Pecuaristas ganham com queda na oferta de leite

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A queda na oferta de leite, iniciada a partir da segunda quinzena de janeiro e com pico negativo projetado de 15% a 20% na entressafra em abril, deve provocar um aumento do preço do produto ao consumidor a partir desta semana, segundo reportagem de Daniele Gonçalves, publicada hoje na Gazeta Mercantil. Em consequência disso, a remuneração paga aos pecuaristas sofrerá uma recuperação. Só nos primeiros 15 dias deste mês o preço de tabela do longa vida para o mercado final subiu R$ 0,10.

Na opinião de Eduardo Nascimento, coordenador de captação leiteira da Cooperativa Nacional Agroindustrial (Coonai), de Ribeirão Preto, a perda de qualidade no ciclo de pastagem, os sistemas de cota de leite, a estiagem e o ciclo reprodutivo dos animais com a concentração da produção nas fazendas leiteiras entre abril e junho são os principais responsáveis pelo recuo na produtividade. Para ele, a falta do produto no mercado em 2001 deve ser mais agressiva do que em anos anteriores, devido ao volume menor de pastagens, o aumento da demanda, dada pela volta às aulas e fatores externos, uma vez que o déficit entre o que é produzido e o que é consumido gira em torno de 4 bilhões de litros/ano no Brasil.

A importação de leite em pó, que abastece o mercado interno brasileiro, deve ser dificultada esse ano em decorrência das medidas antidumping a serem adotadas pelo governo em relação a Argentina, Uruguai, União Européia e Nova Zelândia. A expectativa, de acordo com o executivo da Coonai, é de que as sobretaxações oscilem entre 20% e 40% sobre o valor do produto. Outro agravante diz respeito a Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), a doença da "vaca louca". "A Comunidade Européia é a maior produtora e exportadora de produtos lácteos do mundo".

Carlos Humberto Mendes de Carvalho, presidente das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Estado de São Paulo (SindLeite), que tem 83 filiados responsáveis por 70% a 80% do leite produzido no Brasil, afirma que, apesar das condições climáticas não terem sido as ideais, a produção em 2001 deve subir. "O problema é que as importações declinaram muito em dezembro".

Segundo Carvalho, se o governo federal decidir por uma taxação um pouco mais pesada a tendência é que os preços do produto no mercado interno sejam puxados para cima.

Conforme o presidente do SindLeite, os produtos lácteos sofreram um reajuste de 25% nos últimos oito meses no mercado internacional. "O mercado internacional está firme. Não há tendência de queda. Já o brasileiro deve retomar os preços do passado". Carvalho ressalta que o preço do leite nacional é um dos mais baixos do mundo. "Isso deve acabar".

Nascimento frisa que se houver uma regulagem de mercado o produtor nacional vai responder, conseguindo abastecer o déficit suprido, até hoje, com as importações. Ele estima que os preços do produto devem repetir, no mínimo, o valor pago em 2000.

Por Daniele Gonçalves, para Gazeta Mercantil, 06/02/01
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