Mudanças estruturais no setor lácteo cooperativista dos EUA no período de 1992-2000

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Introdução

Quando o século XX começou a se aproximar de seu final, a indústria de lácteos dos Estados Unidos teve que se adaptar às condições dinâmicas do mercado. Houve avanços na tecnologia de produção, tanto na propriedade rural como nas indústrias processadoras, consolidação e crescimento das redes de varejo, integração vertical e horizontal nos setores de processamento e manufatura, mudanças nas regras e práticas de comércio, mudanças nos programas governamentais e mudanças sem precedentes no preço do leite cru, com volatilidade cada vez mais pronunciada (Figura 1).

A agricultura e o agribusiness foram caracterizados pelo aumento de tamanho e da produtividade das unidades de produção, bem como pela redução no número de estabelecimentos produtivos. Do mesmo modo, a produção total de leite apresentou um crescimento contínuo nos últimos 25 anos, com o declínio no número de vacas e de propriedades leiteiras (Figura 2). As cooperativas de lácteos seguiram a mesma tendência; houve redução no número de cooperativas, captando porém maior volume de leite nos EUA (Figura 3).







Os últimos anos do século passado e a abertura do novo século testemunharam uma onda de rápidas consolidações do setor de lácteos. Por exemplo, a Suiza Foods Corporation entrou no setor de lácteos dos EUA no final de 1993, lançou ações no mercado em 1996 e, em 2000, tinha adquirido 39 outras indústrias de lácteos, tornando-se a maior processadora e distribuidora de produtos lácteos dos EUA.

Simultaneamente, as 4 maiores redes de varejo do país tiveram um aumento na participação das vendas de alimentos de 16% em 1992 para 29% em 1998. A maioria desse crescimento ocorreu depois de 1996. A participação dos 20 maiores estabelecimentos de varejo dos EUA na venda de alimentos passou de 37% em 1992 para 51% em 1999. Essa consolidação teve um impacto significativo nos outros estabelecimentos que vendem alimentos, como os atacadistas, as indústrias e os produtores rurais, todos eles representados no setor de cooperativas de lácteos.

Para se adaptar a essas mudanças, as cooperativas de lácteos dos EUA também se consolidaram. Em 1998, as 4 maiores cooperativas de lácteos do país criaram uma nova cooperativa, chamada de Dairy Farmers of America (DFA). A DFA é uma cooperativa nacional, com 19,5 mil produtores de leite espalhados pelos 45 estados do país. Quase que ao mesmo tempo, a Land O'Lakes, cooperativa de lácteos situada em Minnesota, se uniu com outras cooperativas das costas leste e oeste dos EUA, tornando-se também uma cooperativa de alcance nacional.

Visão Geral - 1992 - 2000

De forma geral, havia 52 cooperativas de lácteos a menos em 2000 do que em 1992, resultando em diminuição de 19,6% no número de cooperativas. Entretanto, uma análise cuidadosa revela que 84 cooperativas deixaram de existir neste tempo - ou por ter se dissolvido, ou por ter se unido à outra cooperativa, ou ainda, por ter sido adquirida por alguma indústria de lácteos. Novos grupos de produtores e as fusões das cooperativas já existentes criaram 32 novas cooperativas entre 1992 e 2000 (Tabela 1). O maior declínio líquido no número de cooperativas de lácteos dos EUA ocorreu em 1993-95 - 56 tinham saído do mercado até o final de 1996. Nos anos de 1997 e 2000 houve mais formação de novas cooperativas do que saída daquelas já existentes. Além disso, 22 das 32 novas cooperativas formadas de 1992 a 2000 foram formadas depois de 1996. Coincidentemente, 36 cooperativas se dissolveram sem deixar uma organização sucessora, enquanto 36 se uniram a outras cooperativas de lácteos (Tabela 2). Vinte e seis delas se uniram e eventualmente se tornaram parte de 6 novas cooperativas. Dez delas se combinaram com outras cooperativas que estavam em funcionamento.

