Produção de leite no Agreste pernambucano avança com apoio técnico

Com investimentos em genética, alimentação e organização da produção, a pecuária leiteira do Agreste avança em produtividade e eficiência.

Publicado por: MilkPoint

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A pecuária leiteira é crucial para a economia do Agreste pernambucano, com Pernambuco liderando o Nordeste na produção de cerca de 3,5 milhões de litros diários. Fatores como isenção fiscal e tecnologias de melhoramento genético têm impulsionado a produtividade. O Sebrae oferece consultorias que resultam em aumento da produção e redução de custos. Programas como o de Melhoria Genética beneficiaram 60 produtores. O queijo coalho da região busca Indicação Geográfica, visando valorização e acesso a novos mercados.

A pecuária leiteira é uma das principais atividades econômicas do Agreste pernambucano, gerando emprego, renda e movimentando uma ampla cadeia produtiva. No Agreste Meridional, maior polo produtor do estado, a atividade tem papel central no desenvolvimento regional. Pernambuco lidera a produção de leite no Nordeste, com cerca de 3,5 milhões de litros por dia.

Entre os fatores que impulsionam esse crescimento estão políticas de isenção fiscal e o aumento da produtividade, resultado da adoção de tecnologias como a inseminação artificial e o melhoramento genético. Nesse contexto, produtores da região têm buscado apoio técnico para qualificar a produção e ampliar resultados.

Luis Henrique, produtor de Saloá, relata que a participação em capacitações e consultorias resultou em ganhos expressivos. “Participar das capacitações e consultorias oferecidas pelo Sebrae mudou bastante a nossa produção, pois houve uma melhoria na genética dos nossos animais. Eu passei de vacas com produção de 10 a 15 litros por dia para vacas de 30 litros de leite por dia. O resultado foi muito satisfatório”, afirma. Já José Maria Santana Cavalcante, de Capoeiras, destaca avanços semelhantes, com melhora genética do rebanho e aumento da produção, destinando o leite tanto para queijeiros locais quanto para indústrias de beneficiamento.

Ambos participam do Sebraetec, programa que oferece consultorias especializadas em inovação, com subsídio de até 70% do valor dos projetos. As ações abrangem sanidade, alimentação e genética, além de orientações sobre regularização da propriedade rural, como georreferenciamento e licenciamento ambiental.

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O Sebraetec promove o acesso de produtores à inovação e tecnologia em suas propriedades rurais, melhorando a produtividade do rebanho, o retorno econômico da atividade rural e agregando valor à produção”, explica Lucas Araújo, especialista em agronegócios do Sebrae/PE.

Segundo o Sebrae/PE, os impactos das consultorias são acompanhados por avaliações periódicas. Programas de melhoramento genético têm resultado em animais com produtividade até duas vezes maior, enquanto orientações em manejo e sanidade contribuem para reduções superiores a 20% nos custos de produção.

Podemos exemplificar que o programa de melhoramento genético proporciona ao pecuarista o nascimento de animais de alto nível genético, que chegam a ser duas vezes mais produtivos que os animais comuns dos seus rebanhos. E na consultoria de manejo e sanidade, a diminuição de custos chega a ser de mais de 20% com o manejo adequado e formulação da ração por lotes produtivos”, detalha Lucas Araújo.

Além das consultorias individuais, o Sebrae/PE atua em parceria com a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe). Um exemplo é o programa de Melhoria Genética e Produtiva da Cadeia do Leite do Agreste Pernambucano, que beneficiou 60 produtores de 16 municípios, com investimentos de cerca de R$ 240 mil. A iniciativa incluiu consultoria em inseminação artificial em tempo fixo (IATF), implantação de calendário sanitário, seleção de matrizes e acompanhamento técnico do processo.

O programa foi realizado através de consultoria tecnológica em Inseminação Artificial (IATF), com a introdução de novas tecnologias produtivas que ajudarão na melhoria genética do rebanho e no aumento da produção de leite”, explica Lucas Araújo.

O especialista detalha que o trabalho de inseminação artificial segue um processo que inicia com um protocolo de análise e medicação dos animais e tem continuidade com a implantação do sêmen e, posteriormente, a verificação da efetividade da inseminação. “São necessários, pelo menos, três meses de acompanhamento para que tudo dê certo. Os bezerros começam a nascer nove meses após a confirmação da prenhez”. 

Outro eixo de atuação é a alimentação do rebanho, com foco no cultivo de milho para silagem. Em 2024, 37 produtores do Agreste Meridional receberam apoio técnico para aumentar a produtividade do milho, insumo que representa entre 60% e 70% dos custos totais das propriedades leiteiras. Diagnósticos mostraram que cerca de 81% dos produtores nunca haviam realizado análise de solo e 97% dependiam exclusivamente do regime de chuvas para o plantio.

De acordo com Kedima Azevedo, especialista em agronegócios da entidade, há um crescimento na produção desse insumo localmente. “Essa demanda está diretamente relacionada ao fato de fazermos parte da principal bacia leiteira do estado. O milho é um produto importante porque as despesas com alimentação representam, em média, de 60% a 70% dos custos totais das propriedades rurais”, explica.

Produtores atendidos relatam ganhos expressivos. Cleber Ferreira, de Águas Belas, afirma que a adoção de tecnologias mais avançadas permitiu a produção de silagem de alta qualidade, utilizada na alimentação de 110 vacas, com produção diária de cerca de 900 litros de leite. Já Ronaldo Júnior, de Garanhuns, destaca o aumento da produção de milho e a importância do insumo no período seco.

O crescimento da produção de leite também fortalece a cadeia de queijos artesanais no Agreste Meridional. O queijo coalho, principal destaque da região, está em processo de obtenção da Indicação Geográfica (IG), iniciativa conduzida pelo Sebrae/PE e pela Adepe. A expectativa é que o registro valorize o produto e amplie o acesso a novos mercados.

O processo envolve a organização dos produtores, melhorias nos padrões de higiene e qualidade, além da formalização das queijarias. Atualmente, Pernambuco possui três Indicações Geográficas registradas, e o queijo coalho do Agreste pode se tornar a próxima, consolidando a importância da pecuária leiteira para o desenvolvimento regional.

Esse reconhecimento é resultado de um aprimoramento contínuo na produção de queijo, que inclui o melhoramento genético do rebanho e aumento no padrão de higiene. “Um dos focos da nossa atuação é apoiar a legalização dessas queijarias artesanais e laticínios para que os empreendedores possam fortalecer a sua presença no mercado. Também atuamos com consultorias para desenvolvimento de novos produtos e para a criação das marcas”, diz Kedima Azevedo, especialista em agronegócios do Sebrae/PE.


As informações são do Sebrae.

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