Kevin Bellamy, diretor executivo da Global Dairy Platform

Kevin Bellamy é o diretor executivo da Global Dairy Platform, uma organização criada por 4 gigantes do setor lácteo há um ano e que hoje envolve as principais empresas do setor, bem como entidades ligadas ao marketing e a pesquisa em lácteos. Kevin é responsável pela direção estratégica da organização e coordenação do conselho administrativo da GDP. Ele deu esta entrevista exclusiva ao MilkPoint, falando sobre a entidade que muitos consideram como fundamental para permitir um futuro sustentável à atividade.

Publicado por: MilkPoint

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Figura 1


Kevin Bellamy é o diretor executivo da Global Dairy Platform (www.globaldairyplatform.com), uma organização criada por 4 gigantes do setor lácteo há um ano e que hoje envolve as principais empresas do setor, bem como entidades ligadas ao marketing e a pesquisa em lácteos. Fazem parte do conselho administrativo da entidade pessoas como Andrew Ferrier, principal executivo da Fonterra, Justin Sanders, da Campina e Dick Smith, da Dairy Farmers of America, maior cooperativa de lácteos do mundo. Kevin é nativo do Reino Unido, tendo atuado no Milk Development Council, a entidade governamental oficial que representa o setor no Reino Unido. Nesta entidade, Kevin foi Gerente de Pesquisa e Desenvolvimento,além de ter sido Diretor do Dairy Council. Como principal executivo da Global Dairy Platform, é responsável pela direção estratégica da organização e coordenação do conselho administrativo da GDP. Ele deu esta entrevista exclusiva ao MilkPoint, falando sobre a entidade que muitos consideram como fundamental para permitir um futuro sustentável à atividade.

MilkPoint: O que é a GDP, que companhias lançaram a idéia e que está envolvido hoje?

Kevin Bellamy: A GDP visa compartilhar pesquisas em estágio pré-competitivo, entre as empresas e entidades do setor. O princípio é que, dessa forma, o ritmo de inovação o setor lácteo aumente e faça frente às necessidades do consumidor e consiga fazer um contraponto aos produtos concorrentes. A GDP é o reconhecimento de que o setor precisa atuar em conjunto para manter o crescimento sustentável.

A GDP foi formulada pela Fonterra, Arla Foods, Campina e Dairy Farmers of America. Desde o começo de 2007, entraram para a GDP a Nestlé, Danone, Kraft Murray Goulburn, Saputo, Tine, Valio, Land O' Lakes, Maryland and Virginia Coop e a United Dairy Farmers of Arizona. Nós também temos como membros as principais enrtidades de comunicação e pesquisa do mundo, como a Dairy Management Inc, nos EUA, a Dairy Australia, Dairy Council UK, Danish Dairy Board, Swedish Dairy Association, Northern Ireland Dairy Council, Irish Dairy Council, assim como grupos de representação, como IDFA (EUA), European Dairy Association e Australian Dairy Products Federation.

MKP: O fato da GDP ter sido criada pelas cooperativas tem algum significado especial, como por exemplo a maior ligação com a produção e com o próprio setor lácteo? Em outras palavras, como não-cooperativas vêem a idéia?

KB: A GDP tem um número significativo de não-cooperativas como membros. Temas envolvendo saúde e nutrição relacionada ao leite afetam todos no mercado. É importante criar um diálogo que tenha participação de todos os agentes envolvidos no mercado, independentemente se são cooperativas, outras empresas, grupos de representação ou grupos de comunicação, marketing e pesquisa.

MKP: Como as empresas podem participar? Qual é o investimento necessário?

KB: Para empresas que comercializam lácteos, há uma taxa anual baseada no faturamento:

> de US$ 2 bilhões anuais vendidos com lácteos --> taxa de US$ 50.000 anuais
> que US$ 0,5 bilhão anuais vendidos com lácteos --> taxa de US$ 25.000 anuais
< que US$ 0,5 bilhão anuais vendidos com lácteos --> taxa de US$ 10.000 anuais

Organizações sem fins lucrativos, entidades de representação e de comunicação e marketing são admitidas sem que haja a necessidade de pagar, desde que a informação que possuam seja compartilhada com os outros membros da rede.

MKP: A GDP seria uma reação ao desenvolvimento de produtos concorrentes aos lácteos, como bebidas de soja, que vem se posicionando no mercado de forma a se beneficiar de valores como a qualidade de vida, a nutrição e a saúde?