As combinações ocorreram por várias razões: - tirar vantagem das economias de escala; - melhor configuração e uso de um sistema de fábricas processadoras; - redução dos custos administrativos e operacionais; - otimização as rotas de transporte; - estimular as vendas; - e para assegurar o fornecimento de leite.

Tabela 1 - Mudanças no número de cooperativas de lácteos dos EUA desde 1992



As fusões das cooperativas de lácteos dos EUA refletem o ritmo de consolidação ocorrido no setor de varejo. As cooperativas que se uniram a outras se tornaram mais aptas a fornecer o grande volume e atingir as exigências de produtos pelo consumidor. Oito das cooperativas de lácteos já existentes foram adquiridas por investidores (IOF).

Quatro cooperativas de lácteos modificaram o foco de suas operações, saindo do negócio leiteiro, passando a produzir outros tipos de produtos agrícolas, como alimento para animais, ou reduziram a participação do negócio leiteiro a menos de 50% da receita total.

Novos grupos de produtores criaram 26 das 32 novas cooperativas organizadas entre 1992 e 2000 (Tabela 3). Seis novas cooperativas foram formadas pela consolidação daquelas já existentes. Algumas dessas 26 novas cooperativas começaram a agregar valor ao leite produzido por seus membros através da elaboração de produtos visando nichos de mercado específicos.

Tabela 2 -Destino das 84 cooperativas de lácteos que deixaram a atividade de 1992 a 2000



Outras cooperativas podem ter sido formadas quando alguns membros insatisfeitos saíram das cooperativas já existentes. Alguns desses descontentamentos dos membros foram gerados justamente devido às fusões realizadas.

Tabela 3 - Origem das cooperativas de lácteos formadas entre 1992 e 2000



Características das cooperativas de lácteos dos EUA

As cooperativas de lácteos podem ser agrupadas, de forma geral, em duas categorias nos Estados Unidos: cooperativas de produção e processamento e cooperativas de negociação. As cooperativas de produção e processamento tentam melhorar seu poder de negociação e agregar valor ao leite produzido por seus membros através do processamento de uma parte do leite cru produzido em uma variedade de produtos lácteos. Esse tipo de cooperativa reúne a maior parte do volume de leite produzido - 75,9% do total captado pelas cooperativas em 1997.

Já as cooperativas de negociação negociam os preços e os termos do comércio do leite produzido por seus membros, mas não operam fábricas, apesar de alguns delas operarem estações de recebimento. As cooperativas de negociação são as mais numerosas nos EUA, mas possuem apenas 6,1% dos ativos totais do setor cooperativista lácteo.

Além das 48 saídas e das 21 entradas de cooperativas de negociação, 5 cooperativas cessaram suas atividades de processamento, mantendo somente o foco na negociação e nos serviços dos membros, entre 1992 e 2000.

Houve um declínio líquido de 22 cooperativas de negociação entre 1992 e 2000. O número das cooperativas de processamento teve uma queda líquida de 30 cooperativas, mais de duas vezes a taxa ocorrida nas cooperativas de negociação. Como resultado disso, as cooperativas de negociação cresceram de 67,5% no número de cooperativas em 1992, para 73,7% em 2000.

Tabela 4 - Distribuição das cooperativas de lácteos dos EUA, entradas e saídas, por tipo - 1992-2000



Tamanho das cooperativas

As cooperativas de lácteos nos EUA foram agrupadas de acordo com o volume líquido de leite produzido anualmente. Além disso, com as entradas e saídas, algumas dessas cooperativas, devido ao aumento ou redução do volume produzido, mudaram de categoria durante este período de 9 anos.

As pequenas cooperativas, que produzem menos de 50 milhões de libras (22,68 milhões de quilos) de leite por ano tiveram o maior número de entradas e saídas entre os 3 grupos de tamanhos, e apresentaram uma redução de 26 cooperativas.

