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Leite 2.0: como a indústria de lácteos dos EUA planeja salvar o leite

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 14/01/2020

7 MIN DE LEITURA

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Têm sido meses difíceis para a indústria de leite americana. A Dean Foods, maior processadora de leite do país, declarou falência em novembro. A Borden, outro grande processador, seguiu seus passos em janeiro.

As vendas de leite vêm caindo constantemente há anos. E seus preços voláteis - que são determinados por um sistema arcaico - espremem produtores de leite e processadores a cada movimento. As pressões dificultaram a concorrência entre produtores e compradores de leite com varejistas verticalmente integrados, como a Kroger, que processa o próprio leite.

Enquanto isso, o setor alternativo de leite está crescendo rapidamente. Somente as vendas no varejo de bebida à base de aveia subiram mais de 600% nos últimos 12 meses encerrados em novembro, e as principais cadeias de café, incluindo Starbucks e Dunkin', estão adicionando lattes de bebida de aveia em seus cardápios. Embora essas vendas sejam fracas em comparação às vendas de leite tradicional, elas complicam uma indústria que já está oscilando.

Em conjunto, pode parecer que o negócio de leite está entrando em colapso. Mas esse não é o caso, argumentou Marin Bozic, professor assistente do departamento de economia aplicada da Universidade de Minnesota.

O leite não está morrendo. Está evoluindo.

"É doloroso", disse ele, acrescentando que "alguns modelos de negócios não serão mais sustentáveis". Mas, segundo ele, em última análise, esse período levará a um sistema mais saudável e que responda melhor às mudanças nas necessidades dos consumidores.

Existem pontos positivos no setor. Os consumidores americanos podem ter reduzido a demanda por leite tradicional, mas as vendas de leite sem lactose e produzido a pasto estão aumentando. E a recente aquisição pela Coca-Cola de uma marca jovem e inovadora de laticínios sugere que ainda existem oportunidades de crescimento.

Um esquema de preços complicado

O governo tem regulado os preços do leite desde a década de 1930. Hoje, a maioria dos processadores precisa pagar um preço mínimo definido pelo leite fluido. Esse preço é estabelecido com base em vários fatores, incluindo os preços da manteiga, queijo, leite em pó desnatado e soro de leite em pó.

Preços diferentes são estabelecidos para o leite quando ele é usado como ingrediente em sorvetes, iogurtes, queijos, manteiga e outros produtos lácteos, em vez de vendidos diretamente aos consumidores, como leite fluido.

"Há um velho ditado na indústria de laticínios de que apenas cinco pessoas no mundo sabem o preço do leite nos EUA e quatro estão mortas", disse John Newton, economista-chefe do Farm Bureau, um grupo de lobby. "O preço do leite é muito, muito complexo".

Os preços mínimos do leite são estabelecidos pelo governo devido às restrições únicas do setor de laticínios, explicou Bozic. O leite é perecível, portanto, os produtores não podem estocar estrategicamente seu produto conforme as demandas dos consumidores mudam. E o queijo, um produto mais estável nas prateleiras, muda à medida que envelhece. Um preço mínimo ajuda a incentivar os produtores a permanecer em um negócio imprevisível e oferece uma tábua de salvação quando necessário.

Alguns produtores não foram capazes de resistir ao ciclo recente de baixos preços do leite, que se arrastou por mais tempo do que o habitual por causa de um excesso de leite global e da guerra comercial, além de outros fatores. 

"Vale a pena reexaminar o sistema”, disse Tony Sarsam, CEO da Borden. A empresa apontou o recente aumento nos preços do leite como uma das razões para sua decisão de pedir falência.

Devido ao esquema de preços, o valor de varejo do leite não corresponde à demanda do consumidor de leite fluido, estando mais intimamente ligado à demanda por derivados lácteos como queijo e manteiga, entre outros fatores. Então, os processadores de leite como Borden ou Dean "precisam pagar o mesmo preço pelo leite, não importa qual seja a demanda, não importa qual seja a oferta. Acho isso desordenado. Acho que é ineficiente", disse Newton.

Ineficientes ou não, as convenções de preços estavam bem antes dos processadores de leite começarem a passar por dificuldades. Se a demanda permanecesse consistente, o sistema funcionaria melhor.

Concorrentes verticalmente integrados

Cada vez mais, varejistas como Albertsons, Kroger e Walmart estão processando seu próprio leite. A Kroger opera 17 laticínios. A Albertsons tinha sete fábricas de leite em fevereiro de 2019. E o Walmart abriu uma fábrica de processamento de leite em Fort Wayne, Indiana, em 2018.

Para a Dean Foods, a mudança do Walmart foi devastadora, embora a fábrica atenda apenas uma fração de todas as lojas do Walmart. A Dean disse que perdeu a venda de 55 milhões de galões de leite (208,2 milhões de litros) no segundo semestre de 2018 por causa dos negócios perdidos com a Walmart.

Embora o consumo de leite tenha diminuído, a maioria dos americanos ainda gosta de ter o alimento na geladeira. Para os supermercados, isso significa que o leite é um bom investimento - "mesmo que custos mais altos de insumos signifiquem margens ou perdas reduzidas", argumenta Sarsam.

