Pesquisa aponta cenários de impacto das mudanças climáticas na produção de leite em Goiás

No estado de Goiás, o número de dias por ano em que as condições climáticas geram estresse acima do limite suportável pode comprometer o desempenho das vacas de raça holandesa a partir de 2061.

Publicado por: MilkPoint

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Estudo indica que mudanças climáticas podem aumentar o estresse térmico em vacas holandesas em Goiás a partir de 2061, mesmo com a redução das emissões de gases. Vacas da raça girolando, que combina características de ambas as raças, apresentam melhor adaptação. A pesquisa, apresentada no Euragen World Congress, sugere que adaptações como troca de raça ou melhorias genéticas podem ser necessárias. O projeto envolve parcerias internacionais e análises de dados de estresse térmico em diferentes cenários climáticos.

Como as mudanças climáticas podem afetar a produção de leite? No estado de Goiás, o número de dias por ano em que as condições climáticas geram estresse acima do limite suportável pode comprometer o desempenho das vacas de raça holandesa a partir de 2061, mesmo considerando um cenário de redução nas emissões globais de Gases de Efeito Estufa. Os animais da raça girolando, cruzamento do gado holandês com o gado Gir, teriam melhor capacidade de adaptação. Ainda assim, poderiam ter restrições nos cenários de condições climáticas mais severas, especialmente no Noroeste do estado.

O prognóstico está em uma pesquisa com o zoneamento de risco de estresse térmico em diferentes cenários climáticos para composições raciais de gado leiteiro no estado de Goiás. Ele foi divulgado no Euragen World Congress, realizado em Torino, na Itália. A pesquisadora Nicole Costa Resende Ferreira, da Embrapa Terrtorial, que apresentou o trabalho, explica como antecipar os cenários pode ajudar a preparar a adaptação dos produtores. “Em algumas regiões, a gente vê que não seria o caso de medidas drásticas de adaptação. Por exemplo, trocando o gado holandês pelo girolando ou por um girolando com uma composição mais alta de Gir, você já conseguiria produzir melhor. Para outras regiões, só trocar a raça não seria o suficiente. Seria preciso alterar infraestrutura ou investir em melhorias genéticas para o animal ser mais resiliente”, detalhou.

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A raça girolando combina a característica de alta produção leiteira das vacas holandesas com a capacidade de adaptação e rusticidade da raça Gir. Há diferentes composições para formação da raça: desde 1/4 Holândês + 3/4 Gir até 7/8 Holandês + 1/8 Gir, de acordo com a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando. A pesquisa apresentada no congresso italiano mostra como as mudanças climáticas impactariam vacas puramente holandesas e as girolandas com 1/8, 1/4 e 3/4. As análises foram feitas para dois níveis de severidade de alterações no clima e quatro períodos: 1986-2005, 2021-2040, 2041-2060 e 2061-2080.

Esse estudo é parte do projeto de pesquisa “Impacto das mudanças climáticas na produção de leite e bem-estar de vacas leiteiras criadas no estado de Goiás, Brasil”, apropriado na Embrapa Territorial e com a participação da Universidade Federal de Goiás, a Associação Girolando e a Universidade de Florença, na Itália. Dada a parceria, Nicole e parceiros do projeto visitaram experimentos da universidade italiana, durante a viagem ao país europeu para participar do projeto.

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Aqui no Brasil, também há experimentos em uma fazenda de produção leiteira, com gado a pasto e confinado, em Goiás. Esse primeiro trabalho foi feito a partir do banco de dados da associação, com dez anos de informações sobre os limiares de estresse da raça com um indicador clássico, o índice de temperatura e umidade. Com o experimento na fazenda, estão sendo coletados dados para desenvolver um índice mais complexo, que considere também outros aspectos com influência no bem-estar animal. O projeto começou a ser desenvolvido em 2025 e tem duração de quatro anos.

As informações são da Embrapa, adaptadas pela equipe MilkPoint.

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