KB: A indústria da soja tem sido bem coordenada no que se refere ao posicionamento de seus argumentos e da ciência, apesar das bases de pesquisa nessa área não serem tão robustas quanto em lácteos. É importante que o setor lácteo também coordene mensagens e garanta que a base científica para mensagens envolvendo nutrição e saúde permaneçam fortes. A GDP vai fortalecer a plataforma científica para lácteos e ajudar a garantir que uma mensagem consistente chegue ao consumidor.

MKP: Porque as empresas que atuam junto a GDP consideram importante compartilhar pesquisas?

KB: A maior parte do trabalho de expansão do mercado para lácteos, utilizando pesquisa genérica historicamente foi desenvolvido por agências nacionais de pesquisa e associações. A partir do momento em que o governo desregulamenta o setor e reduz seu papel, há também menor interesse público em apoiar pesquisa básica, e as empresas lácteas precisam focar uma maior parte do seu investimento no desenvolvimento de produtos e na diferenciação. Há, conseqüentemente, menos dinheiro disponível para atividades genéricas e pesquisa básica. Ao ajudar na coordenação das atividades, a GDP vai auxiliar na utilização de recursos escassos de forma mais eficiente ao redor do mundo.

MKP: No World Dairy Summit, ocorrido em Dublin, no início de outubro, muitos líderes globais da indústria de lácteos enfatizaram a necessidade do setor atuar em conjunto, dentro da GDP, para que tenhamos um futuro sustentável. Por outro lado, o futuro do setor nunca foi visto com tanto otimismo, com preços mais elevados para os lácteos e oferta consistentemente menor do que a demanda. Nesse contexto, como o Sr. define a relevância da GDP?

KB: Mesmo que a demanda esteja alta no presente, é necessário focar em alguns dos desafios. As recomendações nutricionais pelos governos em várias partes do mundo estão focadas na redução da ingestão de gordura e os argumentos de saúde e nutrição utilizados pelo leite e lácteos podem ser limitados pelos teores de gordura. Em função disso, fontes inferiores de proteína estão sendo oferecidas ao mercado, como substitutas de leite. Há, ainda, muitas entidades anti-leite, inclusive com fortes lobbies, fornecendo mensagens anti-leite ao consumidor. Com o aumento dos preços do leite, há a necessidade ainda maior de elaborar mensagens sobre o valor dos produtos lácteos para manter os volumes de mercado. Assim, nós precisamos continuar o trabalho de promoção e defesa do leite nos mais diversos mercados mundiais.

MKP: Como a comunidade científica pode contribuir para a GDP? Há alguma ferramenta específica para postagem de necessidades de pesquisa que possam ser acessadas por pesquisadores no mundo todo? Há formas de fazer com que novas idéias e soluções circulem através da rede?

KB: A GDP opera uma base de dados de projetos científicos atuais em estágio pré-competitivo. Nós também fazemos workshops, conferências, seminários e colaboração com entidades como a IDF.

MKP: A GDP está localizada na mesma cidade da Dairy Management Inc, em Rosemont, nos Estados Unidos. Qual é a relação entre elas?

KB: A DMI é membro da GDP. Também, a GDP aluga parte da estrutura e convinências da DMI, além de cooperar em alguns projetos. O escritório foi instalado nos Estados Unidos, sendo o principal executivo europeu e o presidente do Conselho neozelandês.

MKP: Há alguma interface entre a GDP e os esforços de promoção e marketing?

KB: A GDP tem diversas entidades de promoção como membros. Também, trabalha junto ao Comitê Permanente de Marketing da IDF para oferecer um modelo único de análise de mercado, comparando tendências de consumo e direcionadores nos vários mercados.

MKP: A GDP realizou seu primeiro encontro em Dublin, no início de outubro. Quais foram as prioridades discutidas?

KB: A GDP trabalha com 4 prioridades, às quais estamos desenvolvendo junto aos membros. Elas são:

- Aumentar a integridade e a confiança do leite e lácteos entre os consumidores mundiais.

- Relacionar o leite e os lácteos à perda de peso e monitoramento do peso na mente dos consumidores.

- Tornar o leite essencial em todos os estágios da vida.

- Garantir que a regulamentação governamental não crie barreiras sem comprovação científica para o consumo de leite.
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