Leite A2 avança no Brasil e atrai gigantes do setor

A produção de leite A2 ganha espaço no país, devido à maior facilidade de digestão em comparação com o leite mais comum. Grandes laticínios, como Piracanjuba, Xandô e Italac, reforçaram suas linhas de produto nesse nicho de mercado, que atualmente representa menos de 1% da produção nacional.

Publicado por: MilkPoint

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A produção de leite A2 no Brasil cresce, representando menos de 1% do mercado, devido à sua melhor digestão. Laticínios como Piracanjuba e Xandô aumentam suas ofertas nesse segmento. O leite A2 é produzido por vacas A2A2, que não geram o peptídeo BCM-7, associado a desconfortos digestivos. A produção é certificada e rastreada. O grupo Xandô destaca-se com 65% de suas vendas em A2, enquanto a Piracanjuba e Laticínio Muai também investem no segmento, ampliando suas linhas de produtos.
A produção de leite A2 ganha espaço no país, devido à maior facilidade de digestão em comparação com o leite mais comum. Grandes laticínios, como Piracanjuba, Xandô e Italac, reforçaram suas linhas de produto nesse nicho de mercado, que atualmente representa menos de 1% da produção nacional.

Débora Ribeiro Gomide, pesquisadora de bovinocultura de leite no Campo Experimental de Três Pontas (CETP) da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), explica que o leite A2 é produzido por vacas com a genética A2A2, que produzem leite com a proteína betacaseína A2. As caseínas representam a maior parte da proteína no leite. Durante a digestão, a betacaseína A1 libera um peptídeo chamado beta-casomorfina-7 (BCM-7), que, em pessoas sensíveis, causa desconforto gastrointestinal. A caseína A2 não leva à formação de BCM-7. As vacas A1A1 produzem o leite A1 e as vacas A1A2 produzem os dois tipos.

A identificação é feita por teste genético. Para garantir que a produção é exclusivamente de leite A2, as fazendas passam por um processo de certificação e rastreabilidade do produto. “É um nicho pequeno do mercado, representa menos de 1%, mas o grande chamariz é que as pessoas querem um controle melhor de qualidade, saber a procedência do produto, e o leite A2 oferece isso por causa da certificação”, avalia Gomide. A pesquisadora acrescenta que vacas de todas as raças podem produzir o leite A2. Mas, geralmente, os genes A2 são mais frequentes em raças zebuínas, como nelore e gir.

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A Fazenda Colorado, de Araras (SP), dona da marca Xandô, é a que possui maior número de produtos com leite A2 no país atualmente. São sete linhas de produtos, sendo quatro leites - integral, desnatado, semidesnatado e semidesnatado zero lactose - e três queijos (minas frescal, minas padrão e coalho).

Eduardo Jakus, diretor geral da Xandô, diz que, hoje, 65% das vendas da marca já são de produtos com leite A2. “Essas linhas vêm ganhando uma importância muito grande, estão com crescimento muito acelerado. A gente cresce a duplo dígito, puxado pela linha de A2, que cresce bem acima do mercado”, afirma Jakus. Ele observou que o volume total do mercado de leite cresceu 2% em 2025, mas categoria de leite fresco cresceu 11%. A Xandô é líder na categoria de leite fresco refrigerado em São Paulo, com 40,4% do volume e 44,5% da receita, segundo a Scanntech.

Jakus diz que o leite A2 é captado e processado separado do restante. A produção é feita 100% na Fazenda Colorado, com ordenha, resfriamento, pasteurização e embalagem feitos sem contato manual. A fazenda conta com mais de 2,1 mil vacas holandesas em lactação, que chegam a produzir 96 toneladas de leite por dia.

O Grupo Piracanjuba informou que suas vendas de produtos com leite A2 também crescem dois dígitos por ano. A diferença de preço em relação aos outros tipos de leite varia de 25% a 35%. “A diferença já foi maior, mas conforme o volume de produção aumenta, os custos fixos diluem e a gente repassa para o varejo. O leite A2 segue a mesma trajetória do leite zero lactose”, afirma Gustavo Afonso de Almeida, diretor comercial do Grupo Piracanjuba.

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Atualmente, a Piracanjuba produz leite A2 em pó integral, leite integral, semidesnatado e semidesnatado zero lactose. A produção vem de fazendas certificadas, e o processamento é feito em tanques específicos nas unidades industriais de Goiânia e Araraquara (SP). “O custo é mais alto, tem que certificar a fazenda, fazer a seleção do gado, fazer o processamento separado”, observa Almeida. O executivo disse que o desenvolvimento de novas linhas vai depender da evolução do consumo do leite A2 no país.

O Laticínio Muai, que pertence à Fazenda Bom Retiro, em Pouso Alto (MG), produz atualmente leite integral em versões de 1 litro e 500 mililitros, queijo minas frescal e ricota fresca com leite A2. Rodrigo Nilo, diretor executivo do Laticínio Muai, diz que vai ampliar o portfólio neste ano com a introdução de leite desnatado, semidesnatado e zero lactose. “É um mercado incipiente, mas cresce de maneira sólida. A gente acredita que vai ganhar cada vez mais escala”, diz Nilo.

A Muai produz atualmente 15 mil litros por dia de leite A2 e prevê um aumento de 25% neste ano. “A nossa capacidade diária de produção é de até 55 mil litros de leite A2 por dia, mas produzimos menos porque é feito sob demanda”, afirma Nilo. A empresa vende para redes de varejo que atendem principalmente a Região Sudeste. A Fazenda Bom Retiro conta com 1,3 mil vacas, das quais 1,2 mil são A2A2. “A fazenda faz a separação das vacas, ordenha primeiro as vacas que produzem o leite A2 e depois o leite A1”, diz o diretor.

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As informações são do Valor Econômico, adaptadas pela Equipe MilkPoint.

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