fermentado para adultos, terá um concorrente direto: o LC1 Active, relançado no ano passado pela suíça Nestlé.
A Yakult, que já enfrenta os similares da Nestlé, Parmalat e Vigor, fez uma reestruturação interna, enxugou custos e pretende estrear nos segmentos dos rivais competindo em preço. O preço competitivo só será possível porque a empresa começou a apertar o cinto no ano passado. A meta interna deste ano é cortar os custos de 10% a 15% e enxugar o quadro de funcionários de 3.050 para 2.800. O presidente, porém, garante que não haverá demissões: o corte será possível eliminando as vagas surgidas da rotatividade normal da empresa.
Com a diversificação, a Yakult aumenta suas possibilidades de crescimento em um mercado cada vez mais competitivo em preço e inovações. A empresa é sinônimo de leite fermentado, categoria que inaugurou, no mundo e no Brasil, há 35 anos. Vem perdendo participação de mercado, mas detém com folga a liderança - com pelo menos metade das vendas, segundo pesquisa da AC Nielsen realizada no varejo, ou 75% do total, pelas contas da empresa que consideram o seu poderoso sistema de vendas porta a porta. O problema é que, passada a euforia do aumento de vendas do Real, a Yakult viu suas margens se estreitarem e seus concorrentes ganharem poder de fogo nas grandes redes de supermercados.
Apesar de a Nestlé ter lançado o primeiro concorrente do Yakult, o Chamyto, no início de 1997, a japonesa só sentiu o peso da competição no último ano, quando os volumes de mercado estagnaram e começaram a ser divididos entre um número maior de marcas. Masahiko Sadakata, diretor-presidente da subsidiária brasileira, admite que o enxugamento interno nos custos demorou para ocorrer. "Antes, a nossa preocupação era apenas em aumentar o faturamento". Este ano, a expectativa é, graças aos novos produtos, crescer 10% em relação ao ano passado, atingindo vendas de R$ 330 milhões. Mas é na rentabilidade que Sadakata espera colher os frutos mais vistosos da reestruturação. O balanço de 2000 ainda não está fechado mas o lucro deve oscilar entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões, o que representa uma queda de 30% em relação a 1999. Para este ano, no entanto, a meta é chegar a R$ 30 milhões.
Para alcançar cifras tão ambiciosas, os cortes começaram em negócios antigos que não eram o foco da empresa. A criação de camarão mantida em Santa Catarina, por exemplo, foi doada à universidade do estado. A fazenda em Mato Grosso não chegou a ser vendida, mas a criação de gado no local foi praticamente desativada. A estratégia industrial também foi revista - não só para abrigar os novos produtos como para racionalizar custos de fabricação.
A linha de leites fermentados que funcionava na fábrica de São Bernardo do Campo foi transferida para a de Lorena, no interior do estado, que recebeu investimentos de R$ 10 milhões em sua ampliação. De lá é que sairá o novo leite fermentado - um produto de maior valor agregado que já existe no Japão e será comercializado com um nome diferente do Yakult. A unidade do ABC, por sua vez, está recebendo investimentos de R$ 8 milhões este ano, o que inclui a importação do maquinário japonês que vai produzir os queijos petit suisses.
Os dois lançamentos estão previstos para o segundo semestre. Apenas o petit suisse tem mês definido: setembro. A empresa prepara-se ainda para lançar outro produto inédito, que será importado do Japão. O presidente faz segredo sobre o assunto e revela apenas que será voltado para a área de medicamentos e comercializado em farmácias e drogarias. O foco da Yakult no mundo são produtos que trazem benefício à saúde, à exemplo do seu carro-chefe, o leite fermentado, que representa 75% das vendas da empresa.
Por Marta Barcellos, para Gazeta Mercantil, 26/01/01
Yakult reage e ataca com petit suisse
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