Parceria leva búfala a produzir mais leite

Publicado por: MilkPoint

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Saiu ontem no suplemento Agrofolha, da Folha de São Paulo, uma reportagem, assinada por Fábio Eduardo Murakawa, que informa sobre a parceria feita em uma propriedade no litoral do Paraná entre ecologistas e produtores de búfalos, que conseguiu aumentar em 30% a produção leiteira, além de restaurar a vegetação nativa da região. Caso dê certo, o projeto iniciado em Antonina será estendido às demais propriedades da região. A união talvez seja a última alternativa para ambas as partes encontrarem uma forma de manejo que, além de não devastar o meio ambiente, traga renda às já empobrecidas propriedades da região.

O projeto ainda está em fase experimental, e foi implantado em julho de 2000 pela Sociedade de Educação Ambiental e Pesquisa da Vida Selvagem (SPVS), uma ONG de Curitiba, na fazenda Ana terra, do pecuarista Ivo Almeida, em Antonina. Almeida é vice-presidente da Associação Paranaense de Criadores de Búfalo (Abupar), e estava na associação em novembro de 99, quando representantes da SPVS trouxeram a proposta de implementação do manejo rotativo de pastagens na criação de búfalos.

O projeto

Por meio da rotação do rebanho em piquetes, em substituição à pecuária extensiva existente, a ONG prometia um aumento de aproximadamente 30% na produção de leite. Em uma segunda fase, o projeto permitiria que os animais ganhassem peso mais rapidamente porque, uma vez havendo rotação das áreas, as pastagens teriam mais tempo e melhores condições para se desenvolver, aumentando o lucro com a venda de bezerros.

Em contrapartida, o fazendeiro teria de ceder algumas áreas em sua propriedade para reflorestamento, especialmente as que estão à beira de rios. Os custos de implementação dos piquetes seriam arcados pelo proprietário. Os de reflorestamento, pela ONG.

A Abupar decidiu abraçar o projeto e decidiu que um experimento seria implantado na propriedade de Ivo Almeida. Feito o acordo, foi contratado o consultor em meio ambiente Fábio Rosa, que forneceria as técnicas necessárias para as mudanças no sistema de produção da fazenda Ana Terra.

Rosa visitou a propriedade, observou as áreas de pastagem, avaliou o sistema de produção de leite e a infra-estrutura da fazenda. Em julho, o consultor já tinha o projeto montado. Em uma fase inicial, decidiu trabalhar com 40 cabeças de búfalas leiteiras em uma área de 38 ha, dividida em 20 piquetes, separados por cercas elétricas. O rebanho permaneceria um dia em cada piquete. Previu que, com isso, o aumento de 30% na produtividade seria alcançado.

Em quatro dias, os animais selecionados passaram a produzir 127 litros/dia, contra uma média anterior de 102 litros/dia -excluindo-se o leite dado aos bezerros.

Com relação ao reflorestamento, foi feito um levantamento pela SPVS, que detectou na fazenda Ana Terra cerca de 5 ha de áreas de preservação permanente que precisavam ser recompostos. Essas áreas estão localizadas, principalmente, às margens do rio Gervásio, que corta a propriedade rumo ao rio Cachoeira. Elas estão agora sendo reflorestadas com espécies nativas da região.

Para o consultor Fábio Rosa, o projeto representa uma mudança importante na mentalidade tanto dos criadores de gado quanto dos ambientalistas. "É importante passar aos produtores a visão de que pode haver uma convivência saudável e lucrativa entre a pecuária e o meio ambiente", afirma.

Por Fábio Eduardo Murakawa, para Agrofolha, Folha de São Paulo, 02/01/01
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