Previsões para os mercados agrícolas na União Européia 2002- 2009: lácteos

Publicado por: MilkPoint

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A Direção Geral para a Agricultura da Comissão Européia publicou nos últimos anos uma análise geral das tendências de mercado e fez projeções em médio prazo sobre o fornecimento e a demanda das principais commodities agrícolas. Essa publicação fornece um retrato do provável desenvolvimento dos mercados agrícolas até o ano de 2009, baseado em algumas hipóteses e em informações estatísticas, disponibilizadas em abril de 2002.

Esse material contém 3 partes. A primeira parte está focalizada nas previsões de mercado para o ano de 2009 na União Européia (UE), abrangendo os seguintes produtos: cereais, grãos, arroz, carnes, leite e os principais produtos lácteos. A segunda parte fornece uma descrição sobre as previsões prováveis nos mercados dos países da Europa Central e Oriental, os quais são candidatos a acessão na UE. Finalmente, as previsões de médio e longo prazo para os mercados agrícolas mundiais, baseados em relatórios e previsões estabelecidas por várias organizações e institutos internacionais, são apresentadas na terceira parte.

Parte I - Previsões para os mercados agrícolas da EU

1. Introdução e ambiente macroeconômico

1.1. Introdução

Esta parte sumariza os principais resultados e hipóteses, bases das projeções de médio prazo para alguns produtos agrícolas-chave na UE, no período de 2001 a 2009. Os dados apresentados são resultado final de diferentes métodos (métodos econométricos, análises estatísticas, hipóteses específicas, julgamentos de especialistas, etc.), dependendo dos produtos e das variáveis relacionadas. Eles são baseados em informações estatísticas disponibilizadas no final de abril de 2002.

Sendo assim, essas projeções não têm a intenção de constituir uma previsão do futuro, mas sim, uma descrição do que pode acontecer, levando em conta hipóteses e circunstâncias específicas. As hipóteses mais importantes estão relacionadas com as políticas agrícolas e econômicas, bem como com a evolução da taxa de câmbio dólar/euro. As mais importantes hipóteses relacionadas com as políticas agrícolas e econômicas são:

(1) Com relação à política agrícola, foi considerado que todos os instrumentos políticos e medidas vão operar durante todo o período de 2002 a 2009 sob as regras atuais, ou com alterações já decididas no final de abril de 2002. Partindo desta perspectiva, a implementação da reforma da Política Agrícola Comum (PAC) adotada na Agenda 2000 foi levada em consideração. Em contraste, as implicações da nova lei agrícola dos Estados Unidos, a Farm Bill 2002, não foram incorporadas na presente análise.

(2) A segunda hipótese importante é relacionada ao comércio de produtos agrícolas e, em particular, aos compromissos derivados dos Acordos para a Agricultura da Rodada do Uruguai (URAA). A presente análise considerou que todos os compromissos determinados na URAA relacionados em particular aos acessos a mercados e aos subsídios de exportação serão totalmente respeitados. Sendo assim, os subsídios de exportação não deverão exceder os limites anuais impostos pela URAA, enquanto as importações sob o atual esquema de mínimo acesso deverão ser totalmente incorporadas. Além disso, os compromissos assumidos na URAA não deverão ser alterados no período de 2002 a 2009.

(3) Os acordos comerciais que foram concluídos pela UE, principalmente com os países menos desenvolvidos (Least Developed Countries - LDC) e com os 10 países da Europa Central e Oriental (Central and Eastern European Countries - CEEC), candidatos a entrar na UE até abril de 2002 foram levados em consideração nestas projeções de mercado. Esses acordos se relacionam principalmente com a iniciativa chamada de "Tudo Exceto Armas" ("Everything But Arms" Initiative - EBA), que determina o acesso a mercados a todos os produtos, exceto armas, livre de cotas e tarifas, originários dos LDCs, bem como acordos de "duplo-zero", feitos em 2000 e 2001, com as 10 CEECs países candidatos.

1.2. O ambiente macroeconômico

De 2000 a 2001, o crescimento econômico médio na UE foi de 1,7%. Apesar da recuperação temporária ocorrida no final de 2000, o crescimento foi mais leito do meio de 2000 até o final de 2001. Isso foi conseqüência principalmente da combinação de choques, incluindo os aumentos dos preços do óleo, a revalorização dos mercados de eqüidade global e da integração entre financeiro e o corporativo com o resto do mundo (IMF, 2002). Conseqüentemente, a natureza deste período crítico foi se tornando cada vez mais similar ao dos Estados Unidos, embora menos excessivo. Apesar do débito deste período de baixa econômica ter sido substancialmente diferente entre os países, a maioria dos Estados Membros apresentou um enfraquecimento nos investimentos e nos inventários, bem como um declínio no crescimento das exportações.

De acordo com previsões econômicas de curto prazo feitas pela Comissão Européia, divulgadas em abril de 2001, uma recuperação gradual está tomando forma na UE, à medida que os negócios e - para uma pequena extensão - a confiança dos consumidores começou aumentar, apesar da produção industrial e das vendas do varejo estarem apresentando queda.

O ambiente internacional poderá dar seu apoio uma vez que há sinais crescentes de que a redução econômica global está se estabilizando em algumas regiões, especialmente nos EUA. O primeiro sinal deverá ser a reconstrução dos inventários e uma contribuição líquida das exportações, enquanto outros fatores - em particular a demanda doméstica e os investimentos - não deverão se fortalecer antes da segunda metade de 2002.

O lento aumento da demanda externa, as incertezas e os riscos de desemprego, bem como o aumento dos preços poderá contribuir reduzindo o fortalecimento da recuperação na primeira metade de 2002. O crescimento deverá ocorrer na segunda metade de 2002, baseado nas últimas reduções nas taxas de juros contra um cenário de um melhor ambiente internacional.

Entretanto, a média de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deverá atingir somente 1,5%, valor abaixo do nível obtido em 2001. Uma recuperação sincronizada na demanda doméstica e externa está projetada para aumentar a expansão econômica em 2003, enquanto o consumo e o comércio estimularão os investimentos futuros.

Melhores previsões no setor de empregos, melhores taxas econômicas para as famílias e uma redução na inflação fornecerão a base para uma expansão sustentável da economia da União Européia. Apesar de uma interrupção temporária no início de 2002 relacionada principalmente ao aumento dos preços dos alimentos e às mudanças nas taxas indiretas em vários Estados Membros, o declínio na inflação deverá retomar sua tendência de queda. O crescimento no índice de preços do PIB deverá atingir 2,1% em 2002, com queda de 2% em 2003.

Tabela 1 - Hipóteses nas variáveis macroeconômicas na União Européia , 1999-2009



Devido à redução econômica cíclica, o déficit orçamentário aumentou substancialmente em 2001 e 2002 em várias economias da UE. Entretanto, a expectativa é que esta deterioração das finanças públicas chegue ao fim em 2003 com a consolidação fiscal que deverá ocorrer na maioria dos Estados Membros e as contas do governo deverão estar próximas ao equilíbrio ou em excesso.

Se o fortalecimento do consumo privado, as pressões do salário e as finanças públicas poderão ser fatores internos capazes de adicionar alguma incerteza sobre esta previsão, os preços do óleo e a persistência da instabilidade econômica nos EUA (referente às baixas taxas econômicas e ao orçamento governamental, com os atuais déficits) permanecem sendo uma fonte de preocupações no mercado externo. Entretanto, se ainda é muito difícil avaliar precisamente o passo e a força da recuperação na UE, a comissão prevê que os riscos deverão ser limitados e melhor balanceados pelos bons fundamentos da economia européia. Neste cenário, o crescimento econômico bem como a inflação na UE deverá permanecer de um modo geral estável em médio prazo em 2,9% e 1,9% ao ano, respectivamente.

O euro permaneceu relativamente fraco com relação ao dólar norte-americano em 2001, sendo comercializado a 0,90 em média. Se vários fatores podem explicar este pronunciado enfraquecimento, esse padrão deverá continuar em curto prazo, com a trading range (limite de transação, ou seja, preços entre o mais elevado e o mais baixo durante um determinado período de tempo) bem abaixo das estimativas de um valor consistente com os fundamentos econômicos.

A previsão é que o euro se fortaleça frente ao dólar em médio prazo, com o impacto dos fatores de curto prazo contribuindo com o enfraquecimento da atual forte depreciação do euro. A taxa de câmbio US$/? deverá aumentar de 0,91 em 2002 para 0,95 em 2003, e deverá atingir paridade em 2006.

2. Leite e produtos lácteos

2.1. Produção de leite, distribuição e rebanho leiteiro


Em 2000, a produção de leite na UE foi de 120,0 milhões de toneladas e as estimativas para 2001 sugerem um volume um pouco maior, em torno de 121,3 milhões de toneladas. A maioria do leite produzido foi entregue para as indústrias de lácteos. A taxa de industrialização vem aumentando consideravelmente nos últimos anos, refletindo um menor uso em nível de fazenda assim como na forma de vendas diretas ou para o consumo na própria propriedade rural. Atualmente, o volume de leite entregue às indústrias representa cerca de 94% da produção e atingiu a marca de 114,1 milhões de toneladas em 2000. Os dados mensais disponíveis em 2001 sugerem que o leite que foi entregue às indústrias no ano passado pode ter sido um pouco maior, sendo que as últimas estimativas apontam para um volume de 114,9 milhões de toneladas no ano passado.

As entregas de leite às indústrias refletem a evolução das referências quantitativas do leite que estão governando o setor de lácteos europeu desde a sua introdução em 1984. De acordo com estimativas provisórias para a cota láctea no período de um ano, de abril de 2001 a março de 2002, a expectativa é que haja um pequeno excesso sobre a referência quantitativa da UE para o leite entregue às indústrias. Esse decrescente excesso observado em 2000 e 2001 é parcialmente atribuído ao fato de que as quantidades de referência do leite para certos Estados Membros aumentaram nos anos 2000 e 2001, como parte das decisões tomadas na Agenda 2000. A ruptura causada pela epidemia de febre aftosa no Reino Unido1 deverá reduzir a produção de leite nesta região em 2001. Entretanto, de acordo com as estimativas mais recentes, a produção de leite no Reino Unido deverá ficar muito próxima ao nível da cota, devido à alta produção.

Tabela 2 - Produção de leite, distribuição e rebanho leiteiro na UE, 2000-2009


Nota: O número de vacas leiteiras se refere ao final do ano (dados históricos obtidos em pesquisas feitas no mês de dezembro)

Em 1984, cerca de 29 milhões de vacas leiteiras produziram cerca de 136,2 milhões de toneladas de leite. Os dados correspondentes de 2001 são 20,2 milhões de vacas leiteiras produzindo em torno de 121,3 milhões de toneladas2. Obviamente houve um grande aumento na produção de leite por vaca no mesmo período, isto é, de 4387 quilos de leite por vaca em 1984 passou-se para 5988 quilos de leite por vaca estimados em 2001.

