Selita busca salto de produção com Recoop

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Saiu hoje, na Gazeta Mercantil, uma reportagem assinada por Bruno Garschagen, que informa sobre a perspectiva de aumento da produção da Cooperativa de Laticínios Selita através do auxílio fornecido pelo Programa de Revitalização das Cooperativas Agropecuárias (Recoop). Segundo Robertson Valadão, assessor de planejamento, se a ajuda vier logo, a cooperativa deve adquirir e instalar novas máquinas ainda no primeiro bimestre de 2001 e se preparar para quase dobrar sua capacidade de industrialização de leite, dos atuais 250 mil litros por dia para 450 mil litros, além de lançar novos produtos.

O investimento na indústria vai possibilitar à Selita transformar o leite e o soro em pó, permitindo a estocagem para a entressafra, aumentar a fabricação de leite longa vida, adquirir câmara fria para armazenamento de requeijão e prestar serviços de industrialização a outras cooperativas, esperando com isso uma ampliação do mercado no ano que vem.

Segundo Valadão, a proposta solicitando o dinheiro do Recoop já foi entregue ao Banco do Brasil no início deste mês. No documento, a cooperativa pede R$ 8 milhões para serem aplicados no pagamento de débitos de R$ 892 mil ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), R$ 1,5 milhão para capital de giro e R$ 5 milhões na ampliação da capacidade instalada da indústria.

O valor requerido pela Selita é inferior às duas primeiras propostas. Na primeira, no final de 1998, a cooperativa solicitava R$ 18,9 milhões. Os débitos com bancos e ICMS somavam R$ 9 milhões. Mesmo aprovado pelo Comitê Executivo do Recoop, o Banco do Brasil segurou a liberação porque o patrimônio líquido estava negativo em mais de R$ 3 milhões, segundo Valadão.

A negociação com o banco durou quase todo o ano de 1999. Sem ter como saldar os débitos, a cooperativa fechou mais um exercício no vermelho, mas havia dado o primeiro passo para sair do problema financeiro, afirma o assessor de planejamento.

A diretoria, então, elaborou um novo plano de gestão: terceirizou os serviços de transporte dos produtos, demitiu pessoal, negociou as dívidas com fornecedores, bancos, governos municipal, estadual e federal. A meta era atingir patrimônio líquido positivo. "Negociamos e reduzimos as dívidas de ICMS e pagamos todos os financiamentos de longo prazo", conta o assessor de planejamento. A Selita viu seu custo mensal diminuir em R$ 500 mil por mês, cerca de 15% da receita bruta mensal de R$ 3,4 milhões.

Em julho do ano passado a cooperativa conseguiu fechar um balanço (semestral) positivo, em R$ 140 mil. A diretoria percebeu que era hora de reelaborar o projeto. A nova proposta entregue em outubro solicitava R$ 12.209.268,00, valor inferior ao primeiro projeto por conta do pagamento e renegociação de parte da dívida, afirma Valadão.

Mesmo assim, o banco ainda considerava alto o valor e pediu que a cooperativa colocasse na proposta somente o que fosse prioridade. A Selita refez então a proposta em novembro, somente com investimentos mais imediatos. O recurso pedido passou a ser de R$ 8 milhões. Não há ainda qualquer resposta do banco, mas o presidente da cooperativa, José Onofre Lopes, acha que as chances agora são grandes. O patrimônio líquido da Selita hoje é de R$ 500 mil.

Por Bruno Garschagen, para Gazeta Mercantil, 03/01/01
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