Quando o assunto são desafios, produtores de leite de ponta a ponta dos Estados Unidos concordam que seu maior desafio na fazenda é a mão de obra e que a necessidade de uma reforma abrangente na imigração já está muito atrasada. O tema ganha ainda mais relevância quando se observa que mais de dois terços dos 9,36 milhões de vacas leiteiras do país são ordenhadas por trabalhadores imigrantes, segundo a National Milk Producers Federation.
Durante a MILK Business Conference 2025, em Las Vegas, Rick Naerbout, CEO da Idaho Dairymen’s Association, destacou a centralidade dessa discussão ao abordar trabalho e imigração, reforçando a necessidade de soluções pragmáticas.
Um chamado por soluções realistas
Naerbout enfatiza que esperar por uma solução perfeita é inviável. Para ele, avanços reais dependem de mudanças administrativas que, embora não resolvam tudo, podem funcionar como um gatilho para estimular o Congresso a agir. A Idaho Dairymen’s Association já demonstra resultados positivos ao fortalecer relações com grupos da comunidade hispânica e com a Igreja Católica.
A discussão sobre imigração ultrapassa o universo da produção de leite. A mão de obra agrícola não familiar em toda a agricultura é majoritariamente composta por trabalhadores estrangeiros, e a perda desses profissionais ameaça operações de todos os tamanhos.
“Isso não é apenas um problema das grandes fazendas leiteiras”, diz Naerbout. “Em nove de cada dez casos, a mão de obra não familiar nas fazendas é formada por trabalhadores estrangeiros. Se você é uma fazenda de 100 vacas com um funcionário ou uma de 10.000 vacas com 100 funcionários, se você perde seu(s) trabalhador(es), está no mesmo barco. Não há ninguém para cuidar das vacas.”
Diante desse cenário, produtores são orientados a se preparar para possíveis auditorias de I-9 ou outras ações de fiscalização. Além disso, Naerbout defende que estados conservadores suspendam temporariamente legislações como o E-Verify, permitindo que o governo avance nas discussões maiores do sistema.
A urgência da reforma é evidente e indispensável para a sustentabilidade do setor. Para isso, formuladores de políticas, lideranças empresariais e grupos comunitários precisam unir esforços e construir um caminho que reconheça o papel fundamental dos trabalhadores imigrantes. O tema, inclusive, já está no radar da administração Trump.
Nas Joint Annual Dairy Meetings, no Texas, a Secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, afirmou ao Dairy Herd Management que “todos entendem a dinâmica de uma fronteira aberta e os milhões e milhões — somos incapazes de contar quantos — que cruzaram durante a última administração. A promessa nº 1 do presidente como candidato de 2022 a 2024 foi selar a fronteira e realizar deportações em massa. Olhando para esse desafio pela perspectiva de que o trabalho é absoluto quando não podemos nos alimentar, combinado com onde estamos em termos de imigração, essas são as nuances.”
O desafio da mão de obra e a necessidade urgente de uma reforma imigratória se consolidam como questões centrais para a indústria leiteira norte-americana. Como reforçado na MILK Business Conference e diante da alta dependência de trabalhadores imigrantes, a sustentabilidade da produção de leite, da pequena fazenda familiar às grandes operações, depende de soluções pragmáticas e bipartidárias.
O diálogo do evento, somado ao reconhecimento da administração Trump sobre as complexidades do tema, evidencia que essa não é apenas uma preocupação agrícola, mas uma necessidade nacional. Para avançar, será indispensável manter o engajamento político local e a colaboração entre formuladores de políticas, lideranças empresariais e grupos comunitários, garantindo tanto segurança de fronteira quanto uma força de trabalho estável e qualificada, vital para alimentar o país.
As informações são do Dairy Herd Management, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.