As entregas de leite às indústrias estão projetadas para caírem levemente até 2004 e então, recuperar-se um pouco, seguindo a segunda parte da Agenda 2000, que determina um aumento das cotas, iniciando-se em 2005/2006. Considerando que os Estados Membros irão se ajustar completamente às quantidades de referência para distribuição do leite nas indústrias e para as vendas diretas, a expectativa é que a entrega do leite às indústrias se estabilize em torno de 114,5 milhões de toneladas por ano em 2002. Nos anos seguintes, a expectativa é que a entrega de leite às indústrias decaia levemente a cada ano, refletindo o contínuo, mas leve aumento no teor de gordura do leite, que reduz as margens de distribuição do leite para as indústrias se a referência histórica do teor de gordura for excedida. O teor de gordura do leite deverá continuar apresentando aumento, mas em uma proporção bem menor do que no passado. O mesmo é válido para a evolução da entrega do leite às indústrias.

Além disso, a tendência geral para o rendimento na produção de leite não deverá apresentar mudanças nos próximos anos, independente do impacto positivo do aumento da cota no período de 2005-2007. As distribuições de leite às indústrias deverão apresentar aumento novamente de acordo com o aumento da cota nos anos de 2005-2007, que faz parte do segundo passo da reforma e que está ligado ao corte nos preços de suporte.

A expectativa é que a produção de leite siga os desenvolvimentos projetados para a distribuição nas indústrias, enquanto que o volume de leite usado na fazenda, que não é governado pelo sistema de cotas, deverá continuar apresentando uma tendência de decréscimo. As vendas diretas não estão relacionadas com o aumento da cota láctea. Por enquanto, a expectativa é que a produção de leite apresente um leve decréscimo de 121,3 milhões de toneladas estimadas para 2001 para 121,2 milhões de toneladas por ano em 2002 e então, apresentar um pequeno declínio até 2004. Nos anos de 2005, 2006 e 2007, a produção deverá ser maior devido ao aumento das cotas lácteas nestes anos.

Gráfico 1 - Produção de leite, distribuição e rebanho leiteiro na UE, 1991-2009



Os dois passos do aumento das cotas lácteas irão provocar um leve e lento declínio nos rebanhos leiteiros. Considerando um aumento na produção de leite de cerca de 1,4% por ano em média durante o período analisado, o número de vacas leiteiras na UE deverá declinar de 20,2 milhões de animais registrados em 2001 (dados de dezembro) para cerca de 18,1 milhões de vacas em 2009.

2.2. Produtos lácteos

As análises internas e externas feitas no ambiente de preparação da Revisão da Política Agrícola Comum (PAC) têm sido a oportunidade de jogar uma luz adicional ao setor de lácteos da UE, também através de novas soluções metodológicas. Essas análises fornecem previsões um pouco mais otimistas para o setor de lácteos da UE, principalmente no que se refere à demanda, do que as projeções feitas no ano passado, e permitem uma avaliação mais cuidadosa das projeções de longo prazo para a maioria dos produtos lácteos.

2.2.1. Queijos

Nos últimos 20 anos, o setor de queijos da UE foi caracterizado por um forte e estável crescimento, tanto da produção como do consumo. As dificuldades em 1998 e 1999 para exportar este produto para alguns países, em particular para a Rússia, mudaram as perspectivas de curto prazo para o setor. As exportações em 1998 foram cerca de 65 mil toneladas menores do que as de 1997, e um novo declínio ocorreu em 1999. Entretanto, o alto consumo doméstico e as exportações nos anos que se seguiram estimularam a produção de queijos na UE, que aumentou para mais de 450 mil toneladas nesses dois anos - de 1999 a 2001.

No contexto das previsões de médio prazo, até o ano de 2009, considera-se que a produção de queijos irá ser direcionada principalmente pela demanda, tanto interna como externa. Enquanto a perspectiva de médio prazo para o consumo interno ainda é relativamente favorável, as exportações, após os baixos níveis atingidos em 1998 e 1999 e o forte crescimento durante os anos de 2000 e 20013, deverão decrescer lentamente em curto prazo. Em médio prazo, a expectativa é de que as exportações de queijos europeus aumentem para cerca de 480 mil toneladas em 2005-2006 devido à grande disponibilidade de leite relacionada ao aumento de cotas determinada na Agenda 2000. Esse pequeno aumento poderá ser visto contrariamente ao cenário de implementação gradual de cortes nos preços de suporte aos lácteos que, juntamente com os esperados altos preços no mercado mundial, irá contribuir para aumentar a competitividade do queijo europeu no mercado mundial.

Entretanto, para o período de 2006-2009, o firme crescimento no consumo interno deverá absorver a maioria do aumento na produção de queijos, deixando a menor parte para ser exportada. As exportações de queijos deverão cair levemente e se estabilizar em torno de 440 mil toneladas em 2009.

Com relação às importações, a previsão é de um contínuo aumento em médio prazo, refletindo a melhora no acesso ao mercado concedido a outros países no GATT (Rodada do Uruguai) e alguns acordos comerciais bilaterais, como o acordo de duplo zero com os 10 países da CEEC.

Tabela 3 - Projeções para o mercado de queijos da UE, 2000-2009 (1000 toneladas)


Nota: Os dados de importações e exportações se referem ao comércio total, isto é, incluem queijos processados

Como já foram mencionadas anteriormente, as previsões de médio e longo prazo para o consumo de queijos são, de forma geral, positivas, apesar da expectativa ser de uma taxa de crescimento lenta. O consumo per capita deverá crescer de 18,9 quilos em 2001 para cerca de 20 quilos em 2009. Isso representa uma taxa de crescimento anual de +0,7%. O consumo total deverá aumentar com uma taxa um pouco mais alta de crescimento, ou seja, de +0,9% ao ano, devido à expectativa de um pequeno crescimento populacional.

Gráfico 2 - Projeções para o mercado de queijos na UE, 1991-2009 (1000 toneladas)



Conseqüentemente, a produção de queijos está projetada para continuar apresentando um aumento estável, mas com uma taxa de crescimento relativamente baixa em comparação com os últimos anos. A expectativa é de que a taxa de crescimento da produção seja similar à do consumo total de queijos, ou seja, cerca de +1% por ano até 2007. Depois desta data, a expectativa é que esta taxa decresça um pouco.

2.2.2. Manteiga

Após um período de grande queda, ocorrido entre 1986 e 1994, a produção de manteiga se estabilizou na UE e, desde 1995, vem apresentando leve declínio. Entretanto, a elevada entrega de leite às indústrias levou a um pequeno aumento na produção de manteiga em 1999, que foi reabsorvido em 2000 e 2001. Ao que parece, o aumento na distribuição do leite, que foi recorde em 1999, e antecipou o aumento da cota ocorrido em 2000/2002, foi parcialmente usado no processamento de manteiga e leite em pó desnatado. A produção de outros produtos lácteos absorveu uma importante parte desta distribuição adicional de leite às indústrias, seguindo a evolução na demanda.

Em média, no período de 1995 a 2001, o consumo total de manteiga na UE esteve em torno de 1,76 milhão, com tendência de aumento nos dois últimos anos. As exportações atuais estão ocorrendo em níveis relativamente baixos. Depois da queda ocorrida em 1998 e 1999, as exportações de manteiga da UE se recuperaram levemente em 2000 e se estabilizaram em torno de 177 mil toneladas em 2001.

Uma certa redução no crescimento do consumo de queijos, ocorrida desde a segunda metade do ano de 2001, resultou em mais leite sendo utilizado para a produção de manteiga, criando uma situação de enfraquecimento dos preços. Os estoques de intervenção, que apresentaram redução das vendas na primavera de 2001, começaram a apresentar crescimento novamente no outono. No final de abril de 2002, cerca de 85 mil toneladas de manteiga foram aceitas no volume de intervenção.

A produção de manteiga deverá cair levemente em médio prazo. O aumento da cota previsto na Agenda 2000 para o período de 2005/06-2007/08 não deverá alterar esta tendência de queda na produção, uma vez que outros produtos lácteos deverão absorver a maioria deste adicional distribuído. Além disso, os baixos preços de intervenção decididos na Agenda 2000 farão com que seja menos atrativo vender manteiga e leite em pó desnatado sob intervenção.

Tabela 4 - Projeções para o mercado da manteiga na UE, 2000-2009 (1000 toneladas)


Nota: Os dados de importações e exportações se referem ao comércio total, isto é, incluem os produtos processados

As importações de manteiga estão projetadas para continuar aumentando no período analisado, atingindo o volume de 150 mil toneladas em médio prazo, seguindo os compromissos de aumento de acesso aos mercados, incluídos no acordo de duplo zero com os 10 países candidatos. As exportações de manteiga deverão atingir o volume de 200 mil toneladas até 2005, e então, começarão a decrescer em médio prazo, seguindo o decréscimo da produção.

As previsões para o comércio no mercado mundial de manteiga mostram um certo aumento em médio prazo. Porém, a maior parte do aumento antecipado, principalmente pelos países em desenvolvimento, deverá ser fornecido pela Austrália e Nova Zelândia, que estão continuamente expandindo sua produção de leite e exportação de produtos lácteos, enquanto a participação da EU no mercado mundial da manteiga deverá declinar.

Gráfico 3 - Projeções para o mercado da manteiga na UE, 1991-2009 (1000 toneladas)



Como já foi mencionado anteriormente, o consumo de manteiga ainda está tendendo ao declínio leve, apesar de alguns sinais de melhora terem sido observados nos últimos anos. Cerca de 30% do consumo total ainda é subsidiado por diferentes medidas no mercado interno. Com relação ao consumo per capita, o contínuo declínio é mais óbvio do que no consumo total de manteiga. Levando em conta a evolução nos últimos anos, o consumo de manteiga deverá continuar apresentando um leve declínio. As projeções para o consumo per capita são de 4,47 quilos por ano em 2009, comparado com o consumo de 4,67 quilos atual.

Essas previsões implicam em uma taxa anual de crescimento de cerca de -0,5% no consumo per capita e de cerca de -0,4% no consumo total, devido à expectativa de um pequeno crescimento populacional. O balanço geral para o mercado de manteiga mostra que, depois de uma situação de superoferta de curto prazo, o decréscimo da produção poderá fazer alguma pressão nos estoques de intervenção, que deverão ser reabsorvidos gradualmente a partir de 2004.

