Sob risco de parar, LBR espera definição sobre venda de ativos

Em recuperação judicial desde o fim do ano passado, a LBR-Lácteos Brasil tem registrado prejuízo equivalente a cerca de R$ 1 milhão por dia desde o início de 2014, reflexo da falta de crédito e consequentes dificuldades para operar. Dados financeiros apresentados pela empresa na terça-feira, em assembleia geral de credores, mostram um prejuízo projetado até[...]

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Em recuperação judicial desde o fim do ano passado, a LBR-Lácteos Brasil tem registrado prejuízo equivalente a cerca de R$ 1 milhão por dia desde o início de 2014, reflexo da falta de crédito e consequentes dificuldades para operar. Dados financeiros apresentados pela empresa na terça-feira, em assembleia geral de credores, mostram um prejuízo projetado até agosto deste ano de R$ 218,342 milhões. Em 2013, a perda acumulada da companhia foi de R$ 1,120 bilhão, conforme dados também apresentados na assembleia.

Na reunião da terça-feira (12), que só foi suspensa às 3h30 da manhã de ontem (13), a LBR apresentou o que considera a melhor combinação de ofertas, feitas por 14 empresas, para diferentes unidades produtivas isoladas (UPIs), colocadas à venda dentro de seu plano de recuperação judicial. Segundo a LBR, tal proposta poderia garantir recursos para que pague as dívidas com seus credores dentro da recuperação judicial.

Para a LBR, a combinação mais favorável para o caixa da empresa é que a envolve as propostas, por diferentes UPIs, de Lactalis (R$ 250 milhões), ARC Medical Logística (R$ 203,3 milhões), Colorado (R$ 40,177 milhões), Bela Vista (R$ 25 milhões), Cooperativa do Vale do Rio Doce (R$ 7 milhões) e Agricoop (R$ 6 milhões).

Essa combinação, que arrecadaria um valor total de R$ 531,477 milhões, contempla a alienação de todas as 14 UPIs colocadas à venda dentro da recuperação judicial da LBR. E traria para o caixa da companhia o maior montante à vista. Ao todo, a LBR apresentou nove combinações de ofertas, em ordem decrescente por valor à vista.

Na exaustiva sessão que adentrou a madrugada de ontem, credores e o administrador judicial, Ricardo Sayeg, pediram à LBR mais detalhes sobre a combinação de propostas e questionaram quais pontos tornariam as outras ofertas menos atraentes. Foram aventadas, por exemplo, possibilidades de combinações incluindo propostas da Jussara e do Laticínio Montes Belos, mas com a exclusão da oferta da Colorado.

A assembleia deve ser retomada no dia 21 de agosto, e a expectativa é de que os credores possam, então, se manifestar sobre a combinação proposta pela LBR. Mas antes disso, a companhia de lácteos tem até sexta-feira para esclarecer aos credores questões sobre suas dívidas pós concursais, ou seja, que não estão contempladas na recuperação judicial. Os credores querem essas informações para avaliar a combinação de propostas recomendada pela LBR.

Com a sessão do dia 21, já serão seis encontros entre os credores da LBR para discutir a venda de ativos da companhia para arrecadar recursos e pagar as dívidas da recuperação judicial. Fontes próximas à empresa e do setor consideram que a demora para definir o futuro dos ativos da LBR só agrava os prejuízos da companhia e, em consequência, eleva as perdas dos credores.

Com fábricas fechadas e dificuldade para comprar matérias-primas, como leite e embalagem, por conta da falta de recursos, a LBR não está conseguindo gerar receitas que poderiam ser alcançadas se estivesse operando normalmente. Assim, não tem conseguido pagar dívidas contraídas depois que entrou em recuperação judicial.

Em uma das sessões da assembleia judicial, na semana passada, o presidente estatutário da LBR, Nelson Bastos, afirmou aos credores que a receita mensal da companhia caiu de R$ 200 milhões em janeiro para R$ 100 milhões em julho passado. Também disse que a empresa havia contatado fornecedores para negociar a aquisição de matérias-primas, mas não havia obtido resposta.

A indefinição também prejudica as companhias que fizeram ofertas pelos ativos da LBR, afirmam fontes dos setor. Isso porque as empresas proponentes querem receber as unidades funcionando, uma vez que plantas paradas significam depreciação. No atual quadro, dizem essas mesmas fontes, o risco de a LBR parar só cresce.

As informações são do Valor Econômico.
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Cincinato Mendes Ferreira Filho
CINCINATO MENDES FERREIRA FILHO

MONTANHA - ESPÍRITO SANTO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 18/08/2014

E onde tá o sócio forte BNDES...
Rudimar tomazini
RUDIMAR TOMAZINI

RENASCENÇA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/08/2014

eu parei de entregar o leite faz quase 90 dias e ainda nao recebi pelo meu produto que e fruto de um trabalho digno e muito sofrido ;pois trabalhamos de segunda a segunda , de madrugada sol e chuva . É MUITO TRISTE
Luiz Carlos dos Santos
LUIZ CARLOS DOS SANTOS

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/08/2014

Com certeza mais uma vês o maior prejudicado será o produtor (batalhador diário) que labuta de sol a sol 365 dias por ano.....
Antonio Luiz Michel Abilio
ANTONIO LUIZ MICHEL ABILIO

SÃO FRANCISCO DE ITABAPOANA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/08/2014

Em consequência desta demora ,executar bens de credores para pagar fornecedores e produtores, seria uma alternativa de recebimento ?
antonio carlos salvador junior
ANTONIO CARLOS SALVADOR JUNIOR

GUARATINGUETÁ - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 14/08/2014

Lamentável!
Eliseu Nardino
ELISEU NARDINO

MARIPÁ - PARANÁ

EM 14/08/2014

Coitado dos produtores que com certeza esse mês não irão receber
Qual a sua dúvida hoje?