É nesse contexto que João Pessoa recebe, de 29 a 31 de outubro, o 3º Salão do Queijo da Paraíba, no Espaço Cultural José Lins do Rego. O evento reunirá produtores de mais de 32 municípios e cinco cooperativas, com foco não apenas na exposição dos produtos, mas em certificação, qualificação, comercialização e aproximação com compradores.
A programação ocorre em conjunto com o Brasil Cachaças e terá concurso de queijos e produtos lácteos, degustações, workshops, palestras e rodadas de negócios. As inscrições para o concurso seguem abertas até 25 de outubro, com expectativa de participação de produtores de diferentes estados brasileiros.
Da produção rural ao mercado formal
O principal desafio para o produtor artesanal não está apenas em fazer um queijo de qualidade, mas em transformar essa qualidade em produto comercializável em mercados maiores.
A certificação é um dos pontos centrais dessa transição. Segundo José Otávio Targino, gerente executivo de Produção Agropecuária da Secretaria do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca da Paraíba (Sedap-PB), o trabalho desenvolvido nos últimos anos tem levado produtores a buscar capacitação em embalagem, precificação e certificações. “Com o advento do Salão do Queijo estamos vendo, ano após ano, uma melhora na qualidade dos nossos queijos”, afirma.
A mudança tem impacto direto na capacidade de comercialização. Produtos regularizados podem alcançar supermercados, restaurantes e outros canais que ficam fora do alcance da produção informal.
O movimento também está alinhado a uma preocupação mais ampla do setor. Em janeiro de 2026, o Governo da Paraíba anunciou medidas para fortalecer a cadeia de laticínios e combater produtos subfaturados provenientes de outros estados, apontados pelo governo como um problema para a produção local.
Competição vai além da qualidade
A disputa pelo mercado de queijos não acontece apenas entre produtores artesanais. O setor local também enfrenta produtos industrializados e mercadorias provenientes de outros estados, o que aumenta a importância de preço, escala, padronização e regularização. Em fevereiro, a Secretaria de Estado da Fazenda estabeleceu valores de pauta fiscal para derivados de leite de origem animal. Para o queijo coalho, a referência definida foi de R$ 37,99 por quilo, enquanto a muçarela teve pauta de R$ 35 por quilo.
A medida faz parte de uma política estadual voltada à cadeia de laticínios e mostra que o mercado de derivados de leite ganhou relevância também na agenda econômica e tributária do Estado.
Queijo como negócio
O Salão do Queijo tenta atuar justamente nessa passagem entre produto artesanal e negócio. Além do concurso, a programação prevê espaços de comercialização, rodadas de parcerias e encontros com mercados, chefs, restaurantes e compradores. Na edição anterior, realizada em 2025, o evento recebeu 347 produtos inscritos e produtores de 35 municípios paraibanos, segundo informações divulgadas à época.
A edição de 2026 amplia a proposta ao incorporar participantes de outros estados ao concurso e aproximar a cadeia do queijo da produção de cachaças artesanais. A combinação abre espaço para uma estratégia comercial baseada também em gastronomia, turismo e identidade regional.
Mais do que uma vitrine para produtos típicos, o movimento revela uma tentativa de transformar uma atividade tradicional em uma cadeia com maior valor agregado. Para o produtor, isso significa sair da venda limitada ao mercado local e buscar consumidores, restaurantes e distribuidores dispostos a pagar pela qualidade, origem e regularização do produto.
Mercado com potencial de agregação de valor
A dimensão da produção de leite mostra que existe uma base econômica relevante por trás do queijo artesanal. A transformação do leite em derivados aumenta a possibilidade de conservação, diferenciação e formação de preço, reduzindo a dependência da comercialização da matéria-prima in natura. O desafio está em ganhar escala sem perder identidade, cumprir exigências sanitárias, controlar custos e construir marcas capazes de competir em um mercado mais amplo.
Nesse cenário, o 3º Salão do Queijo deixa de ser apenas um evento gastronômico. Ele funciona como ponto de encontro entre produção rural, indústria de alimentos, gastronomia e mercado, em uma cadeia que busca transformar tradição em negócio.
As informações são do Paraíba Business, adaptadas pela Equipe MilkPoint.
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