2.2.3. Leite em pó desnatado

A produção e o consumo de leite em pó desnatado apresentou um leve decréscimo na última década na UE, depois do forte declínio ocorrido durante o período de 1984 a 1992. A produção caiu em média 3,7% ao ano de 1997 a 2001. A principal razão para a queda na produção de leite em pó desnatado é, de um lado, a baixa demanda no setor de nutrição animal devido à redução na produção de vitelos e, por outro, o aumento no uso de leite desnatado fluido no processamento de outros produtos lácteos (produtos frescos, queijos). O consumo total, depois da leve redução ocorrida entre 1995 e 1998, aumentou consideravelmente em 1999, mas voltou a apresentar tendência de declínio em 2000 e 2001.

Em médio e longo prazo, a tendência de baixa, tanto na produção como no consumo de leite em pó desnatado, poderá continuar, depois de uma pequena interrupção ocorrida em 1999. Os altos preços internos e no mercado mundial registrados em 2000 e na metade de 20014 não representaram um incentivo à produção de mais leite em pó desnatado. A recente queda na produção de queijos e outros produtos lácteos resultou em mais produção de leite em pó desnatado do que o esperado, com um impacto negativo nos preços que caíram desde julho de 2001 e construindo um estoque sob intervenção. No primeiro mês de abertura dos estoques sob intervenção do leite em pó desnatado, um total de 28 mil toneladas foi aceito.

A produção de leite em pó desnatado deverá seguir os baixos desenvolvimentos projetados para a manteiga. As projeções sugerem uma redução na produção de leite em pó desnatado de 980 mil toneladas em 2001 para cerca de 780 mil toneladas em 2009 (isto é, de mais de 20%).

As importações deverão aumentar levemente a cada ano em médio prazo. As exportações de leite em pó desnatado da EU deverão aumentar em curto prazo, atingindo o volume de 220 mil toneladas em 2004 e deverão apresentar um decréscimo, proporcional à redução na produção.

Tabela 5 - Projeções para o mercado de leite em pó desnatado na UE, 2000-2009 (1000 toneladas)


Nota: Os dados de importações e exportações se referem ao comércio total, isto é, incluem os produtos processados

Enquanto o consumo humano de leite em pó desnatado está projetado para permanecer mais ou menos estável, o uso deste produto no setor de nutrição animal, depois da grande queda observada em 20015, está projetado para se recuperar em curto prazo e então, declinar levemente até o final do período analisado. Uma importante parte do leite em pó desnatado consumido na UE é subsidiada (alimentação animal), mas a participação deste leite subsidiado no consumo total caiu de cerca de 70% em 1991, para cerca de 50% em 2000. O corte nos preços de cereais e óleos, decididos na Agenda 2000, implicou em alimentos animais mais baratos, gerando a redução no uso de leite em pó desnatado para este fim.

Gráfico 4 - Projeções para o mercado de leite em pó desnatado na UE, 1991-2009 (1000 toneladas)



De forma geral, as hipóteses e projeções apresentadas acima mostram uma situação de mercado onde os estoques de intervenção de leite em pó desnatado, após uma forte redução ocorrida nos últimos anos, vão tender a um leve acréscimo em curto prazo, devido à situação dos baixos preços domésticos e no mercado mundial. Entretanto, a forte redução na produção que está projetada em longo prazo (proporcional ao observado no passado), juntamente com a estabilização esperada no consumo (que irá ser beneficiado pelos baixos preços após a implementação dos cortes de preços da Agenda 2000), deverá gradualmente reduzir os atuais estoques de intervenção a zero depois de 2004.

Parte II - Previsões para os mercados agrícolas dos países candidatos a entrar na UE da Europa Central e Oriental

I. Introdução

Esta parte fornece uma visão geral sobre o desenvolvimento, atual e uma projeção em médio prazo, das principais commodities do setor agrícola dos 10 países candidatos a entrar na UE da Europa Central e Oriental (CEECs)6.

Como ocorre no caso da UE, as projeções de produção e uso estão apresentadas para alguns dos principais produtos agrícolas e de origem animal nos CEECs, no período que vai até 2009. As projeções combinam previsões de curto prazo para 2001 e 2002, com previsões de médio prazo, até 2009. As previsões de curto prazo estão baseadas na combinação de diferentes métodos (análises estatísticas, julgamento de especialistas e modelos agro-meteorológicos), com diferentes fontes (Eurostat, estatísticas nacionais, organizações internacionais, informações privadas) e com o mais provável desenvolvimento em 2002, de acordo com os atuais conhecimentos sobre condições climáticas, preços e situação de mercado.

Assim como foi feito com os 15 países membros da UE, um modelo econômico foi usado para as projeções apresentadas neste relatório, ao invés do uso de apenas hipóteses estatísticas. Esse modelo econômico inclui um módulo específico para cada um dos 10 CEECs para obter o esperado desenvolvimento em médio prazo, nos principais mercados agrícolas. O mercado agrícola e as políticas comerciais, o desenvolvimento e a renda da população e o desenvolvimento da taxa de câmbio real (valor da moeda, comparado com outras moedas com a influência de mudanças no índice), o capital e os custos de trabalho, entram como variáveis específicas dos países e explícitas nas projeções para cada um dos países candidatos. Nestas projeções, foi considerado que as atuais políticas agrícolas vão permanecer imutáveis em médio prazo. Então, nenhuma hipótese sobre data ou condições de entrada destes países na UE foi feita7.

As projeções para os mercados agrícolas são baseadas nas últimas projeções macroeconômicas feitas pela Comissão Européia para os 10 CEECs, tendo sido considerado que as tendências do passado vão permanecer, sendo que os principais parâmetros foram levados em consideração (PIB, taxa de câmbio real, etc).

Os resultados dos 10 CEECs como um todo foram sumarizados abaixo. Consideráveis esforços foram feitos para que fossem estabelecidos dados coerentes, confiáveis e atualizados nas estatísticas agrícolas destes países. Os dados históricos vêm, em alguns casos, mudando desde o último ano, levando a modificações nas projeções deste ano, comparadas com as publicadas no ano passado. Algumas destas diferenças foram devidas também à mudança na metodologia, em particular ao impacto de certas hipóteses macroeconômicas nos prospectos do mercado.

Os resultados apresentados abaixo agregam os dados dos 10 CEECs. Entretanto, é importante enfatizar a relevância do ponto de vista econômico e político das situações específicas de cada país.

2. Panorama Econômico, de mercado e das condições climáticas

Desde o meio da década de 1990, os países da Europa Central e Oriental apresentaram, em média, um crescimento econômico maior do que o apresentado nos 15 países membros da UE. A queda global no crescimento econômico também afetou os CEECs no final de 2001. O robusto consumo interno, entretanto, deverá ajudar as economias a voltar a seu crescimento médio do PIB de 2,9% em 2002. Sendo assim, a expectativa é que os CEECs retornem à tendência de crescimento econômico, principalmente devido ao fortalecimento que deverá ocorrer na demanda interna.

Em médio prazo, a recuperação do prolongado período de crescimento econômico irá estabilizar uma situação de desemprego, especialmente nas regiões urbanas. O alto desemprego nas áreas rurais, de qualquer forma, deverá continuar criando uma forte pressão econômica e se tornar um importante desafio político. Isso também terá repercussões negativas na obtenção das mudanças estruturais necessárias no setor agrícola.

No entanto, o retorno de uma performance econômica dinâmica irá, como no passado, contribuir para aumentar a renda dos consumidores nos CEECs, uma tendência que deverá permanecer durante todo o período analisado. Este desenvolvimento poderá afetar positivamente as demandas por alimentos agrícolas, especialmente produtos de qualidade. Por outro lado, a população nos 10 CEECs deverá se manter relativamente estável e isso não deverá afetar o consumo de alimentos.

As projeções para os produtos agrícolas estão baseadas nas hipóteses de continuação da tendência da real valorização das taxas de câmbio das moedas nacionais contra o euro e o dólar dos EUA, o que foi visível nos últimos anos. Isso leva a uma pressão competitiva contínua na agricultura dos CEECs e requer uma rápida reestruturação, especialmente no que se refere a um trabalho intensivo para manter a competitividade. Nenhum movimento significativo nas taxas de câmbio, bem como nos custos de produção, poderá influenciar os níveis de produção e os padrões de consumo nos CEECs e, conseqüentemente, no comércio.

A crise da Rússia em 1998 levou ao declínio de um importante mercado de exportação dos CEECs e também, a uma grande reorientação do comércio agrícola a outros destinos geográficos, nos anos subseqüentes. Em particular, o comércio entre os CEECs entre si ganhou importância. Entretanto, os mercados de exportação para fora da UE e dos CEECs permanecem estreitos, uma característica que poderá, em certos setores, ser muito mais percebida do que no presente, de forma que a produção poderá começar a exceder o consumo doméstico.

Continuando os acordos europeus feitos no início da década de 1990, os "acordos de duplo zero" entre a UE e os CEECs, concluídos em 2000, aumentaram os processos de liberação do comércio bilateral entre os países candidatos e a UE. Os acordos de "duplo lucro", que representam mais um passo na liberação do comércio bilateral, deverão ser adotados para a maioria dos CEECs na segunda metade deste ano. Esses acordos visam uma liberação mútua do comércio de alimentos agrícolas para os produtos mais sensíveis e representam um importante passo na integração do mercado, antes do aumento da UE com a incorporação de outros países. Os acordos de "duplo lucro" não foram incluídos nas projeções deste relatório.

Os 15 países membros da UE são os mais importantes parceiros comerciais dos CEECs. Um processo bem sucedido de liberação do comércio bilateral e uma eventual integração ao Mercado Único requerem que ambos, produção primária e indústrias de processamento de alimentos dos CEECs, melhorem seus padrões de qualidade e custos estruturais, de forma a se tornarem aptos a cumprir com as expectativas de segurança e qualidade dos alimentos dos consumidores do grande mercado europeu. Desenvolvimentos com bons resultados têm sido observados na maioria dos CEECs. O programa SAPARD8, que foi adotado por todos os CEECs, ajuda a resolver este problema e tem contribuído para o foco das políticas nacionais. Entretanto, aumentar o ritmo da reestruturação da agricultura e do processamento de alimentos exigirá consideráveis esforços adicionais nos CEECs que, entre outras medidas, irão requerer investimentos adicionais, investimentos diretos na política externa e programas nacionais adicionais.

3. Mercados e condições climáticas

O ano 2000 foi um ano de extremos nos CEECs. Os ajustes feitos após o colapso no mercado da Rússia se tornaram totalmente aparentes nos dados de produção do setor animal. Além disso, muitos países foram afetados pela seca desde o início do processo de transição. Os preços das commodities agrícolas, especialmente das colheitas, aumentaram consideravelmente em resposta ao limitado fornecimento de cereais. Os preços relativamente altos no mercado mundial e a prática de alguns países candidatos para manter amplamente as altas tarifas de importação e para neutralizar as importações preferenciais, que sinalizou uma mudança significativa nas políticas comparadas com as situações similares nos anos anteriores, contribuíram para este aumento de preço.

