SanCor prioriza atuação no exterior

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Saiu na Gazeta Mercantil Latino Americana dessa semana, uma reportagem assinada por Eduardo Caspani, que informa sobre a intenção da companhia de lácteos argentina SanCor, empresa que opera em forma de cooperativa, e produz 19% do leite natural elaborado no país, de ampliar sua presença no mercado externo, na tentativa de obter maior estabilidade nas vendas, passando a depender menos das variações do mercado interno, principalmente nesse momento delicado que o país está passando agora. A recessão vivida pela Argentina e os altos e baixos nos preços das matérias-primas afetaram significativamente as vendas da SanCor, que caíram 5,68% no último exercício, concluído em junho de 2000. Os resultados repercutiram no faturamento do período: US$313 mil, 85,8% menos que no ano anterior.

Apesar dessa situação, a SanCor menteve-se como a maior exportadora do segmento, fortaleceu sua liderança nos setores de queijos e manteigas e posicionou-se como a quinta empresa alimentícia do país, com faturamento próximo aos US$700 milhões/ano.

A recessão pela qual o mercado interno da Argentina está passando provocou uma queda no consumo per capita de leite de 230 para 220 litros/ano. Além disso, os consumidores optaram por marcas de segunda linha e as expectativas de crescimento do setor são bastante baixas.

Tradicionalmente, o mercado de exportação não foi o principal negócio de nenhuma das empresas lácteas do país, mas apenas o destino dos excedentes de produção no mercado local. Por isso mesmo, a SanCor resolveu priorizar suas operações de exportação que, entre 1996 e 2000, cresceram 106,5%. Além do Brasil, principal mercado externo, a empresa quer consolidar sua presença na América Latina, e tornar-se empresa líder da região. A companhia já exporta alguns produtos para a Bolívia, Peru, Paraguai e Uruguai, e procura agregar a Venezuela, Cuba e México, o principal importador de lácteos do mundo. No exercício fiscal de 1999-2000, as exportações representaram 17,3% das vendas líquidas da empresa.

Entretanto, a SanCor está diante de um mercado altamente competitivo na América Latina, o que não facilita muito seus objetivos. Um exemplo claro é a empresa neo-zelandesa New Zealand Dairy Board (NZDB), que comercializa produtos lácteos no exterior e está presente na maioria dos países latino-americanos por meio de joint-ventures ou empresas diretamente controladas. No último exercício, a NZDB faturou US$3,3 bilhões e exportou US$2,1 bilhões.

Além da Nova Zelândia, principal exportador lácteo do mundo, a SanCor enfrenta a concorrência das companhias da União Européia (UE). Porém, a perspectiva é que, com a diminuição dos subsídios da UE aumente as oportunidades comerciais da América Latina, que poderia ocupar o lugar deixado pelos países europeus.

No ano passado, a SanCor ingressou nos EUA, através da subsidiária SanCor Dairy Corporation, em Miami. Essa estratégia colocou a empresa argentina num mercado importador de lácteos, com vários nichos para desenvolver-se, além de promover uma proximidade estratégica com o México, a América Central e o Caribe. A princípio, as exportações da SanCor aos EUA concentram-se na linha de queijos e obedecem às cotas de importações permitidas pelo governo norte-americano, que passaram nesse ano de 2 mil para 6 mil toneladas.

Além de colocar seus produtos na Europa e Japão, a SanCor ambiciona conquistar os mercados africano e mexicano, consolidando sua presença global.

Tabela 1


Tabela 2


Por Eduardo Caspani, para Gazeta Mercantil Latino Americana, 02/01/01
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