O 5º maior produtor de leite do país vendeu todo o rebanho

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A Fazenda Copacabana, do município de São Carlos / SP, com a produção superior a 26 mil litros de leite /dia, o 5º maior produtor de leite do País, conforme levantamento realizado pelo site MilkPoint, vendeu em liquidação nos dias 01, 02, 03 e 04 de maio o seu rebanho holandês, composto de 1998 fêmeas holandesas.

A Fazenda Copacabana iniciou suas atividades no leite no começo do ano de 1967, quando os Irmãos Bianco fundaram a Agropecuária Bianco e passaram a investir na aquisição de matrizes para formação do seu rebanho.
"Foram 36 anos de investimento em genética produtiva e 10 anos de investimento em tecnologia. Tecnologia esta que nos garantiu produtividade com qualidade. Infelizmente no nosso pais ninguém dá valor a qualidade. O que adianta produzirmos um excelente leite se o consumidor prefere soro? Nós devíamos ter parado com a produção de leite há 10 anos atrás, quando fomos para a Alemanha em busca de tecnologia moderna, ocasião que optamos pelo conjunto de ordenha tipo carrossel, toda informatizada, com capacidade para 36 vacas simultaneamente. Nada disso adiantou. Continuamos no vermelho até agora. Esta é a verdadeira razão para desistirmos do leite e acrescida evidentemente da falta no Brasil de política leiteira decente neste segmento", desabafa Alberto Bianco - proprietário.

Foram vendidas nos 4 dias de leilão 1998 fêmeas, a média geral de R$ 1.908,54, totalizando o montante de R$ 3.813.263,00, tendo as seguintes médias por categoria:

  • Bezerras holandesas média de R$ 916,65
  • Novilhas holandesas a inseminar média de R$ 1.475,15
  • Novilhas holandesas inseminadas média de R$ 1.813,70
  • Novilhas holandesas prenhes média de R$ 2.652,84
  • Vacas holandesas em lactação média de R$ 2.841,11
  • Vacas holandesas amojando média de R$ 2.655,14

    Participaram do leilão como compradores criadores de MT, MS, GO, BA, CE, PR, MG e RJ. Minas Gerais foi o Estado que mais levou animais da Fazenda Copacabana: 1059 fêmeas o que corresponde a 53%, São Paulo ficou com apenas 25% desses animais e 22% para os demais (MT, MS, GO, BA, CE, PR e RJ).

    De Minas Gerais também foram os dois maiores compradores: Maurício Junqueira da Silva - Tiros / MG, com a aquisição de 100 animais; João Meirelles Neto - São Gonçalo do Sapucaí / MG, com a aquisição de 95 animais.
    "Chegamos à nossa meta de produtividade dos animais, pois com 912 fêmeas em lactação, atingimos a média diária de 31,8 kg/vaca. Investimos muito em acasalamento genético para produção. Em 36 anos formamos um dos mais produtivos rebanhos do País. Investimos mais de 1 milhão de dólares na compra e instalação de sistema mais moderno de ordenha no mundo, e o primeiro no Brasil. Fomos tidos por todos os institutos e "experts" do leite como a fazenda modelo em eficiência produtiva e qualificativa do leite, bem como reprodutiva do rebanho. Fomos profissionais e fazíamos o que gostávamos. Todavia chegou o momento final. Não dá mais para produzir leite nestas condições que se encontra o setor leiteiro no nosso País", diz Sergio Bianco, reforçado pelo Sr. Luis Bianco - proprietários.

    Fonte: Embral
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    MARIA DE FATIMA PADUA
    MARIA DE FATIMA PADUA

    MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

    EM 24/05/2003

    Nós, pequenos produtores, ainda estamos sonhando que o dia em que o leite vai ser bem remunerado chegará. Produzimos por amor, tradição, etc. Mas o sonho está acabando. Voces devem mostrar para toda a imprensa a atual situação do leite. Subiu o preço, mas não adianta, pois não cobre os custos. Sempre achamos que vai melhorar, mais nada. Continuamos porque ninguem depende da pecuária leiteira para sobreviver e temos amor em ver as bezerras criarem, virarem novilhas e depois vacas. É tradição e sonho.Temos a nossa profissão extra fazenda e o que só fazemos é colocar dinheiro na propriedade.

    Fico pensando nos pequenos que não tem outro salário como nós. O que estão fazendo? Por favor mostre isto para o Brasil.
    Obrigado e abraços, Fatima
    José Maria Alves da Silva
    JOSÉ MARIA ALVES DA SILVA

    OUTRO - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

    EM 20/05/2003

    O que é que está acontecendo na cadeia do leite, que produtores desse nível não são economicamente viáveis? Gostaria muito de saber a opinião dos ex-proprietários sobre os fatores que causaram sua inviabilidade. Como é que se pode admitir que num país com tanta gente subnutrida como esse nosso, em que existe inclusive um programa emergencial chamado Fome Zero a produção de um bem alimentar tão importante quanto leite, não é viável para produtores de alta escala, de alta produtividade e qualificação ?
    Qual a sua dúvida hoje?