Em muitos aspectos, o ano de 2001 apresentou mudanças nas condições de produção de grãos dos CEECs. As boas condições climáticas durante o ano levaram a boa produção e safras excepcionais na maioria dos CEECs. As excepcionais condições climáticas de 2001 não deverão se repetir em 2002. As condições no outono foram muito úmidas, o que atrasou algumas colheitas no inverno.

As temperaturas no inverno foram mais baixas do que em 2001 e a quantidade de cobertura de neve não pôde evitar a morte por congelamento. Bulgária, Romênia Central e Estados Bálticos foram especialmente afetados. Nos meses que se seguiram, entretanto, as condições climáticas melhoraram, em termos de temperatura e balanço de umidade. Isso teve efeitos positivos na Polônia, nos Bálticos, e no norte e centro da Romênia, particularmente. Condições levemente desfavoráveis apareceram na Hungria, nas Repúblicas Tcheca e Eslováquia. O desenvolvimento das condições climáticas nos CEECs parece indicar, até agora, uma volta à normalidade nas colheitas neste ano, com produção média.

Em 2001 e 2002, as novas políticas de importação e de mercado de alguns CEECs contribuíram para preços relativamente altos destas colheitas, onde a produção interna foi insuficiente. Além disso, os altos preços dos cereais contribuíram para a deterioração da competitividade interna da produção de animais domésticos, particularmente de suínos. Isso foi parcialmente compensado pelas intervenções no mercado de suínos de alguns países.

Entretanto, o recente excesso de produção e os grandes estoques, devido ao estreitamento dos mercados de exportação e aos altos custos de transporte, levaram a reduções nos preços agrícolas em um número de países, mais notavelmente na Hungria. No entanto, o mercado e a situação dos estoques nos países que são importadores líquidos, como a Polônia, parecem ter indicado uma pressão emergindo nos preços dos cereais, a não ser que os níveis de estoques sejam estendidos. A média prevista de safra em 2002 poderá provocar uma pressão futuramente nos preços domésticos dos CEECs, se os níveis de estoques se mantiverem como estão atualmente.

Apesar desta pressão óbvia, que poderá levar a mudanças nas políticas de mercado em alguns dos CEECs em médio prazo, políticas nas simulações estão assumindo que se manterão imutáveis durante todo o período analisado.

4. Leite e produtos lácteos

O setor de lácteos é o mais importante para a maioria dos CEECs e simplesmente a commodity mais importante para a contribuição na renda agrícola. Juntamente com o setor de carne bovina, o leite é a área aonde os CEECs vêm apresentando as mais significativas reduções durante os anos 1990s.

O setor poderá em particular sofrer com os cálculos da taxa de câmbio real, que poderá levar à deterioração dos preços domésticos para os produtos lácteos em termos nacionais, enquanto os custos dos fatores domésticos, como trabalho e terra, irão ganhar mais peso. Os CEECs vêm fazendo esforços significativos para estimular a reestruturação do setor. Com a introdução das normas de qualidade da UE na maioria dos países, a indústria de lácteos demanda cada vez mais padrões mais altos para o leite, o que força a produção do mercado a se reestruturar.

A parte do leite de alta qualidade que é distribuído vem aumentando na maioria dos países. Em muitos países, a produção de leite de subsistência de pequenos produtores é um elemento importante da produção e do uso doméstico do leite. No passado, a produção de subsistência e semi-subsistência contribuiu para a estabilização da produção de leite. A produção vem, no entanto, se mantendo em certo nível, mas os níveis de renda vêm se deteriorando significativamente.

A produção de subsistência, especialmente de leite, vem ganhando importância em alguns países, devido às condições econômicas e sociais nas áreas rurais, que têm piorado. O desenvolvimento desta natureza indica a elevação dos problemas de pobreza no meio rural em médio prazo sob as políticas domésticas de alguns CEECs que, ao juntamente com os desemprego rural, será o maior desafio das políticas.

Muitas das futuras decisões nas mudanças estruturais são menos dependentes das políticas do mercado de lácteos do que dos desenvolvimentos econômicos e sociais nas áreas rurais. O contínuo desemprego em nível alto, bem como a pobreza, irão certamente dificultar mudanças estruturais na produção de leite, mesmo se as políticas agrícolas nos CEECs forneçam incentivos à produção.

A produção de leite nos CEECs deverá se manter sob pressão, uma vez que as atuais políticas deverão se manter. Essa pressão é oriunda da taxa de câmbio real e ao estreitamento dos mercados de exportação para leite em pó desnatado e manteiga. Isso geralmente deixa pouco espaço para o aumento dos preços domésticos. O aumento nos investimentos nas propriedades leiteiras, que poderá contribuir para a obtenção de uma produção economicamente viável e com um custo compatível, está de forma geral ainda muito limitado para equilibrar as pressões competitivas.

Sob a previsão de políticas nacionais imutáveis os preços domésticos do leite não deverão se manter nos altos níveis ocorridos nos últimos 2 anos. A crescente reestruturação irá reduzir mais para frente a produção de leite nos CEECs, que deverá cair 2,6 milhões de toneladas de 2002 para 2009. Esta redução na produção é particularmente visível na Bulgária, na Polônia e na Romênia.

Gráfico 5 - Mais importantes produtores de leite em 2002 e em 2009 (1000 toneladas)



O número de vacas leiteiras caiu de mais de 10 milhões em 1992 para 7,2 milhões em 2001 e um novo decréscimo está previsto para 2002, ficando em 7,1 milhões. Essa tendência de queda continuará durante todo o período analisado (até 2009), sendo que a previsão é de que, em 2009, o número de vacas seja de cerca de 5,5 milhões.

A redução no número de vacas leiteiras tem sido parcialmente contrabalançada pelo aumento na produção média de leite, que deverá atingir o volume de 3,9 toneladas por vaca em 2002. A produção média deverá aumentar durante o período analisado para 4,6 toneladas por vaca até 2009. Entretanto, o efeito do declínio no número de vacas leiteiras na produção será mais forte do que o impacto positivo causado pelo aumento da produção. De fato, a produção de leite deverá cair de 27,7 milhões de toneladas em 2002 para 25,1 milhões de toneladas em 2009, sendo esta redução mais evidente na Bulgária, Polônia e Romênia.

Tabela 6 - Situação e perspectivas do mercado de lácteos nos CEECs, 1999-2009



Como ocorreu nos últimos anos a demanda por leite e produtos lácteos nos CEECs deverá continuar crescendo. Entre 2002 e 2009, o consumo humano desses produtos deverá aumentar cerca de 2,6 milhões de toneladas, passando de 23,1 milhões de toneladas para 25,7 milhões de toneladas. O aumento da renda dos consumidores deverá resultar primariamente em um aumento do consumo de queijos e produtos lácteos frescos, enquanto o consumo de manteiga deverá permanecer mais ou menos estagnado. O consumo per capita de leite e de produtos lácteos deverá aumentar de 221 quilos por pessoa em 2002 para 244 quilos por pessoa em 2009. Ao mesmo tempo, o uso do leite na nutrição animal deverá diminuir, seguindo a redução no rebanho leiteiro e o declínio na produção de carne bovina. Como resultado disso, o uso doméstico total deverá aumentar somente 0,7 milhão de toneladas, passando de 25,8 milhões de toneladas em 2002 para 26,5 milhões de toneladas em 2009.

O uso na nutrição animal caiu de 3 milhões de toneladas em 1992 para 2,6 milhões de toneladas em 2001, justamente seguindo a tendência do declínio no tamanho do rebanho leiteiro. As projeções sugerem que ocorrerão mais declínios nos rebanhos bovinos, tanto leiteiro como de corte, o que irá causar mais um decréscimo deste consumo, que chegará a 0,8 milhão de toneladas em 2009.

Para os países onde as estatísticas estão disponíveis, as quantidades industrializadas (distribuídas) pelas indústrias foram de, em média, 65% do total produzido em 2000. Entretanto, existem grandes diferenças entre os países. As distribuições estão em torno de 92% do total produzido na República Tcheca; 85% na República Eslovaca; 80% na Hungria; 70% na Eslovênia; 60% na Estônia; 65% na Lituânia; 58% na Polônia; 48% na Letônia; 37% na Bulgária e cerca de 20% na Romênia. A futura divisão da orientação no mercado da produção de leite sobre a produção total irá depender de forma crucial da direção tomada pelas mudanças estruturais.

Os CEECs como um grupo foram exportadores líquidos de leite e produtos lácteos na década de 1990s, especialmente de leite em pó e manteiga. A expectativa é de que, sob a atual política nacional, os CEECs se tornem importadores líquidos de leite em médio prazo. Os estados Bálticos, Eslovênia, República Tcheca e Eslováquia permanecerão, entretanto, como exportadores líquidos de leite, apesar das exportações ainda apresentarem uma tendência de declínio.

Manteiga

A produção de manteiga caiu de mais de 425 mil toneladas em 1992 para 323 mil toneladas em 2001. A produção deverá continuar caindo no período analisado, para cerca de 263 mil toneladas em 2009. A deterioração dos preços da manteiga, devido à revalorização das taxas de cambio e à grande lucratividade de outros produtos (principalmente de leite fresco), poderão desviar o leite para a produção de produtos mais rentáveis.

O consumo de manteiga esteve relativamente estável nos últimos anos, em torno de 2,7 quilos por pessoa, e a expectativa é que ocorra um leve aumento para 2,9 quilos por pessoa até 2009 (comparado com os 4,6 quilos per capita na União Européia). Como conseqüência do declínio da produção e do aumento do consumo, o fornecimento exportável irá decrescer de cerca de 45 mil toneladas em 2002 para 9 mil toneladas em 2004. Depois de 2004, os CEECs deverão se tornar importadores líquidos de manteiga, com a balança atingindo um déficit de 41 mil toneladas até 2009. A Polônia produz mais da metade da manteiga produzida pelos CEECs, seguida pela Lituânia e Estônia.

Tabela 7 - Situação e perspectivas do mercado de manteiga nos CEECs, 1999-2009



Queijos

Enquanto a produção de manteiga vem apresentando um declínio, os queijos vêm apresentando uma tendência de alta desde 1992, tanto em termos de produção como de consumo. Em 2001, a produção de queijos nos CEECs aumentou para 946 mil toneladas. A expectativa de declínio na produção de leite nos CEECs, bem como do consumo nos mercados internos, não permitirão uma expansão adicional na produção de queijos, a menos que os investimentos no setor de lácteos venham a aumentar a competitividade.

A produção de queijos deverá cair de 972 mil toneladas em 2002 para 825 mil toneladas em 2009. O maior produtor continuará sendo a Polônia, seguida da Hungria e da República Tcheca.