As cooperativas médias, que produzem de 50 a 999 milhões de libras (22,68 a 453,139 milhões de quilos) de leite por ano tiveram uma redução líquida de 20 cooperativas, e as grandes cooperativas, que produzem 1 bilhão de libras (453,592 milhões de litros) ou mais por ano, tiveram uma redução líquida de 7 cooperativas durante este período. Para se ter uma idéia da dinâmica deste mercado, metade das grandes cooperativas de 1992 tinha saído do mercado em 2000.

A distribuição das cooperativas de acordo com o tamanho em 2000 foi similar ao padrão de 1992. Entretanto, as pequenas cooperativas, que tiveram a menor taxa de declínio (-16,8%) dos três grupos, aumentaram suas representação no número total de cooperativas dos EUA para 60,6%.

Tabela 5 - Distribuição das cooperativas de lácteos dos EUA, entradas e saídas, por tamanho - 1992-2000


1 20 cooperativas mudaram de categoria de tamanho em 1992 e 2000, sendo que 12 delas são pequenas e 8 delas grandes. Aquelas que se reduziram tendem a ser cooperativas de negociação, e aquelas que aumentaram, de processamento.
2 Produzem menos de 50 milhões de libras (22,68 milhões de quilos) de leite por ano.
3 Produzem de 50 a 999 milhões de libras (22,68 a 453,139 milhões de quilos) de leite por ano.
4 Produzem 1 bilhão de libras (453,592 milhões de quilos) de leite por ano.
5 Não pôde ser feita a confirmação do volume produzido por uma das novas cooperativas.

NOTA: A categoria de tamanhos das cooperativas que deixaram a atividade foi determinada pelo volume de leite produzido em 1992 ou em 1997, dependendo de quando saíram. A categoria de tamanhos das cooperativas que entraram no mercado foi determinada pelo volume produzido em 1997 ou, se ela foi formada depois deste ano, pelo volume reportado pelos dados divulgados pelas indústrias. A categoria de tamanhos do ano 2000 foi determinada pelo volume de leite produzido em 1997, exceto para as cooperativas formadas depois deste ano.

Características das cooperativas que saíram do mercado

A maioria das cooperativas de lácteos dos EUA que se dissolveu eram pequenas (86,1%), em contraste com aquelas que se uniram a outra cooperativa, onde apenas 22,2% eram pequenas. Todas as grandes cooperativas que saíram do mercado entre 1992 e 2000 o fizeram devido à fusão. As 6 das 8 cooperativas adquiridas por investidores eram pequenas, e todas as 4 cooperativas que modificaram o rumo de operações eram igualmente pequenas.

Das cooperativas que se dissolveram, a maioria era de negociação (77,8%). Da mesma forma, três das 4 cooperativas que mudaram de atividade, ou seja, não mais são consideradas como cooperativa de lácteos eram anteriormente de negociação. Em contraste, 58,3% das cooperativas que se uniram a outras eram de produção e processamento. Similarmente, as cooperativas adquiridas por investidores eram, na sua maioria, de processamento.

Muitas das cooperativas que se dissolveram (86,1%) saíram da atividade até o fim de 1996. Sete das oito aquisições por investidores foram feitas neste mesmo período. Metade das fusões de cooperativas foi feita durante os últimos 3 anos do período de 9 anos analisado (1992 a 2000). O mesmo ocorreu com aquelas cooperativas cuja atividade leiteira foi reduzida, dando lugar a outras atividades.

Com relação ao status financeiro das cooperativas, as informações referem-se a apenas 44% das cooperativas que saíram da atividade entre 1992 e 2000. Porém, apesar dos dados serem incompletos, é interessante notar que uma grande porcentagem das cooperativas que se dissolveram (67%) mostrou sinais de problemas financeiros quando comparado com aquelas que se uniram a outras (50%). Uma maior quantidade de cooperativas que se uniram a outras, ou seja, 5 delas, ou 31%, mostraram boas condições financeiras comparado com aquelas que se dissolveram, onde apenas 2 - ou 11% - mostraram sinais de uma condição financeira saudável.

