Logo no primeiro dia, o grupo pode conhecer um pouco mais sobre a atuação da Fonterra, a maior cooperativa de leite do país e maior exportadora de leite em pó do mundo. A empresa conta com o leite de 89% dos produtores da Nova Zelândia, coletando ao redor de 17 bilhões de litros ao ano só na Nova Zelândia (e mais 4 bilhões fora) e exportando 2,3 milhões de toneladas de produtos lácteos.
Imagem 1: Reunião na Fonterra
A primeira fazenda visitada possui o perfil de apenas 4% das fazendas do país, pois além do pasto, faz grande uso de suplementação. As propriedades são classificadas segundo a quantidade de insumos utilizados, considerando zero para fazendas que mantém o rebanho exclusivamente a pasto com o mínimo de suplementação e cinco para fazendas que possuem a maior porcentagem no uso de suplementos. Outra particularidade dessa fazenda que a difere das demais é produção ao longo do ano, uma vez que as fazendas leiteiras produzem sazonalmente e as vacas são secas nos meses junho e julho. A fazenda é de propriedade de dois irmãos, Murray e Graham Shaw que ordenham 450 vacas Friesian em uma ordenha carrossel de 50 lugares. Os produtores abriram os dados da fazenda, que possui baixo retorno sobre o capital investido: já que próxima a Auckland, o valor da terra é elevado, com cada hectare valendo mais de US$ 70.000.
Imagem 2: Pastos secos da Fazenda Murray Shaw
Imagem 3: Cochos de Suplementação da Fazenda Murray Shaw
Imagem 4: Ordenha tipo carrossel, visando rápida ordenha - Fazenda Murray Shaw
No segundo dia, o grupo foi recebido por pesquisadores da Dairy NZ, entidade de pesquisa e extensão rural. A instituição conta com o pagamento de 3,4 centavos de dólar neozelandes por kg de sólidos (proteína e gordura) que são revertidos para pesquisas no setor lácteo. Na sequência, a empresa de genética Livestock Improvement (LIC) abriu sua central e os pesquisadores falaram sobre a genética atual, sobre os cruzamentos existentes, como o tradicional Kiwi Cross (Holandês x Jersey) e alguns resultados das pesquisas genômicas.
Imagem 5: Palestra de Eric Hillerton, cientista chefe da Dairy NZ
Imagem 6: Palestra do Ken Bartlett, consultor da Empresa LIC
No período da tarde o grupo visitou a fazenda de um jovem casal que trabalha no sistema sharemilking. Nessa modalidade, o proprietário da fazenda, Jason Suisted, entra no negócio com a terra, instalações e manutenções e o parceiro, com vacas e todo o serviço. Do valor arrecadado com o leite, 50% fica com o sharemilker e 50% com o proprietário. Cerca de 30% das vacas do país estão nesse sistema. A vantagem do sharemilker é bem interessante uma vez que consegue até 27% do retorno do capital investido enquanto que o proprietário da terra obtém ao redor de 5%. O casal mantém metas agressivas e trabalha em duas propriedades, uma com 480 vacas e a outra com 250 animais, para alcançar o objetivo em um futuro próximo e adquirir sua própria fazenda. A sua determinação e esforço foram agraciados com o título de Sharemilker no ano de 2012.
Imagem 7: Jason Suisted em um dos piquetes de sua fazenda prejudicada pela seca
O dia terminou com um jantar e uma apresentação sobre a cultura dos Maoris, população nativa da Nova Zelândia.
Nesses primeiros dias, o grupo pode constatar a eficiência do país na produção de leite, mas algumas dificuldades, como a forte seca que assola a Ilha Norte e que eleva os custos de produção a valores acima de R$ 0,80/kg de leite (R$ 1,00 em casos extremos); o alto custo da terra, dificultando a expansão; o elevado endividamento de parte dos produtores, que faz com que o pagamento de juros seja elevado; o custo de produção na faixa dos US$ 0,35-0,40/kg de leite, mais alto do que o esperado; a presença de estruturas como cochos de concreto e silagem, aspectos que, antes não faziam parte do dia–a-dia dos produtores; e o estudo de sistemas de produção com nível de suplementação mais elevado.