O aumento do rendimento deverá levar a um modesto aumento no consumo per capita de queijos para 9,7 quilos (19 kg/pessoa na UE) até o final do período analisado. O aumento da demanda e o declínio da produção irão requerer importações de 197 mil toneladas em 2009 para satisfazer a demanda interna nos CEECs.


Tabela 8 - Situação e perspectivas do mercado de queijos nos CEECs, 1999-2009



Parte III - Previsões para os mercados agrícolas mundiais

I. Introdução

Esta parte do relatório pretende dar uma visão geral sobre as previsões de longo prazo nos mercados mundiais para alguns produtos agrícolas. Enquanto a Comissão Européia desenvolveu suas próprias projeções de mercado para a UE e para os países europeus candidatos a entrarem no bloco, a previsão feita dos mercados mundiais foi basicamente feita com base em relatórios e projeções divulgadas por diferentes organizações internacionais, instituições de especialistas e, em particular, com base em três principais grupos de projeções de médio prazo para o mercado agrícola internacional.

Primeiro vem o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), através de sua agência chamada World Agricultural Outlook Board (USDA Baseline), o segundo do Instituto de Pesquisa e Política Agrícola e Alimentar (FAPRI), com suas unidades na Universidade de Missouri-Columbia e Universidade do Estado de Iowa, que fornecem análises e previsões econômicas ao Congresso dos EUA (FAPRI Outlook). A terceira fonte de dados utilizada consiste nas previsões de médio prazo feitas pela Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE), que refletem as informações fornecidas por seus membros, bem como uma análise independente feita pelos membros da OCDE.

Essas previsões constituem as mais recentes e completas feitas para longo prazo disponíveis até agora. Entretanto, elas foram coletadas para este relatório no final de 2001 e/ou no início de 2002, com base nas informações disponíveis no final de 2001. Sendo assim, elas não levam totalmente em consideração os mais recentes desenvolvimentos na situação econômica geral e nos mercados agrícolas, notavelmente no que se refere à desvalorização e flutuação do peso argentino, bem como com relação à entrada da China na OMC. Além disso, as previsões assumem a continuação do FAIR Act nos EUA.

2. Previsão das principais tendências

A FAPRI, a OCDE e o USDA forneceram previsões de curto prazo marcadas pela contínua, embora lenta, recuperação dos mercados agrícolas após um período mais longo do que o esperado de queda. As previsões de médio prazo para os mercados agrícolas deverão ser direcionadas principalmente por um melhor ambiente macroeconômico, com um crescimento mais sustentável, saudável e amplo. Combinado com o aumento da população, a urbanização e as mudanças nos padrões de dieta dos consumidores, particularmente em muitas economias emergentes, essas previsões para o forte crescimento econômico irão apoiar um firme aumento na demanda por alimentos.

O comércio mundial de commodities agrícolas irá demonstrar um forte crescimento, à medida que a demanda por alimentos alcançará a produção em muitos países desenvolvidos. A maioria do crescimento ocorrerá nas regiões não pertencentes à OCDE, que irão constituir a principal força por trás dessas perspectivas relativamente favoráveis.

Apesar da melhora relativa nos fundamentos de mercado dos principais setores agrícolas que está projetada para o médio prazo, é necessária uma prudente interpretação dessas perspectivas favoráveis. Essas projeções permanecem sujeitas a muitas incertezas que podem ser esperadas para reduzir os padrões positivos previstos para o comércio futuro e o crescimento dos preços. A mais importante inclui o curso futuro da política agrícola em muitas regiões (notavelmente o recentemente aprovado Ato de Segurança Agrícola e Investimentos Rurais dos EUA de 2002), a nova rodada de negociações comerciais bilaterais, as perspectivas macroeconômicas futuras e a extensão do crescimento da produtividade em algumas regiões.

2.1. Previsões para o setor de lácteos

A OCDE e a FAPRI fizeram previsões de que, em médio prazo, o setor de lácteos irá permanecer dominado por uma forte expansão na demanda global por produtos lácteos. Isso irá refletir não somente o crescimento da renda em muitas regiões do mundo, mas também mudanças nas preferências dos consumidores, que aumentarão sua preferência por produtos lácteos (em substituição às carnes). O crescimento da demanda está projetado para ser mais forte nos países que não pertencem à OCDE, notavelmente na Ásia, América Latina e Oriente Médio.

A produção mundial de leite irá crescer a passos sustentados, entre 1,2% e 1,9% em média anualmente no período de 2001 a 2007, apoiada pela grande demanda e pelo aumento nos preços em vários países, principalmente os que não pertencem à OCDE e aqueles que pertencem à OCDE mas que não estão sujeitos a cotas de produção.

Se o consumo de produtos lácteos na região da OCDE não deve sofrer mudanças significativas em médio prazo (com exceção do consumo de queijo e - em menor escala - de leite em pó integral), um sólido e sustentado crescimento da demanda por produtos lácteos está projetado para os países em desenvolvimento, estimulado pelo crescimento da população, aumento da renda disponível, urbanização e mudanças nos padrões da dieta.

Apesar de uma parte significativa deste aumento da demanda estar projetada para ser satisfeita com a produção doméstica, está previsto um espaço para um comércio adicional, embora cada vez mais regionalizado, principalmente na Ásia, no Oriente Médio e na antiga União Soviética. As mudanças estruturais no comércio mundial de produtos lácteos em massa, como leite em pó desnatado e manteiga, para produtos lácteos de maior valor agregado, como queijos e soro de leite em pó, que estão sendo observadas desde o meio da década de 1980, irão se consolidar nos próximos 7 anos, de acordo com as previsões da OCDE (apesar do comércio de manteiga e leite em pó desnatado ainda permanecer substancial). Também estão projetados avanços tecnológicos para estimular o rápido desenvolvimento dos ingredientes lácteos.

As perspectivas para o forte crescimento econômico e para o fortalecimento da demanda por produtos lácteos devem gerar recuperação sustentada nos preços dos produtos lácteos no mercado mundial em médio prazo. Entretanto, a rápida expansão da produção de leite em regiões de baixo custo (como a Oceania) deverá reduzir este padrão de preços. Ao contrário do enfraquecimento em curto prazo, os preços dos queijos deverão apresentar os mais fortes padrões entre os produtos lácteos. Em contraste, o ritmo do aumento dos preços deverá ser mais moderado para o leite em pó, notavelmente leite em pó desnatado, que estará sujeito a grande competição do leite em pó integral e do soro de leite em pó. Os preços da manteiga irão se recuperar de forma modesta e gradual, beneficiando-se também pelo aumento esperado nos preços dos óleos vegetais.

Essas perspectivas de médio prazo permanecem fortemente dependentes do desenvolvimento futuro em alguns mercados chave (existentes ou emergentes), como a Rússia e a Ásia Oriental, enquanto o mercado mundial de lácteos deverá se manter relativamente pequeno. Além disso, a tendência é de concentração e globalização na indústria de lácteos, e uma grande diferenciação dos produtos lácteos deverá fazer com que as projeções comerciais sejam cada vez mais complexas e dependentes da estrutura de custos, produção e estratégia de comercialização das companhias de lácteos.

2.2. Fatores base

Cinco fatores podem ser identificados para explicar esses desenvolvimentos:

(1) Crescimento populacional

O crescimento populacional constitui um determinante tradicional da demanda por alimentos. O crescimento anual global da população vem apresentando um firme declínio desde a segunda metade da década de 1960, caindo de 2,1% na década de 1960 para 1,3% em 2000.

As estimativas prevêem que este padrão continuará pelos próximos 7 anos e a população mundial deverá aumentar entre 1,1% e 1,2% por ano no final da década. Entretanto, nesta década deverá ocorrer o maior crescimento populacional mundial absoluto da história. A estimativa é de que a população mundial aumente anualmente em cerca de 75 a 80 milhões de pessoas. O padrão do crescimento populacional será bastante diferente nas diferentes regiões, com a África e o Oriente Médio demonstrando o mais forte aumento, de cerca de 20% nos próximos 7 anos.

Gráfico 6 - Crescimento populacional cumulativo, 2001-2011 (em %)



A expectativa é que o maior crescimento ocorra no Oriente Médio, aonde a população irá se expandir em cerca de 2% ao ano até 2009. O crescimento populacional na África deverá ficar em torno de 1,5%-1,6% ao ano em 2009, segundo as projeções do USDA e da FAPRI. Isso constituirá em uma grande queda com relação à revisão feita no ano passado pelo USDA, onde a expansão projetada para a África era de um crescimento estável de 2,2% ao ano até o final da década. As próximas regiões de mais rápido crescimento serão a América Latina e a Ásia, com média entre 1,0% e 1,1% por ano em 2009. Mais de 90% do aumento da população mundial irão ocorrer nos países em desenvolvimento, com mais da metade sendo na Ásia. Em contraste, as economias em transição estão projetadas para exibir uma queda na população geral.

(2) Forte repercussão no crescimento econômico mundial

O principal fator que contribuirá com a melhora nas previsões de médio prazo para os mercados agrícolas em todas as projeções feitas relaciona-se às projeções para um favorável ambiente macroeconômico, baseado em um crescimento sustentado e equilibrado na maioria dos países. As previsões econômicas de curto prazo deverão se manter dominadas pela continuação da desaceleração do mercado que afetou a economia mundial em 2001 e sua subseqüente recuperação. Em médio e longo prazo, a maioria das agências antecipou que as reformas estruturais e o grande crescimento da produtividade poderão preparar o terreno para um crescimento renovado e sustentado na maioria das economias, com uma expansão econômica sobre as médias de longo prazo na maioria das regiões. Se a previsão é de que a Ásia se mantenha como a principal força em expansão da economia mundial, um forte crescimento é esperado nas economias em transição da Europa Oriental e da Rússia, da África e da América Latina, levando a uma redução significativa no diferencial de crescimento entre essas regiões. Esse crescimento econômico geral poderá então ter grandes implicações na demanda global por alimentos, enquanto isso poderá levar a mudanças no padrão de consumo de alimentos em muitos países em desenvolvimento.

Enfraquecido pela desaceleração global ocorrida em 2001, o crescimento mundial do PIB deverá crescer cerca de 2% em 2002, de acordo com as previsões do USDA, OCDE e FAPRI. A partir de 2003, a FAPRI e o USDA anteciparam que o crescimento econômico irá se estabilizar em aproximadamente 3,3-3,4% por ano. Se grande parte deste crescimento deverá ser estimulada pelas economias emergentes, a lenta implementação de várias reformas estruturais esperadas - que irão fornecer os fundamentos para o desenvolvimento de uma economia sustentada em longo prazo - poderá fazer com que as previsões de crescimento fiquem abaixo das taxas registradas na década de 1990 em alguns desses países.