Características das novas cooperativas formadas

Nenhuma das 6 novas cooperativas formadas através de fusões é pequena. Essas novas cooperativas representam de forma semelhante os dois tipos de operações existentes nos EUA, sendo 3 de negociação e 3 de processamento. Quatro delas foram formadas em 1998 e 1999.

Já entre as cooperativas formadas por novos grupos de produtores, 16 das 26 eram pequenas e 18 ofereciam apenas os serviços de negociação. Vinte delas foram formadas depois de 1996. Isso reflete uma prática comum entre os pequenos grupos de produtores de formar cooperativas de negociação, que são mais flexíveis na hora de encontrar nichos de mercado.

Mudanças ocorridas nas cooperativas de lácteos

A natureza das mudanças do setor de cooperativas de lácteos dos EUA pode ser melhor compreendida através do agrupamento das mesmas, de acordo com suas funções que elas terão no mercado. As cooperativas de processamento podem ser subdivididas de acordo com seu grau de integração no mercado, do menor ao maior grau de verticalização: cooperativas de negociação, mas que possuem plantas de captação de leite, cooperativas de produção de produtos de baixo valor agregado (commodities), cooperativas de produção de queijos com marcas fortes, cooperativas de processamento de leite fluido e cooperativas diversificadas.

As mudanças ocorridas entre 1992 e 2000 mostraram que as cooperativas de lácteos seguiram em direções divergentes. Algumas cooperativas se tornaram mais verticalmente integradas - comprometendo-se em promover a fabricação e o processamento, diferenciando seus produtos e fortalecendo os laços com a cadeia de comercialização. Em contraste, outras mantiveram seu foco em suas operações de negociações apenas.

Mais cooperativas de lácteos de negociação foram formadas e terminadas do que de qualquer outro tipo. O compromisso mínimo financeiro necessário para que se forme uma cooperativa de negociação contribui para sua facilidade de formação e dissolução. A maioria dessas cooperativas (58,3%) que saiu da atividade se dissolveu. Metade dessas cooperativas que saíram do mercado eram pequenas e se dissolveram. Apenas poucas delas que eram grandes acabaram se unindo a outras cooperativas de lácteos.

As cooperativas de negociação continuam promovendo um papel importante ao fornecerem aos produtores de leite um poder de negociação do preço do leite no mercado, bem como dos termos da negociação, garantindo a acurácia dos pesos e testes nas checagens computadorizadas do leite produzido, e fornecendo representação em matéria de políticas governamentais. Seu desafio é manter um número suficiente de membros que seja capaz de ser ouvido no mercado, mas limitar os custos do serviço.

Os diversos níveis de verticalização

(para mais detalhes sobre os tipos de cooperativa, veja o box ao final do texto)

O primeiro nível de agregação além da simples negociação é a junção da negociação com a operação de unidades para captação do leite. Porém, tal modalidade de atuação está diminuindo, haja visto a redução de 53,3% no número de cooperativas de negociação-captação. Além disso, no período analisado, duas cooperativas desta categoria venderam suas unidades de captação de leite e se tornaram exclusivamente cooperativas de negociação. A razão para esta situação é simples: manter fábricas ultrapassadas gera custo operacional elevado, ao passo que investir em fábricas modernas necessita de investimentos muitas vezes inviáveis para pequenas cooperativas.

Cooperativas que produzem commodities, o segundo nível de agregação, precisam operar no máximo de sua capacidade para obter custo operacional reduzido. Estas cooperativas apresentam risco financeiro significativo, porque a maior parte do seu leite é destinado a fabricar produtos com baixa margem de lucro. A flexibilidade limitada as tornam mais vulneráveis às oscilações nos valores dos estoques em função da volatilidade dos preços de leite, colocando-as sob pressão no mercado atual. O número de cooperativas com este foco caiu 40% no período analisado, sendo que todas as que deixaram a atividade eram de grande porte e se fundiram a cooperativas mais diversificadas.