Se os supermercados anunciam boas ofertas de leite, eles podem atrair consumidores para as lojas. Assim, enquanto os preços do leite cru flutuam e provocam choques na indústria de laticínios, os preços do leite permaneceram bastante estáveis nas prateleiras do varejo. Em novembro de 2019, um galão (3,79 litros) de leite fortificado e fresco custou em média US$ 3,19. Isso representa um aumento de 35 centavos em relação à média de julho de 2018, que foi de US$ 2,84 - o preço mais baixo em mais de uma década.

Os processadores, por outro lado, são prejudicados por produtos de baixa margem. A Borden citou a concorrência de supermercados com suas próprias fábricas de laticínios em seu pedido de falência.

O processador de leite, no entanto, ainda vê um futuro promissor pela frente.

A Borden planeja continuar seus negócios como de costume durante o processo de falência. Sarsam observa que, apesar do difícil ambiente competitivo, a Borden obteve sucesso com seus produtos inovadores, incluindo o leite sem lactose e a linha "kid builder", que tem menos açúcar que os leites com sabor típicos e mais proteína que o leite comum. A principal razão pela qual a Borden pediu falência, disse Sarsam, é que um grande investimento em 2017 de uma empresa de private equity sobrecarregou a empresa com muita dívidas.

"Existe um ponto de vista que diz: 'Ei, com tudo o que está acontecendo na indústria, o copo está meio vazio.' Nós olhamos para ele e dizemos: 'Deus, o copo está meio cheio'. Vemos todos os tipos de áreas de crescimento ".

O futuro do leite

Não há dúvida de que o interesse por alternativas ao leite aumentou. Durante o período de novembro a novembro, as vendas de bebidas à base de aveia aumentaram 662%. Bebidas de amêndoa, que são mais estabelecidas, cresceram cerca de 6%, segundo a Nielsen.

Mas há muito mais dinheiro no leite.

As vendas de bebidas de aveia totalizaram cerca de US$ 60 milhões no ano e as bebidas à base de plantas, no geral, totalizaram cerca de US$ 1,9 bilhão, de acordo com os dados da Nielsen. Em contrapartida, as vendas de leite de vaca no mesmo período somaram cerca de US$ 12 bilhões.

Uma análise cuidadosa dos dados mostra que, enquanto as vendas gerais de leite estão em declínio, as de outros certos tipos de leite estão aumentando.

As vendas americanas de leite integral com sabor, por exemplo, aumentaram 8,9% nos primeiros dez meses do ano passado, segundo o USDA. Nesse mesmo período, o leite integral orgânico cresceu 4,4%.

Os dados da Nielsen mostram que as vendas de leite com lactose reduziram e as de leite sem lactose cresceram 11% entre novembro de 2018 e novembro de 2019. Já o leite à pasto cresceu cerca de 51% nesse período.

Esse nicho de leite especializado é atraente para a Coca-Cola. Em 2012, a Coca-Cola lançou a Fairlife, uma marca de laticínios especializados, com um parceiro. Em 3 de janeiro, a Coca-Cola anunciou que está adquirindo completamente a empresa de laticínios.

A Fairlife vende leite sem lactose, que tem menos açúcar e mais proteína do que o leite comum. Também vende uma versão do produto fortificada com ômega-3,  junto com uma variedade de chocolate, shakes de proteína, "snacks para beber" e bebidas de substituição de refeição.

Em um comunicado anunciando a aquisição, a Coca-Cola disse que "produtos lácteos com valor agregado têm crescido constantemente nos Estados Unidos".

Bebidas como leite enriquecido com nutrientes e sem lactose podem ajudar a Coca-Cola a atingir seu objetivo de ser uma empresa de bebidas total. Elas também se alinham à tendência funcional das bebidas, que inclui produtos com mais cafeína, uma sacudida de energia ou benefícios à saúde. "Na perspectiva da Coca-Cola, eles veem o leite como uma poderosa fonte de nutrição", disse Paul Ziemnisky, vice-presidente executivo de inovação global da Dairy Management Inc., um grupo comercial.

Enquanto os supermercados cobram preços baixos pelo leite tradicional, empresas como a Fairlife vendem seus produtos com um prêmio. Uma embalagem de 1,5 litros do leite ultrafiltrado da Fairlife custa US$ 3,99, tornando o produto duas vezes mais caro que o leite comum, mesmo quando os preços do leite estão altos. Outros produtos da Fairlife são ainda mais caros.

Ziemnisky apontou a Slate, que produz leite com chocolate sem lactose, como outra startup promissora. Os produtos da Slate, vendidos em latas de alumínio, têm muito menos açúcar que o leite com chocolate comum e mais proteína. A Live Real Farms, pertencente a produtores de leite, começou a vender misturas de leite sem lactose e bebida à base de amêndoa e smoothies engarrafados feitos com leite integral. "Estamos começando a ver as pessoas pensarem de maneira diferente", disse Ziemnisky.

As informações são da CNN, traduzidas pela Equipe MilkPoint.

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