De acordo com as projeções do USDA, os países em desenvolvimento da Ásia irão exibir um crescimento do PIB com uma média de cerca de 6% por ano (liderados pela China que irá apresentar uma taxa de crescimento anual levemente menor do que 8%), isto é, um pouco menor do que na década de 1990. Diante da queda no crescimento do PIB ocorrida em 2001 e 2002 - abaixo de 2% - as economias da Ásia estão somente projetadas para recuperar um moderado padrão de crescimento a partir de 2003, de acordo com a FAPRI. Em contraste, a performance das economias da América Latina deverá ser mais heterogênea, com o fortalecimento do crescimento econômico que deverá atingir a taxa de aproximadamente 4,5% ao ano, em média, no médio prazo. Em curto prazo, essas favoráveis perspectivas irão ocorrer principalmente no Brasil, enquanto a Argentina está atualmente passando por uma severa crise financeira e econômica, parcialmente causada pela cotação de sua moeda com relação ao dólar norte-americano.

O desenvolvimento moderado nos preços do petróleo que está projetado, fornecerá a base para uma média de crescimento econômico de 4% ao ano ou mais nos países do Oriente Médio, ou seja, uma performance semelhante à da década de 1990. Ao contrário do que ocorre em alguns países que passam por problemas políticos que deverão apresentar uma redução no crescimento, a África deverá apresentar um padrão econômico saudável, com crescimento do PIB estimado em mais de 4% em médio prazo.

A Rússia resistiu à redução na economia mundial ocorrida em 2000 e 2001 quando apresentou um grande crescimento do PIB graças a grande depreciação de sua moeda, uma melhora significativa em termos de comércio e de política fiscal. Em médio prazo, as previsões do USDA, OCDE e FAPRI são de continuação da expansão da economia, embora em níveis mais baixos que os anteriores. Esta performance irá, em qualquer caso, constituir em um substancial aumento do crescimento negativo registrado na década de 1990 (de cerca de -4% ao ano). Essas previsões dependem de forma crítica da implementação de reformas estruturais no sentido do estabelecimento de uma economia baseada no mercado e da continuação da integração da Rússia na economia global em termos de comércio, investimento estrangeiro e convertibilidade de moeda. A este respeito, as previsões econômicas e financeiras de médio prazo nesta região constituem a maior incerteza para as previsões futuras dos mercados agrícolas.

Os países da Europa Oriental deverão exibir um sólido crescimento em médio prazo, em particular os países onde as reformas de mercado e a grande abertura ao comércio e competição já foram implementadas (como a Polônia e a Hungria). A FAPRI e o USDA fizeram previsões de crescimento médio nestes países entre 4% e 5% por ano, em médio prazo.

Depois da pior desaceleração econômica ocorrida na última década, a situação econômica nos países desenvolvidos deverá começar a melhorar em 2002 e se recuperará totalmente a partir de 2003. Em médio prazo, estima-se que o crescimento do PIB deverá ficar entre 2,5% e 3,0%, ou seja, acima das taxas obtidas na década de 1990, quando ajustes estruturais implementados durante toda segunda metade da década de 1980 e na década passada criaram uma base para o crescimento. Entretanto, o caminho da recuperação deverá mostrar diferenças significativas. Depois de uma marcada desaceleração em 2001, os Estados Unidos irão, de acordo com as três agências, retornar à sustentabilidade de longo prazo, com taxa significativamente maior do que 3,0% em média durante todo o período analisado.

Problemas estruturais deverão acometer a economia do Japão, com modesto crescimento em médio prazo em torno de 2% ao ano. Devido a uma suave desaceleração, o crescimento econômico na UE irá mostrar uma repercussão mais modesta e menor em médio prazo do que as perspectivas de crescimento dos EUA, com o PIB se estabilizando entre 2,5% e 3,0% em média anualmente.

Apesar do forte crescimento econômico nos países desenvolvidos provavelmente apresentar pequenas implicações diretas na demanda global por produtos agrícolas9, a expectativa é que haja um efeito mais forte no consumo de alimentos nos países que não pertencem à região da OCDE, devido à grande elasticidade da renda per capita.

Este ambiente de firme crescimento em médio prazo deverá ocorrer sem pressões inflacionárias significativas graças aos moderados preços do petróleo em médio prazo - combinados a uma menor dependência da economia da energia - e a um significativo crescimento da produtividade.

As flutuações das oscilações dos preços vêm constituindo um dos principais fatores que afetam o comércio agrícola e os preços nos últimos anos, notavelmente a depreciação do Euro e do Real do Brasil. As projeções feitas pelas três agências diferem significativamente com relação às suas hipóteses nas previsões monetárias nos próximos 7 anos. O USDA assume que não haverá grandes mudanças com relação às taxas de câmbio, com, todavia, uma valorização em curto prazo do Euro em termos reais até 2004, antes de uma lenta desvalorização no restante do período. A OCDE também assume taxas de cambio estáveis em termos reais. De acordo com esta instituição, o dólar dos EUA deverá se manter estável contra o Euro e se enfraquecer com relação ao iene. Alguma desvalorização das moedas da China e da Rússia também está projetada. Em contraste, a FAPRI previu uma valorização do iene japonês, um aumento em curto prazo e uma estabilização subseqüente do Euro até a paridade a partir de 2004, e uma queda drástica no valor das moedas do Brasil e da Argentina em todo o período analisado. As moedas da China e da Rússia também deverão deteriorar em curto prazo, estabilizando-se depois, no restante do período analisado.

(3) Mudanças no padrão da dieta

A maior renda per capita deverá ter profundas repercussões na natureza e na composição da demanda global por alimentos devido à direta correlação entre o crescimento per capita na renda e a diversificação da dieta. A demanda por produtos derivados de carne, alimentos e bebidas processadas deverá aumentar nos países em desenvolvimento de acordo com o aumento da renda. Um grande grau de urbanização e abertura de mercado deverá também se traduzir em uma substituição da demanda por produtos à base de trigo e carne.

(4) Um padrão diferenciado da produção de alimentos e consumo poderá levar a um certo desequilíbrio regional, bem como a um aumento do comércio

As previsões para o comércio em médio prazo dependem muito dos padrões diferenciados da produção doméstica e do consumo a nível regional. Apesar da previsão ser de um aumento da produção agrícola nos países em desenvolvimento, a taxa anual de crescimento da produção nestes países ainda está projetada para ser menor do que o aumento no consumo doméstico. Isso irá resultar em um impacto combinado do potencial limitado de terras disponíveis e água (devido à urbanização e a pressão nos recursos agrícolas e meio-ambiente) e um sub-investimento na agricultura (comparado com a maior lucratividade no setor manufatureiro), apesar da extensão dos futuros ganhos em produtividade. Isso levará à emergência alguns grandes países e regiões (como a China, a Coréia do Sul, a Indonésia e o Oriente Médio) com importantes e cada vez maiores importações significativas de produtos agrícolas.

(5) Contínua tendência de uma reforma política e liberação comercial orientada ao mercado

A implementação do Acordo da Rodada do Uruguai na Agricultura e a futura liberação comercial no sistema de novas negociações de comércio bilateral lançadas em Doha em 2001 poderão reduzir as barreiras e aumentar a demanda por importações de alimentos em médio prazo. O ritmo da reforma econômica no sentido da grande liberação de mercados e integração na economia global (em termos de comércio, investimentos e convertibilidade monetária) em muitas regiões, como nas economias em transição, antiga União Soviética e China, deverão ter também um impacto significativo no comércio internacional em médio prazo.

3. Previsões por setor

Esta seção é baseada nas projeções10 de algumas organizações proeminentes (OCDE11, FAPRI, USDA) e de uma avaliação interna da Comissão Européia do possível desenvolvimento nos mercados mundiais agrícolas em médio prazo. Seu objetivo principal não é comparar essas diferentes estimativas ou dar os níveis mais realistas de fornecimento global, demanda e comércio das diferentes commodities, mas sim, dar apenas uma estimativa do possível desenvolvimento dos mercados mundiais nos próximos 7 anos. Como conseqüência, os níveis absolutos das diferentes variáveis consideradas precisam ser interpretados com cautela, e devem ser vistos como o fornecimento de uma ordem de magnitude ao invés de uma estimativa precisa do nível destas variáveis12.

3.1. Leite e produtos lácteos

Essa previsão do mercado mundial de leite e produtos lácteos mantém seu foco na produção de leite em alguns países selecionados e em alguns produtos lácteos, como a manteiga, o queijo e o leite em pó, uma vez que somente uma pequena quantidade de leite fresco é comercializada. Comparando com outros produtos agrícolas, as projeções para o setor de lácteos são mais limitadas uma vez que somente poucas organizações fizeram projeções de longo prazo para este setor13.

De acordo com as previsões da FAPRI e da OCDE, o cenário em médio prazo do setor de lácteos deverá se manter dominado pela forte expansão na demanda global por produtos lácteos. Isso irá refletir não somente o crescimento da renda em muitas regiões do mundo, mas também as mudanças nas preferências dos consumidores com relação aos produtos lácteos (em substituição aos produtos derivados de carnes). O crescimento da demanda está projetado para ser mais forte nos países que não pertencem à região da OCDE, notavelmente na Ásia, na América Latina e no Oriente Médio. Esta forte demanda irá levar a um aumento nos preços dos produtos lácteos em médio prazo. Em muitos países desenvolvidos, os produtos lácteos constituem um componente fundamental da dieta, com relativamente altos níveis de consumo. Sendo assim, não haverá grandes mudanças na demanda por produtos lácteos (com exceção do queijo) nessas regiões. Em contraste, o crescimento populacional, a mudança da dieta em direção a um estilo mais "ocidental", a urbanização e o aumento da renda disponível deverão estimular o consumo de produtos lácteos na maioria dos países em desenvolvimento, em particular na Ásia e na América Latina.

Uma parte significativa do aumento da demanda nos países em desenvolvimento deverá ser satisfeita pela produção doméstica. Enquanto alguns países que não pertencem à região da OCDE (em particular, da América do Sul), poderão se tornar exportadores líquidos, a maioria dos países em desenvolvimento deverão, entretanto, manter-se como importadores líquidos de produtos lácteos, com as importações originando de países desenvolvidos.

As projeções da OCDE e da FAPRI mostram uma situação de médio prazo na qual os tradicionais principais exportadores de produtos lácteos, como a UE, a Nova Zelândia e a Austrália continuando a dominar o mercado mundial de produtos lácteos graças ao aumento da eficiência devido à tecnologia, à proximidade geográfica com os mercados importadores em crescimento, bem como às mudanças na política doméstica (notavelmente na UE a partir de 2005).