A fusão de cooperativas de negociação-captação e de cooperativas com foco exclusivo na produção de commodities, em direção a cooperativas mais diversificadas reflete a tendência de maior integração entre as cooperativas, tornando-as parte de um sistema mais amplo.

Um outro nível de agregação é a produção de queijos com marcas próprias, categoria que apresentou a menor variação entre 1992 e 2000: -12,0%. Todas as 7 novas cooperativas que atuam no segmento de marcas próprias de queijos eram pequenas, assim como a maioria das que deixaram a atividade. Três das cooperativas desta categoria em 1992 continuaram a atuar, porém exclusivamente como cooperativas de negociação de leite; a maior parte simplesmente se dissolveu; uma delas se fundiu a uma cooperativa diversificada e duas foram adquiridas por investidores.

Todas as cooperativas de queijos com marcas próprias, que deixaram a atividade, apresentavam resultados econômicos fracos. Estas empresas de pequeno porte precisam competir no mercado, à base de qualidade e inovação de seus produtos. Porém, falta-lhes escala para competir em preço com grandes produtores de queijos sem marca forte (commoditizados), restando-lhes a atuação em nichos de mercado. As que não conseguem atuar nesses nichos, não sobrevivem. Todavia, com o interesse na produção "orgânica", "farm-based" ("direto da fazenda") ou local, novas cooperativas estão apostando nesse negócio.

As cooperativas de leite fluido reduziram-se em 42,9% de 1992 para 2000. Todas as que saíram se fundiram com outra cooperativa com atuação no mercado de leite fluido ou com atuação diversificada, ou então foram adquiridas por investidores. O mercado de leite fluido é maduro e altamente competitivo.

Cooperativas ditas diversificadas lidam com a maior parte do leite captado por cooperativas. A maior parte das que deixaram a atividade neste período se fundiram com outras cooperativas diversificadas; nenhuma fechou. As cooperativas formadas entre 1992 e 2000 eram todas de grande porte, resultantes da fusão entre cooperativas diversificadas já existentes. Nenhuma cooperativa diversificada operando em 2000 era pequena.

Resumo e conclusões

Fusões e consolidações caracterizaram o setor de cooperativas de lácteos dos EUA nos anos 1990. A maioria das fusões foi impulsionada pelas consolidações entre varejistas de alimentos que buscaram aumentar a eficiência. O setor de produção buscou assegurar seu lugar nas negociações, além de suprir a demanda dos consumidores, fornecer os altos volumes requeridos, e atingir os padrões dos produtos através de fusões de suas cooperativas de comercialização.

A maioria das cooperativas que entraram e saíram da atividade utilizou o processo de fusão, entre 1992 e 2000. Também contribuiu com a atividade de fusão a maior habilidade de transporte do leite em longas distâncias devido à melhoria dos caminhões, da qualidade do leite, do manejo e das tecnologias de embalagens.

O aumento das fusões nos últimos 3 anos do século foi, em parte, resultado da antecipação das cooperativas de leite às novas regulamentações para produção de leite ("market orders"), que entraram em efeito em janeiro de 2000. Outros fatores incluem os rápidos avanços nas tecnologias de informação (web sites, e-mails, produção computadorizada, sistemas de vendas e inventários), que permitiram a melhoria do alcance das cooperativas de lácteos. As fusões expandiram o alcance geográfico, bem como o poder de mercado. Em 2000, alguns membros de cooperativas conseguiram alcançar múltiplas regiões ou até todo o país.

O menor preço de suporte (preço mínimo) e a contínua volatilidade dos preços do leite e de suas commodities contribuíram com o êxodo das cooperativas que apresentavam serviços pouco diversificados, as quais acabaram se unindo àquelas mais diversificadas, ganhando flexibilidade no mix de produtos e eficiência através de um sistema racionalizado de fábricas. Algumas fábricas foram fechadas quando não podiam mais ser eficientes.

