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Transpondo percalços no caminho, Timbaúba conta a sua trajetória no mundo dos laticínios orgânicos

POR MARIANA MARZOCCHI

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 15/08/2019

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O MilkPoint está sempre em busca de histórias inspiradoras no leite! E dessa vez, estamos propondo algo diferente: queremos desbravar a Região Nordeste brasileira. Isso mesmo! A ideia, é buscar produtores de leite que vêm desenvolvendo um trabalho eficiente e de qualidade na região. Para inaugurar o Especial Nordeste, trouxemos aos nossos leitores uma matéria com Osmando Xavier, diretor da Fazenda Timbaúba, produtora de leite orgânico, localizada na região do semiárido nordestino.

Ainda uma novidade em alguns estados do Brasil, o leite orgânico, assim como outros produtos da categoria, vem sendo cada vez mais demandado pelos consumidores. Conforme os dados do Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), somente em 2018 o mercado de orgânicos faturou R$ 4 bilhões, 20% mais do que o registrado em 2017.

Osmando Xavier, focado em oferecer algo diferente no mercado desde que cursava Agronomia, passou por alguns ‘sufocos’ para produzir e comercializar o leite orgânico, mas hoje comemora a disseminação da marca Timbaúba e dos produtos que a envolvem. Ele administra a Fazenda Timbaúba, localizada na região do semiárido nordestino, junto de seu pai e irmão. Com uma história superinteressante, ele falou exclusivamente com a Equipe MilkPoint sobre toda a sua trajetória.

Produção no campo

Fazenda TimbaúbaRebanho leiteiro.

Ainda na faculdade, Osmando lia muito sobre a produção orgânica e o conteúdo remetia ao seu avô, visto que o mesmo sempre optou por manejar os animais à base de medicamentos fitoterápicos. Há várias diferenças entre a produção de leite tradicional e leite orgânico, inclusive, uma delas é que as enfermidades do rebanho orgânico não são tratadas com alopatia, mas sim, com fitoterapia.

Além disso, segundo Osmando, na mesma época que o seu pai ‘tocava’ a propriedade, os laticínios estavam chegando na região e prezavam pela maneira tradicional de produção leiteira, mas Osmando queria algo inovador. “Nos perguntávamos se os nossos animais precisavam de medicamentos convencionais sendo que havia outras opções também eficazes”, disse.

A propriedade da família Xavier – hoje, a fornecedora de toda a matéria-prima que leva a marca Timbaúba - foi fundada no início da década de 50  é composta por cerca de 1000 hectares distribuídos em quatro áreas nos municípios de Cacimbinhas e Dois Riachos, em Alagoas, e Iati, em Pernambuco. Sempre vocacionados para a pecuária leiteira, foi em 1999, após muitos estudos, que resolveram se converter por completo para a produção de leite orgânica.

Com uma produção média diária de 5 mil litros de leite, a propriedade optou por trabalhar com gado ¾ Girolando e 5/8 Holandês desde o início das atividades já que buscavam também uma certa resistência aos carrapatos. “Fizemos um trabalho focado no melhoramento genético dos animais com esse intuito e os resultados foram excelentes. Alguns grandes laticínios, que estão inclusive entrando em projetos de leite orgânico, nos procuraram recentemente em busca de novilhas mais resistentes”.

Alimentação do rebanho

O produtor explicou que a palma forrageira é a base da nutrição do rebanho da fazenda. Então, para eles, o verão é o melhor período para se produzir leite. Sem contar que a equipe utiliza uma máquina plantadeira de palma, a qual agiliza todo o trabalho. “A temperatura alta e a baixa umidade ajudam bastante na produção do leite. Mas, independente da estação, nossa produção é normal o ano todo. Tomamos muito cuidado no inverno, quando vem a temporada de chuvas e os problemas dos cascos aparecem junto. Já no verão, a sanidade do rebanho é alta!”.

Fazenda TimbaúbaProdução da palma forrageira.

Mercado

De acordo com o administrador, o início no negócio foi conturbado já que não havia legislação para a categoria e os consumidores não sabiam exatamente o que era o produto e os seus diferenciais. “Não tinha um ‘norte jurídico’ para isso. Tudo estava começando e tínhamos que registrar o leite orgânico com nome convencional. Isso sem contar as restrições do Ministério”.

Após a atualização da instrução normativa sobre a produção de leite orgânico e no ano de 2003 a legislação ser finalmente lançada, as coisas ‘começaram a fluir’. “Em 2004 começamos com a produção dos laticínios, mas, mesmo assim, a população ainda não sabia exatamente o que eram os produtos orgânicos e o consumo era baixo, o que nos obrigou a continuar vendendo o leite e os lácteos com os mesmos valores do modelo convencional. Resumindo, produzíamos orgânicos de qualidade mas não tínhamos para quem vender. Perdíamos muito e passamos um ano de dificuldades”.

Em 2005, a fazenda lançou uma marca própria de lácteos convencionais para vender seu leite. Em 2010, após os patrocínios de eventos e parcerias com supermercados, as informações sobre o leite orgânico e seus benefícios finalmente passaram a ser transmitidas aos consumidores, no entanto, uma parcela ainda o questionava.

Orgânicos Timbaúba
Produtos Timbaúba.

Atualmente os orgânicos estão em ascensão e a Fazenda Timbaúba emplacou no mercado com uma linha variada de produtos: desde leite (desnatado, integral e 0% lactose) até derivados lácteos (coalhadas, iogurtes, manteiga e creme de leite). A Timbaúba fornece para os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Alagoas e a marca pretende lançar dois novos produtos na linha este ano.

Osmando, da Fazenda TimbaúbaOsmando Xavier junto da imensa produção de palma forrageira.

Orgânicos no mundo

O mercado global de orgânicos, sob liderança dos Estados Unidos, Alemanha, França e China, movimentou um volume recorde e atingiu US$ 97 bilhões em 2017. O balanço foi realizado pela Federação Internacional de Movimentos da Agricultura Orgânica (Ifoam) e divulgado em fevereiro deste ano.

De acordo com a federação internacional, estão identificados cerca de 3 milhões de produtores orgânicos em um universo de 181 países. Nesta pesquisa, o Brasil é apontado como líder do mercado de orgânicos da América Latina. Contudo, quando se leva me consideração a extensão de terra destinada à agricultura orgânica, o país fica em terceiro lugar na região, depois da Argentina e Uruguai, em 12º no mundo.

Você gostaria de indicar alguma fazenda leiteira para participar do nosso Especial? Clique aqui e contribua conosco! 

Fontes consultadas:

Organis – Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável. Pesquisa Consumidor Orgânico. Disponível em > http://organis.org.br/pesquisa-consumo-de-produtos-organicos-no-brasil-2017/. Acesso em: 17 jul. de 2019.

MARIANA MARZOCCHI

Graduanda em Comunicação Social - Jornalismo na UNIMEP e estagiária do MilkPoint Conteúdo.

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JOSÉ FRANCISCO CARVALHO DE OLIVEIRA

SÃO DOMINGOS - BAHIA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

HÁ UM DIA

Gostaria de receber uns cálculos de formulação de ração para vacas leiteiras em tempo chuvoso e também em tempo de seca...no semiárido nordestino brasileiro..