O colostro é o primeiro leite produzido pelos mamíferos após o parto. Nos bovinos, essa secreção é rica em proteínas, gorduras, vitaminas, minerais, imunoglobulina A (IgA) e imunoglobulina G (IgG). Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), sua função é “garantir a sobrevivência dos bezerros logo após o nascimento”.
Nos Estados Unidos, o avanço comercial chama atenção. Dados da NielsenIQ indicam que consumidores gastaram mais de US$ 19 milhões em suplementos de colostro nas 52 semanas encerradas em 3 de janeiro de 2026 — alta superior a 3.000% em relação aos cerca de US$ 612 mil registrados dois anos antes. Outros US$ 3 milhões foram destinados a produtos que incluem o ingrediente na formulação.
Queridinho das celebridades
O suplemento ganhou visibilidade após ser promovido por influenciadores e artistas. Entre as marcas mais conhecidas está a Armra, fundada em 2021. A empresa já foi divulgada pela atriz Jennifer Aniston, e a cantora Dua Lipa mencionou o consumo do produto em sua rotina matinal, segundo a revista Vogue.
A fundadora e CEO da Armra, a médica Sarah Rahal, afirma que desenvolveu o suplemento após observar aumento de doenças crônicas em pacientes e enfrentar problemas digestivos pessoais. Segundo ela, a empresa levou dois anos para formular o produto, selecionando colostro de vacas criadas a pasto nos Estados Unidos e adotando um método próprio de pasteurização para preservar nutrientes.
"Descobrimos que ele [o colostro] confere os mesmos benefícios de restaurar a inteligência original do corpo, independentemente da idade em que é ingerido", contou a médica.
Mercado em alta, ciência em debate
Apesar do crescimento acelerado nas vendas, especialistas apontam que as evidências científicas sobre os benefícios do colostro para adultos ainda são limitadas.
Para Timothy Caulfield, professor da Escola de Saúde Pública da Universidade de Alberta, o padrão repete o observado com outros suplementos. Segundo ele, o interesse inicial costuma ser impulsionado por marketing, mas revisões posteriores tendem a encontrar efeitos "pequenos ou inexistentes".
Jeffrey Bland, cofundador do Instituto de Medicina Funcional, avalia que o colostro pode apresentar aplicações específicas, como em determinados distúrbios gastrointestinais, mas destaca que ainda são necessários mais estudos clínicos para consolidar recomendações gerais.
Especialistas também lembram que suplementos alimentares não passam pelo mesmo rigor regulatório aplicado a medicamentos. Além disso, a composição do colostro pode variar conforme fatores como processamento, raça dos animais, alimentação e condições de produção. Por isso, a orientação é que o consumo seja avaliado individualmente, considerando o perfil e as necessidades de cada pessoa.
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As informações são da Exame, adaptadas pela equipe MilkPoint.