Uruguai: Apesar da crise, empresas investiram no setor de lácteos

Publicado por: MilkPoint

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O investimento de capital no setor leiteiro do Uruguai foi muito superior ao previsto para este ano e isso pode ser explicado por um controle muito eficiente de gastos implementado pelas empresas, em um cenário de desvalorização, que, em si próprio, gerou uma mudança na estrutura dos custos. Por outro lado, no que diz respeito às empresas, a fonte proveniente do investimento de capital, houve um aumento da superfície útil.

A conclusão foi uma das principais levantadas em São José, na 9a Jornada de Informação Econômica em Leiteria, organizada pela Comissão Setorial Leiteira da Federação Uruguaia de Grupos CREA (Consórcios Regionais de Experimentação Agrícola) - Fucrea.

Realizado com o tema "O desafio de competir", o encontro contou com vários especialistas internacionais como palestrantes, entre eles, o engenheiro agrônomo argentino Atílio Magnasco, que se referiu à situação do setor leiteiro em seu país, e o engenheiro agrônomo Alejandro Galetto, que expôs a visão da cooperativa SanCor, de Santa Fé, no que se refere às mudanças no mercado e na região.

Resultados esperados

Uma das exposições mais importantes devido às previsões feitas sobre o crescimento do setor leiteiro foi a do Assessor CREA "El Niño", engenheiro agrônomo Alejandro Bocchi, que falou sobre os resultados esperados para o ano de 2003-2004. Bocchi trabalha no Fundo de Financiamento ao Setor Leiteiro (FFAL) do Uruguai. Segundo ele, este fundo influenciou de forma a permitir que fossem tomadas uma série de medidas na área produtiva. Sem ele, estas medidas não teriam sido tomadas.

Bocchi disse que o FFAL foi utilizado principalmente para a redução das dívidas. Além de pagar os juros, as empresas puderam amortizar 21% de sua dívida total. Com o resultado obtido, segundo se demonstra, a média das empresas CREA conseguiu pagar juros, diminuir o nível de endividamento e realizar um mínimo de investimentos.

Para Bocchi, os resultados do último exercício não poderão ser repetidos porque a variação da estrutura de custos provocada pela desvalorização, em médio prazo, sofre aumentos pelo ajuste de tarifas, ajuste de salários, entre outros fatores.

De acordo com o documento apresentado na reunião de São José, a média das empresas do Movimento obteria um resultado que lhes permitiria atender ao serviço de dívida e ao aumento de patrimônio. Ao mesmo tempo, a previsão é de investimentos mínimos, apenas se as quedas nos preços compensarem e de as empresas continuarem, como nos últimos exercícios, sem saldo para crescer.

Segundo estas conclusões, com preços abaixo de US$ 0,135 por litro, o resultado para a média das empresas CREA não permite atender ao serviço de dívida previsto. Com preços acima deste valor, o negócio leiteiro começa a ser atrativo e gera possibilidades de crescimento, segundo indicado.

Fonte: El País (Jose Luis Alvarez), adaptado por Equipe MilkPoint
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