Um estudo realizado entre 2023 e 2024 pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), em parceria com a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), identificou dois grandes desafios enfrentados pelos produtores de leite no estado: o alto custo de produção e a baixa produtividade. A pesquisa avaliou 1.517 propriedades paranaenses, incluindo diversas da região Sudoeste, uma das principais bacias leiteiras do Paraná.
Os primeiros resultados foram divulgados em fevereiro, durante o lançamento da segunda etapa do programa Leite Sudoeste, na sede da Amsop, em Francisco Beltrão.
Produtores de leite querem crescer, mesmo com dificuldades
Apesar das limitações relatadas, o estudo mostra que a maioria dos produtores paranaenses pretende investir e expandir sua produção. Entre os planos para os próximos cinco anos, os entrevistados destacam:
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Aumento da produção diária (55%)
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Melhoria genética do rebanho (44%)
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Ampliação do número de animais (35%)
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Investimentos em equipamentos e automação (20%)
Políticas públicas para a cadeia do leite
Segundo Rafael Piovezan, coordenador estadual do programa de bovinocultura de leite do IDR-Paraná, o diagnóstico será fundamental para embasar políticas públicas voltadas à atividade leiteira. “Temos muitos pequenos e médios produtores, e é preciso construir soluções alinhadas às suas realidades, seja para garantir a sucessão familiar ou aumentar a produção”, afirmou.
Piovezan também apontou uma tendência de concentração da produção de leite no Paraná, ainda que em ritmo lento. “Cerca de 30% a 40% dos produtores demonstraram intenção de crescer. Esse dado mostra a necessidade de apoiar tecnicamente esse movimento, com planejamento para evitar erros e prejuízos.”
Cresce a adoção de compost barn e free stall no Paraná
O levantamento também identificou um aumento na adoção de sistemas intensivos de produção de leite, como compost barn e free stall, principalmente na região Sudoeste. De acordo com Piovezan, a busca por melhor conforto animal e familiar tem impulsionado a mudança. No entanto, ele alerta para a necessidade de planejamento. “Esses sistemas exigem critérios técnicos. A migração não pode ser feita apenas por conforto: a atividade deve continuar sendo economicamente viável.”
Hoje, boa parte dos produtores da região trabalha com leite a pasto ou sistemas semiconfinados, com suplementação em períodos de inverno e estiagem. O avanço para sistemas mais intensivos exige análise de viabilidade e suporte técnico especializado.
As informações são do Jornal de Beltrão, adaptadas pela equipe MilkPoint