Ainda uma novidade em alguns estados do Brasil, o leite orgânico, assim como outros produtos da categoria, vem sendo cada vez mais demandado pelos consumidores. Conforme os dados do Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), somente em 2018 o mercado de orgânicos faturou R$ 4 bilhões, 20% mais do que o registrado em 2017.
Osmando Xavier, focado em oferecer algo diferente no mercado desde que cursava Agronomia, passou por alguns ‘sufocos’ para produzir e comercializar o leite orgânico, mas hoje comemora a disseminação da marca Timbaúba e dos produtos que a envolvem. Ele administra a Fazenda Timbaúba, localizada na região do semiárido nordestino, junto de seu pai e irmão. Com uma história superinteressante, ele falou exclusivamente com a Equipe MilkPoint sobre toda a sua trajetória.
Produção no campo
Rebanho leiteiro.
Ainda na faculdade, Osmando lia muito sobre a produção orgânica e o conteúdo remetia ao seu avô, visto que o mesmo sempre optou por manejar os animais à base de medicamentos fitoterápicos. Há várias diferenças entre a produção de leite tradicional e leite orgânico, inclusive, uma delas é que as enfermidades do rebanho orgânico não são tratadas com alopatia, mas sim, com fitoterapia.
Além disso, segundo Osmando, na mesma época que o seu pai ‘tocava’ a propriedade, os laticínios estavam chegando na região e prezavam pela maneira tradicional de produção leiteira, mas Osmando queria algo inovador. “Nos perguntávamos se os nossos animais precisavam de medicamentos convencionais sendo que havia outras opções também eficazes”, disse.
A propriedade da família Xavier – hoje, a fornecedora de toda a matéria-prima que leva a marca Timbaúba - foi fundada no início da década de 50 é composta por cerca de 1000 hectares distribuídos em quatro áreas nos municípios de Cacimbinhas e Dois Riachos, em Alagoas, e Iati, em Pernambuco. Sempre vocacionados para a pecuária leiteira, foi em 1999, após muitos estudos, que resolveram se converter por completo para a produção de leite orgânica.
Com uma produção média diária de 5 mil litros de leite, a propriedade optou por trabalhar com gado ¾ Girolando e 5/8 Holandês desde o início das atividades já que buscavam também uma certa resistência aos carrapatos. “Fizemos um trabalho focado no melhoramento genético dos animais com esse intuito e os resultados foram excelentes. Alguns grandes laticínios, que estão inclusive entrando em projetos de leite orgânico, nos procuraram recentemente em busca de novilhas mais resistentes”.
Alimentação do rebanho
O produtor explicou que a palma forrageira é a base da nutrição do rebanho da fazenda. Então, para eles, o verão é o melhor período para se produzir leite. Sem contar que a equipe utiliza uma máquina plantadeira de palma, a qual agiliza todo o trabalho. “A temperatura alta e a baixa umidade ajudam bastante na produção do leite. Mas, independente da estação, nossa produção é normal o ano todo. Tomamos muito cuidado no inverno, quando vem a temporada de chuvas e os problemas dos cascos aparecem junto. Já no verão, a sanidade do rebanho é alta!”.
Produção da palma forrageira.
Mercado
De acordo com o administrador, o início no negócio foi conturbado já que não havia legislação para a categoria e os consumidores não sabiam exatamente o que era o produto e os seus diferenciais. “Não tinha um ‘norte jurídico’ para isso. Tudo estava começando e tínhamos que registrar o leite orgânico com nome convencional. Isso sem contar as restrições do Ministério”.
Após a atualização da instrução normativa sobre a produção de leite orgânico e no ano de 2003 a legislação ser finalmente lançada, as coisas ‘começaram a fluir’. “Em 2004 começamos com a produção dos laticínios, mas, mesmo assim, a população ainda não sabia exatamente o que eram os produtos orgânicos e o consumo era baixo, o que nos obrigou a continuar vendendo o leite e os lácteos com os mesmos valores do modelo convencional. Resumindo, produzíamos orgânicos de qualidade mas não tínhamos para quem vender. Perdíamos muito e passamos um ano de dificuldades”.
Em 2005, a fazenda lançou uma marca própria de lácteos convencionais para vender seu leite. Em 2010, após os patrocínios de eventos e parcerias com supermercados, as informações sobre o leite orgânico e seus benefícios finalmente passaram a ser transmitidas aos consumidores, no entanto, uma parcela ainda o questionava.
Produtos Timbaúba.
Atualmente os orgânicos estão em ascensão e a Fazenda Timbaúba emplacou no mercado com uma linha variada de produtos: desde leite (desnatado, integral e 0% lactose) até derivados lácteos (coalhadas, iogurtes, manteiga e creme de leite). A Timbaúba fornece para os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Alagoas e a marca pretende lançar dois novos produtos na linha este ano.
Osmando Xavier junto da imensa produção de palma forrageira.
Orgânicos no mundo
O mercado global de orgânicos, sob liderança dos Estados Unidos, Alemanha, França e China, movimentou um volume recorde e atingiu US$ 97 bilhões em 2017. O balanço foi realizado pela Federação Internacional de Movimentos da Agricultura Orgânica (Ifoam) e divulgado em fevereiro deste ano.
De acordo com a federação internacional, estão identificados cerca de 3 milhões de produtores orgânicos em um universo de 181 países. Nesta pesquisa, o Brasil é apontado como líder do mercado de orgânicos da América Latina. Contudo, quando se leva me consideração a extensão de terra destinada à agricultura orgânica, o país fica em terceiro lugar na região, depois da Argentina e Uruguai, em 12º no mundo.
Você gostaria de indicar alguma fazenda leiteira para participar do nosso Especial? Clique aqui e contribua conosco!
Fontes consultadas:
Organis – Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável. Pesquisa Consumidor Orgânico. Disponível em > http://organis.org.br/pesquisa-consumo-de-produtos-organicos-no-brasil-2017/. Acesso em: 17 jul. de 2019.