Apesar da consolidação ter sido a principal tendência observada no setor de cooperativas dos EUA nos anos 1990, outras tendências foram observadas, como a criação de novas cooperativas - pequenas, médias e grandes - por produtores que estavam buscando novos mercados para seu leite. Outros produtores focalizaram seus esforços na captura de margens de mercados, visando novos nichos, como os produtos "livres de rBST", "orgânicos" ou de "alta qualidade". A maioria desses produtos era de queijos especiais, apesar de terem surgido leites fluidos nesta categoria de alimentos.

Enquanto o número de cooperativas de lácteos está declinando nos EUA, seu volume de produção de leite está aumentando. Apesar desta tendência, o número relativo de pequenas cooperativas está se mantendo, se não aumentando em participação no total de cooperativas, passando de 58,5 para 60,6%.

As cooperativas de negociação continuam sendo a forma mais comum de cooperativas de lácteos nos EUA, apesar de serem responsáveis pela venda de menos de 1 quarto do volume de leite produzido por cooperativas (baseado no volume de 1997). Essa foi também o tipo de cooperativa mais comum formada entre 1992 e 2000.

Apesar da consolidação ou da formação de novas cooperativas de lácteos, em grande ou pequena escala, essas cooperativas parecem ter tomado dois caminhos no mercado. Um deles foi a integração vertical na cadeia de produção para tentar capturar margem para seus membros. O outro foi a menor integração vertical, com foco nas funções de negociação, reduzindo os riscos dos membros, bem como os gastos das operações de processamento.

Esse relatório documentou a dinâmica do setor de cooperativas de lácteos dos EUA no final do século XX. As atividades de joint venture entre cooperativas de lácteos, e entre essas cooperativas e IOFs também foram bastante significativas. Por exemplo, duas das maiores cooperativas de lácteos do país - DFA e Land O'Lakes - formaram uma joint venture para efetuarem a compra e a operação de uma fábrica de queijos em Minnesota. Em 2000, a DFA adquiriu 33% das ações das operações de leite fluido da Suiza nos EUA através de uma joint venture. Entretanto, esse acordo foi dissolvido com a proposta de fusão da Suiza com a Dean em 2001 e, conseqüentemente, a DFA adquiriu 6 fábricas da Suiza e as colocou em uma nova joint venture com outros parceiros. As implicações desses tipos de joint ventures às cooperativas de lácteos necessitam de maiores análises.

Referências

Cheese Market News: "5th Annual Roundtable Perspective: Part II: Panelists Weigh in on Consolidation, Pasteurization,". No. 47, Vol. 20, Dec. 29, 2000.

Dairy Foods Online. "Consolidations Peak" Top 100 U.S./Canadian Companies, www.dairyfoods.com, February, 2001.

Kaufmann, Phil R. "Grocery Retailers Demonstrate Urge to Merge," Food Review, USDA/Economic Research Service, Vol. 23, Issue 2, May-August 2000.

Kaufmann, Phil R. "Consolidation in Food Retailing: Prospects for Consumers and Grocery Suppliers", Agricultural Outlook, USDA/Economic Research Service, August 2000.

Ling, Charles, K. and Carolyn Liebrand. "Vertical Integration Patterns of Dairy Co-ops Reflect Changing Market," Farmer Cooperatives, USDA, September 1995.

Liebrand, Carolyn. Financial Profile of Dairy Cooperatives, 1997, Rural Business-Cooperative Service, Research Report 176, December 1999.

Suiza Foods Corporation. 1999 Annual Report, Ammended. SEC Form 10-K filed April 4, 2000.



Autor do Documento Original:

Carolyn Liebrand
Agricultural Economist


Rural Business Cooperative Service
Reseach Report 187
October 2001
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