Redes de referências para agricultura familiar são discutidas no PR

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O projeto Redes de Referências para a Agricultura Familiar é o tema do encontro estadual realizado ontem (09) e hoje, em Campo Mourão, PR, por meio de um trabalho conduzido pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), órgãos vinculados à Seab (Secretaria de Agricultura e Abastecimento).

A abordagem das Redes de Referências privilegia a pesquisa na propriedade e a participação do produtor - diferentemente do modelo convencional, que é conduzido em estações experimentais. "Uma rede é um conjunto de propriedades representativas de determinado sistema de produção familiar", explicou o pesquisador João Passini, do Iapar.

Para definir um sistema de produção, os pesquisadores fazem cálculos que levam em conta a categoria social do agricultor (uso de mão-de-obra e capital) e a atividade econômica da propriedade.

Realizado com suporte financeiro do Programa Paraná 12 Meses, o trabalho das Redes envolve 200 propriedades representativas de 25 sistemas de produção existentes no Paraná. Grãos (norte do estado); café + leite (noroeste); fruticultura (sudoeste) e grãos + piscicultura (oeste) são alguns dos arranjos produtivos estudados.

Metodologia

Um longo caminho é percorrido para montar a "rede de propriedades representativas" citada por Passini. O primeiro passo é o estudo do solo e clima da região, classificação dos agricultores e identificação dos sistemas de produção, já existentes ou com potencial de implantação, como alternativa para estimular o desenvolvimento regional. De posse dessas informações, a comissão regional do Paraná 12 Meses, composta por representantes do governo e de beneficiários do projeto, seleciona os sistemas mais relevantes e escolhe pelo menos cinco agricultores de cada um para integrar as Redes de Referências.

Uma vez nas Redes, o agricultor, com auxílio do extensionista, faz um detalhado diagnóstico da propriedade e monta um plano para redução de perdas e correção de eventuais incoerências entre seus objetivos (do produtor e sua família) e o sistema de produção que pratica. Passini contou que essa etapa leva um ano e, então, "é feito um planejamento de longo prazo, para otimizar os resultados técnicos, econômicos e ambientais do estabelecimento".

A implantação do plano de longo prazo leva de três a cinco anos, dependendo da complexidade do sistema vigente e do que se pretende construir. "Todos os registros técnicos e econômicos são monitorados e passam a compor um banco de dados", relatou Passini.

Segundo ele, "assim que o produtor faz a validação das propostas implantadas, as informações passam a constituir referências técnicas e econômicas para orientação de outros agricultores com características semelhantes".

Fonte: Assessoria de Imprensa do Iapar, adaptado por Equipe MilkPoint
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