Enquanto a crescente demanda por produtos lácteos será direcionada principalmente pela melhora nos níveis de renda, essas projeções de médio prazo parecem ser altamente dependentes do futuro econômico e da situação financeira de muitos países em desenvolvimento. Em particular, qualquer desenvolvimento econômico, político ou financeiro que puder alterar o ritmo da recuperação na Rússia poderá ter grandes implicações no desenvolvimento futuro no volume comercializado mundialmente, bem como nos preços, dando a Rússia participação no mercado mundial de lácteos.

3.3.3. Produção de leite

A produção mundial de leite prevista pela FAPRI e pela OCDE é de um crescimento sustentado a um ritmo de 1,2% e 1,9% em média anualmente respectivamente no período de 2001-2007. Depois de uma relativa desaceleração em 2001 estimada pela OCDE e pela FAPRI em alguns dos principais países produtores (UE, EUA e alguns países da Europa Oriental), a produção de leite irá retomar a expansão apoiada pelo aumento da demanda e dos preços em vários países, principalmente fora da área da OCDE e nos países da OCDE não sujeitos a cotas de produção.

As previsões da OCDE mostram um aumento na produção mundial de leite de 61 milhões de toneladas (+12%) de 2001 a 2007. A maioria desta produção adicional irá se originar fora das áreas da OCDE, onde a produção de leite irá crescer mais de 18% em médio prazo. O maior aumento da produção deverá ocorrer na China, na Índia, no Brasil e na Argentina. Como conseqüência, a participação dos países em desenvolvimento na produção de leite deverá ter um aumento significativo14.

A OCDE e a FAPRI têm previsões diferentes para o setor de lácteos da Rússia. A FAPRI prevê um aumento de 14% na produção de leite da Rússia, devido ao aumento da produtividade que pesará mais do que o impacto do leve declínio no rebanho leiteiro. Ao contrário, as projeções da OCDE sugerem uma relativa estabilização no setor de lácteos da Rússia em curto prazo após o fim de propriedades rurais coletivas. Uma modesta recuperação irá ocorrer depois graças ao maior investimento no setor e a ajustes estruturais que serão feitos.

Gráfico 7 - Previsões para a produção mundial de leite, 1991-2007 (milhões de toneladas)


Ref.: OCDE: dados mundiais totais e da região da OCDE; FAPRI: dados de países selecionados.

Segundo as previsões feitas pela OCDE, a produção de leite na região pertencente à entidade irá crescer em um ritmo similar ao ocorrido na década de 1990. Além disso, a participação na produção mundial dos países desenvolvidos operando sob determinadas políticas leiteiras, em particular a produção por cotas, irá diminuir. A produção na UE irá somente aumentar quando o aumento das cotas que deverá ser implementado em 2005 ocorrer. A Austrália e a Nova Zelândia, os dois maiores exportadores de produtos lácteos do mundo, deverão se beneficiar com o aumento da demanda na Ásia aumentando substancialmente sua produção de leite, embora em um ritmo mais lento do que o ocorrido na década de 1990. Apesar da OCDE ter feito previsões de que a expansão dinâmica da produção de leite deverá continuar em médio prazo, em uma taxa de 15% e 30% para os dois países, a previsão da FAPRI foi mais moderada, com aumentos limitados a 10% e 15%, respectivamente.

Um aumento de 9% na produção de leite durante o período de 2001-2007 está previsto para os EUA, direcionado pelo crescimento da produtividade (associada a um melhor gerenciamento, ao melhoramento do potencial genético e aos grãos para nutrição animal a preços baratos). Graças à contínua reestruturação e melhora na qualidade, a produção de leite nos CEECs deverá aumentar em médio prazo (em particular na Polônia e nos Estados Bálticos), apesar das taxas de crescimento serem diferentes entre os países.

Gráfico 8 - Previsão da produção mundial de leite, mudanças anuais, 2000-2011 (milhões de toneladas)



3.3.4. Produtos lácteos

À medida que o consumo de leite irá exibir somente um modesto crescimento em médio prazo, a maioria da produção de leite que irá aumentar será processada em produtos lácteos. O consumo global de lácteos na região da OCDE não deverá demonstrar grandes mudanças no período de 2001-2007, de acordo com os dados da OCDE. Entretanto, padrões diferenciados deverão ocorrer no consumo dos vários tipos e formas de produtos lácteos com, em particular, um forte aumento no consumo de queijos (+10%, isto é, +6,2% per capita), algum aumento no consumo de leite em pó integral (+5,1%, isto é, 1,5% per capita), uma mera estagnação no consumo de manteiga (+1,0%, isto é, -2,5% per capita) e um marcado declínio no consumo de leite em pó desnatado (-2,6%, isto é, -5,9% per capita).

Ao contrário, na área que a OCDE não abrange deverá ocorrer um marcado aumento no consumo geral de produtos lácteos (notavelmente na Ásia, América Latina e Oriente Médio). De acordo com as previsões da OCDE, um sólido crescimento no consumo de produtos lácteos deverá envolver todos os produtos, embora em uma menor extensão para o leite em pó desnatado. Apesar da demanda por este leite estar projetada para aumentar 12,8% (isto é, + 1,5% per capita) de 2001 a 2007, o consumo de leite em pó integral, manteiga e queijos deverá exibir fortes padrões, com crescimento de mais de 20% (isto é, mais de 10% per capita) de 2001 a 200715. O crescimento populacional, a melhoria nas condições econômicas, o aumento da urbanização e a substituição para dietas mais "ocidentais" irão constituir nestes países os principais fatores determinantes do aumento do consumo de produtos lácteos.

As mudanças estruturais no comércio mundial de produtos lácteos para produtos de massa (leite em pó desnatado e manteiga) para a produção de produtos de alto valor agregado (como queijo e soro de leite em pó), que vem sendo observado desde o meio da década de 1980 deverão se consolidar nos próximos 7 anos, de acordo com o previsto pela OCDE (apesar do comércio de manteiga e leite em pó desnatado ainda permanecer substancial). Os avanços tecnológicos também estão projetados para estimular um rápido crescimento nos componentes lácteos.

Tabela 9 - Previsão das importações totais dos principais produtos lácteos, 2001-2009 (1000 toneladas)


OCDE: Importações líquidas nas regiões não incluídas na OCDE de 2001 e 2007; FAPRI: comércio líquido nos principais países.

O forte aumento no consumo global de produtos lácteos está previsto para os queijos nas projeções da OCDE, com um crescimento cumulativo de 13% de 2001 a 2007 (isto é, 2,1% ao ano, em média). A maioria deste aumento no consumo (de cerca de 60%) ocorrerá nos países da OCDE, que foram responsáveis por 80% do consumo mundial total em 2001, e apresentaram aumento na oferta doméstica. Os EUA e a UE serão responsáveis por mais de 80% da demanda adicional de queijos. As exportações totais e importações dos países da OCDE deverão aumentar em 24% e 9%, respectivamente, no período de 2001 a 2007.

Gráfico 9 - Previsões para o consumo mundial per capita de queijos, 1993-2007 (kg/pessoa)



As importações líquidas de queijos de fora da região da OCDE irão crescer 63% ou 8,5% anualmente até 2007. As previsões da OCDE mostram que o aumento do consumo de queijos na região da Ásia será principalmente satisfeito pelas importações (particularmente no Japão16, na China e na Coréia do Sul, onde a produção doméstica não deverá crescer na mesma medida que o consumo), principalmente de produtos oriundos da Austrália e da Nova Zelândia e, em menor escala, da UE. A demanda crescente projetada nos países da América Latina deverá ser suprida ou pela produção doméstica ou pela expansão da produção na Argentina. Depois de uma queda em 1998 e 1999 devido aos problemas econômicos, as importações da Rússia irão antecipar o crescimento em um ritmo particularmente prolongado no médio prazo conduzidas pela expansão no consumo e pelo modesto aumento da produção doméstica. Apesar da OCDE ter antecipado importações líquidas de queijos pela Rússia de 84 mil toneladas em 2007, a FAPRI previu divergências mais pronunciadas no padrão de produção e consumo domésticos, com as importações líquidas atingindo o volume de 140 mil toneladas em 2007. A maioria destas importações adicionais deverá ser suprida pela UE e pelos CEECs.

A produção mundial de manteiga e o consumo deverão aumentar entre 1,8% (FAPRI) e 2,3% (OCDE) como média anual nos próximos 7 anos. Apesar disso, s OCDE previu que a maioria - mais de 80% - deste crescimento da produção e do consumo de manteiga ocorrerá nas regiões não incluídas na OCDE, uma vez que estes deverão ficar mais estáveis nos países da OCDE. Na região dos países não incluídos na OCDE, o consumo total de manteiga deverá aumentar 25% de 2001 a 2007 (isto é, 3,7% por ano). Uma vez que o crescimento da produção está projetado para ser ultrapassado pela expansão da demanda em alguns desses países (em particular na Rússia, no México e na Índia), a expectativa é que ocorram exportações adicionais dos principais países da OCDE produtores. A maioria do crescimento no comércio de manteiga deverá ser capturada pela UE, Nova Zelândia17 e, em menor extensão, pela Austrália. Estas perspectivas para o comércio mundial de manteiga irão, entretanto, permanecer fortemente dependentes do mercado da Rússia. As projeções da FAPRI e da OCDE antecipam um modesto crescimento das importações neste país (cerca de 50 mil toneladas de aumento de 2001 a 2007) para níveis históricos. Além disso, devido à conquista da Rússia de uma parte do mercado mundial de lácteos nos últimos anos, qualquer mudança nos níveis de importação deste país poderá ter um impacto significativo no desenvolvimento futuro no tamanho do mercado e preços de manteiga.

Gráfico 10 - Previsões para o consumo mundial per capita de manteiga, 1993-2007 (kg/pessoa)



A FAPRI e a OCDE fizeram previsões similares com relação às perspectivas do mercado de leite em pó. Apesar das duas entidades terem previsto um crescimento sustentado no consumo mundial de leite em pó integral, ficando entre 1,6% e 2,5% por ano, respectivamente, o leite em pó desnatado deverá apresentar um crescimento mais modesto, entre 1,0% e 1,3% por ano, devido ao declínio projetado na demanda por este produto nos países da OCDE18. Se as futuras perspectivas de crescimento do comércio de leite em pó foram, de um modo geral, consistentes em mostrar um firme aumento no comércio de leite em pó, sua magnitude e ritmo diferem de forma significativa nas previsões da FAPRI e da OCDE. Alem disso, as entidades apresentaram contrastes nas projeções do ano passado, onde se previu que o comércio de leite em pó desnatado apresentaria um declínio em médio prazo.

