Tudo isso pode abrir espaço para expressivo incremento da produção nos próximos anos, considerando que o mercado regional tem boa demanda – estima-se que atualmente o Ceará importa da região Centro-Sul do país cerca de 500 mil litros de leite por dia, principalmente na forma de derivados. A tendência é que em 2020 a produção supere a do ano anterior e, mantida a média de crescimento dos últimos anos, o Ceará alcance a produção de 1 bilhão de litros de leite até o final de 2021.
“O leite é uma cadeia econômica muito tradicional e importante no Ceará, que produz mesmo nas condições extremas do semiárido e em propriedades de todos os 184 municípios. Por essa razão nós do Governo do Estado temos grande interesse em apoiar o segmento no sentido de aumentar a produção por animal e também agregar maior valor aos produtos”, afirma o secretário Francisco de Queiroz Maia Júnior, titular da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet).
Atento a esse potencial de crescimento, o Governo do Ceará, através da Sedet, incluiu entre seus programas prioritários um que visa promover a expansão e a modernização da atividade leiteira no estado, dinamizando os segmentos produtivos, de serviços, de insumos e da indústria, cujo objetivo é alcançar 300 produtores pelas ações de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG); e outras 500 pessoas entre produtores, técnicos e colaboradores com capacitações sobre novas tecnologias para os diferentes níveis da cadeia produtiva e de gestão de empreendimentos.
“Acreditamos que o programa de assistência técnica e gerencial (ATeG), atualmente operacionalizado pelo Senar/CE com foco na profissionalização, melhoria da eficiência produtiva e da qualidade do leite, será referência para o setor e irá contribuir efetivamente com a formação da equipe técnica especializada de atendimento aos produtores”, observa Silvio Carlos, secretário-executivo do Agronegócio da Sedet.
A ação, segundo ele, também terá foco na melhoria genética do rebanho por meio de inseminação artificial; implantação de 30 tanques de resfriamento de leite por grupo de produtores atendidos; apoio e regularização da produção de lácteos; e comercialização de produtos do estado do Ceará, numa ação que conjuga várias iniciativas: SISBI, SIM e Selo Arte – em parceria com a Agência de Defesa Agropecuária do Ceará (Adagri), vinculada ao sistema Sedet. A secretaria também trabalha na atração de novas empresas de produtos e insumos demandados pela cadeia de lácteos para o Ceará.
Pequenos produtores
Estima-se que no Ceará a atividade leiteira esteja distribuída em mais de 74 mil propriedades rurais – na sua grande maioria tocada por pequenos produtores, a exemplo de Francisco José Leitão, do Sítio Retiro, em Morada Nova. Lá, ele, sua esposa, Raimunda Diógenes, e mais um funcionário criam 36 vacas que produzem quase 400 litros de leite por dia.
“Em meados de 2009, ainda sem a adoção de novas práticas de produção, a propriedade dava prejuízo de R$ 2 mil por mês. Noventa dias depois saímos do vermelho e em mais poucas semanas estávamos comemorando lucro de R$ 1,2 mil”, recorda Francisco Leitão. “A partir daí começamos a melhorar a genética, acompanhar as novidades do setor e a produtividade que era quatro litros por animal passou para atuais onze”.
Para obter essa quantidade diária de leite Francisco Leitão relata que utiliza menos de 3 hectares da propriedade no sistema de pastejo rotacionado irrigado. Essa técnica, na prática, permite que em vez de necessitar de quase 3 hectares para criar apenas uma vaca no ambiente da caatinga seja possível manter em um só hectare irrigado até 12 animais, com ganhos de produção e facilidade de manejo.
O sistema atualmente é adotado em muitas de propriedades no Ceará. “Há mais de 10 mil hectares de pasto irrigado no Ceará e cerca de 70% está nas pequenas propriedades, que cultivam até três hectares”, estima o agrônomo Zuza de Oliveira, que participa do desenvolvimento de projetos do agronegócio irrigado para o Governo do Ceará há vinte anos.
O leite é um negócio vantajoso também do ponto de vista social, pois mantém a produção durante os 365 dias do ano, movimentando uma grande cadeia de insumos, produtos e serviços do campo à indústria.
Fábrica de leite em pó
A operação de uma fábrica de leite em pó do Grupo Betânia no município de Morada Nova, com previsão de funcionamento no primeiro trimestre de 2021, será um marco para a evolução da atividade leiteira no Ceará, segundo o agrônomo Zuza de Oliveira, assegurando a captação de leite dos produtores quando houver boas chuvas e a produção de leite for superior àquela que os laticínios tradicionalmente são capazes de processar.
“Na prática, a possibilidade de transformar o leite em pó assegura a compra aos produtores de eventuais excedentes de produção”, explica o agrônomo. “Atualmente a região Nordeste consome 52% do leite em pó no Brasil, e esse volume vem todo do Centro-Sul. Uma fábrica no Ceará traz vantagens até em relação ao custo do frete”, explica o agrônomo.
De acordo com Zuza de Oliveira, além da Betânia o estado conta hoje com cerca de 75 lacticínios certificados – entre os quais 57 queijeiras em atividade e outras 70 em processo de certificação sanitária junto à Adagri/Sedet. “Isso prova o vigor e o dinamismo da produção de leite no Ceará, que é uma atividade de expressiva função social em termos de emprego e renda e de grande potencial econômico no estado”, resume.
As informações são do Governo do Estado do Ceará.
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