Segundo as previsões da FAPRI, após um grande aumento de curto prazo em 1999, as importações de leite em pó desnatado da Rússia irão cair de volta aos baixos níveis, enquanto a produção deverá se recuperar. Os países em desenvolvimento da Ásia, da América Latina e da África irão demonstrar uma aguda redução em seu crescimento geral da demanda por importações, sendo que as importações totais de leite em pó desnatado desses países irão aumentar cerca de 50 mil toneladas até 2009/10. Após vários anos de contínuo declínio, as importações de leite em pó desnatado do Japão e do México irão aumentar levemente. As exportações deste produto da UE irão aumentar lenta e modestamente em médio prazo, enquanto que os EUA - depois de uma liberação inicial dos estoques públicos - vão apresentar uma tendência de declínio das exportações de leite em pó desnatado.

A grande lucratividade nos demais mercados de lácteos (queijos e leite em pó integral) deverá reduzir o desenvolvimento nas exportações de outros tradicionais exportadores (como Austrália e Nova Zelândia). A FAPRI previu crescimento total no mercado de leite em pó integral de 13% no período de 2001-2009 (comparado com o 7% de aumento previsto para o leite em pó desnatado). Uma demanda adicional das importações de leite em pó integral deverá se estender em toda a região não incluída na OCDE e puxada principalmente pelas exportações adicionais da Nova Zelândia (70% do crescimento total), Argentina e Austrália. Em contraste, as exportações da UE deverão se estagnar em 480 mil toneladas em médio prazo.

Após uma significativa queda em 2001, as exportações de leite em pó desnatado dos países da OCDE deverão aumentar e a previsão é de um aumento de 26% no período de 2001-2007, com a Nova Zelândia e - em extensão muito menor - a Polônia capturando a maior parte deste comércio adicional. As exportações totais de leite em pó integral dos países da OCDE deverão continuar crescendo no médio prazo, após um aumento observado em 2001. A crescente demanda na América Latina, África do Norte e Ásia deverá ultrapassar o potencial de produção doméstica e gerar uma expansão significativa no comércio entre os países da OCDE e o resto do mundo de cerca de 23% de 2001 a 2007. Assim como nas projeções da FAPRI, a OCDE previu que a Nova Zelândia e a Austrália irão capturar a maior parte deste comércio adicional, em detrimento da UE.

3.3.5. Preços dos produtos lácteos

As perspectivas de forte crescimento econômico e fortalecimento da demanda por produtos lácteos deverão, segundo as projeções da FAPRI e da OCDE, gerar uma recuperação sustentada nos preços dos produtos lácteos no mercado mundial em médio prazo. Entretanto, a rápida expansão da produção de leite nas regiões de baixos custos (como a Oceania) deverá reduzir este padrão dos preços.

Os preços dos queijos deverão apresentar o padrão mais forte entre os preços de todos os produtos lácteos. Após um curto período de enfraquecimento, eles irão se recuperar rapidamente, apoiados pelo firme crescimento no consumo global19. Em contraste, o ritmo de aumento dos preços deverá ser mais modesto no caso do leite em pó, principalmente de leite em pó desnatado, que deverá sofrer os efeitos da grande competição com o leite em pó integral e com o soro de leite em pó. Após ter alcançado altos níveis em 2000 e 2001, os preços do leite em pó deverão cair em 2002, antes de começar a se recuperar a partir de 2003. os preços da manteiga irão se recuperar modestamente e gradualmente, beneficiando-se do aumento esperado nos preços do arroz e dos óleos vegetais.

Gráfico 11 - Previsões para os preços de manteiga e queijos no mercado mundial, 1991-2009 (US$/tonelada)


Ref.: Queijos: preços de exportação FOB do queijo cheddar 18,14 quilos em bloco, Norte da Europa; manteiga: preços de exportação FOB do Norte da Europa.

Essas perspectivas de médio prazo permanecem fortemente dependentes do desenvolvimento futuro em mercados chave (existentes ou emergentes), como a Rússia e o Leste da Ásia, enquanto o mercado mundial de lácteos deverá permanecer relativamente pequeno. Além disso, a tendência de concentração e globalização da indústria de lácteos e a grande diferenciação dos produtos lácteos deverão fazer projeções comerciais para os produtos lácteos cada vez mais complexas e dependentes da estrutura de custos, produção e estratégia de comercialização das companhias de lácteos.

Gráfico 12 - Previsões para os preços de leite em pó desnatado e integral no mercado mundial, 1991-2009 (US$/tonelada)



Referências

Alain Pouliquen (2001). Competitiveness and Farm Income in the CEEC Agri-Food Sectors. Implications before and after Accession for EU Markets and Policies. Independent Study for the European Commission.

European Commission, 2001. Prospects for Agricultural Markets 2001 - 2008. Brussels.FAPRI, 2002. World Agricultural Outlook. Iowa State University - University of Missouri-Columbia.

European Commission (2002). Analysis of the Impact on Agricultural Markets and Incomes of EU Enlargement to the CEECs. DG Agriculture.

FAPRI, 2001. World Agricultural Outlook. Iowa State University - University of Missouri-Columbia. International Monetary Fund, April 2002. World Economic Outlook. World Economic and Financial Surveys. Washington.

Macours, K. and J.F.M. Swinnen (1997). Causes of Output Decline in Economic Transition: The Case of Central and Eastern European Agriculture, PRG Working Paper No. 11, Department of Agricultural Economics, Leuven.

Münch, W. (2000). Effects of CEC-EU Accession on Agricultural Markets: A Partial Equilibrium Analysis. Doctoral Dissertation. Institut für Agrarökonomie der Universität Göttingen. Peter Lang Verlag (forthcoming).

OCDE, 2002. Preliminary information on the Agricultural Outlook, 2002-2007. Paris.(Unpublished document).

OCDE, 2001. The OCDE Agricultural Outlook, 2001-2006. Paris.

Roningen, V.O. and P.M. Dixit (1989). Economic Implications of Agricultural Policy Reform in Industrial Market Economies. United States Department of Agriculture. Economic Research Service. Agriculture and Trade Division. Washington, DC.

Tangermann, S. and T.E. Josling (1994). Pre-Accession Agricultural Policies for Central Europe and the European Union. Study commissioned by DG I of the European Commission. Göttingen.

USDA, 2002. Agricultural Baseline Projections to 2011. Washington D.C.

_____________________________________
1 - As estimativas feitas pelos especialistas de mercado indicam que quase meio milhão de vacas leiteiras podem ter sido incluídas nas medidas de restrição da febre aftosa, bem como no Esquema de Controle do Bem Estar dos Animais Domésticos.
2 - Todos os dados se referem aos 15 países membros da UE, mesmo antes do aumento do bloco, ocorrido em 1995. O número de vacas leiteiras refere-se aos dados do mês de dezembro de cada ano.
3 - Os dados comerciais mais recentes indicam que a participação das exportações de queijos sem subsídios aumentou de cerca de 21% em 1998 para 26% em 2001.
4 - Os preços domésticos de leite em pó desnatado aumentaram rapidamente na segunda metade do ano 2000, um aumento de mais de 130% sobre o preço de intervenção, em média na UE. Os preços, no final de junho de 2001, estavam ainda mais altos do que os níveis da intervenção (em mais de 120% dos preços de intervenção), mas eles caíram nos meses seguintes e estão, atualmente, nos níveis de intervenção.
5 - Devido à redução temporária da taxa de incorporação no uso de leite em pó desnatado na alimentação de bezerros.
6 - Bulgária, República Tcheca, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Polônia, Romênia, República da Eslováquia e Eslovênia.
7 - Este é um trabalho de hipóteses, de forma que não prejudica a data de entrada ou a modalidade de acessão à UE de nenhum dos países candidatos.
8 - Programa Especial de Acessão para o Desenvolvimento Agrícola e Rural (SAPARD).
9 - Entretanto, o crescimento econômico nos países desenvolvidos é crucial para estimular o crescimento a nível mundial, o que será então transformado em maior demanda e comércio global de alimentos.
10 - É importante mencionar que essas projeções não são sempre diretamente comparáveis. Elas às vezes diferem com relação à cobertura geográfica, a natureza precisa da commodity relacionada, nas variações de preços usadas e no período histórico referencial. Apesar destas divergências, é possível apontar algumas das principais tendências apresentadas.
11 - No delineamento destas análises de mercado, a Comissão teve acesso às projeções preliminares estabelecidas pelo Secretariado da OCDE no contexto de suas previsões de médio prazo para o período de 2002 a 2007. Os resultados finais foram programados para ser desclassificados após a discussão da OCDE sobre políticas e mercados agrícolas, que aconteceu em 21 e 22 de maio de 2002 e foi publicado no OCDE Agricultural Outlook. Esta discussão pode ter levado a modificações nas projeções preliminares usadas neste relatório.
12 - Essas projeções não têm a intenção de prever o futuro, mas sim, descrever o que poderá acontecer considerando específicas hipóteses e circunstâncias. As projeções representam um cenário plausível em longo prazo que presume a continuação do atual comércio e política agrícola, sem grandes mudanças climáticas ou políticas, e com hipóteses específicas referentes à macroeconomia global, aos desenvolvimentos internacionais, ao crescimento da produtividade, bem como a outros fatores que afetam a produção, o consumo e o comércio de alimentos. É obviamente impossível dar uma visão abrangente de todas as hipóteses e políticas macroeconômicas adotadas em cada análise. Isso pode ser encontrado nos documentos citados nas referências.
13 - O USDA, por exemplo, manteve seu foco somente no mercado de lácteos dos EUA em suas mais recentes publicações de previsões de longo prazo.
14 - O OCDE previu que nas regiões que não pertencem à entidade a participação na produção mundial de leite irá atingir cerca de 51% até o final do período projetado. Uma conseqüência é que a participação de leite de outros animais que não a vaca deverá também expandir (uma significativa participação do leite produzido nos países em desenvolvimento é proveniente de búfalos, caprinos, ovinos e camelos).
15 - As previsões da OCDE sugerem que o consumo de leite em pó desnatado, manteiga e queijos irá aumentar nas áreas não incluídas na OCDE em 22,8%, 25% e 25,6% de 2001 a 2007, respectivamente (isto é, 10,4%, 12,4% e 13,0% per capita).
16 - As previsões da FAPRI prevêem um declínio na produção de queijos no Japão.
17 - As projeções da FAPRI sugerem que a produção adicional da Nova Zelândia será exportada principalmente como queijos e leite em pó integral.
18 - Um consumo adicional de leite em pó integral será usado para a reconstituição do leite, deslocando o leite em pó desnatado e o leite condensado. Além disso, o leite em pó desnatado estará diante da competição com o soro de leite em pó em ração animal e alimentos processados.
19 - Os preços no mercado mundial de queijos permanecerão abaixo dos preços domésticos na UE no médio prazo, apesar da previsão de redução desta diferença. Entretanto, o queijo do tipo cheddar não é totalmente representativo da produção de queijos da UE.

Elaboração: Juliana Santin
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