O relatório estima que o mercado geral de sêmen no Brasil teve crescimento de 4,49% em 2014 ante o ano de 2013. O movimento total foi de 13.609.311 doses em 2014 diante de pouco mais de 13 milhões em 2013. A produção de sêmen de raças de leite ascendeu em 5,7%, chegando a mais de 1,6 milhão de doses. As vendas de doses oriundas de touros de raça leiteira corresponderam a 41% do total de doses comercializadas.
A partir desse ano, mercado consumidor, exportações e prestação de serviços serão analisados paralelamente, na busca por ter números mais reais em relação ao mercado brasileiro. Assim, os dados dessa vez foram divulgados em um formato diferente – a Associação afirma que assim há uma apresentação mais clara dos resultados, uma vez que a prestação de serviços não consiste em produto para consumo imediato e não é passível de venda. A prestação de serviços ocorre, por exemplo, quando um produtor decide coletar sêmen de um ou mais de seus reprodutores apenas para uso próprio.
A equipe do MilkPoint entrou em contato com o presidente da ASBIA, Carlos Vivacqua Carneiro da Luz, que falou a respeito do desempenho do mercado para as raças leiteiras. Segundo ele,“as raças leiteiras continuam com seu mercado crescente, tendo oscilações entre as principais raças. Houve redução na prestação de serviços das raças de leite (recuo de 54,8% em relação a 2013) e entendemos que esta variação deve-se ao fato de o produtor estar preferencialmente trabalhando com touros provados e com provas confiáveis em relação ao valor genético do touro”.
Carlos Vivacqua Carneiro da Luz, presidente da ASBIA.
Em relação à variação entre raças, o destaque ficou para a Girolando e a Gir Leiteiro, cuja produção cresceu 106% e 29,4%, respectivamente. Segundo a ASBIA, ambas são raças de grande importância para o mercado nacional e nosso grande patrimônio em relação ao potencial brasileiro de exportação. “Os Testes de Progênie continuam evoluindo e devemos dar grande ênfase ao belíssimo trabalho desenvolvido por estas raças”, diz Carlos Vivacqua.
“Entretanto, as ações governamentais de abertura de acordos sanitários bilaterais são fundamentais para que possamos agredir os mercados tropicais, onde nossa genética será de grande valor para o incremento da produtividade leiteira. O mercado é muito dinâmico e no caso das exportações as relações governamentais/acordos sanitários/política externa tem grande peso na evolução destes mercados. Na pratica, as empresas estão aptas e demandam este apoio do MAPA e Ministério das Relações Exteriores” explicou.
Já as raças europeias tiveram forte redução, com queda total de 93,6%. Quando questionado sobre a produção interna de sêmen de raças europeias - que se tornou praticamente irrelevante, o presidente afirma que essa é a tendência. “Face aos grandes programas de melhoramento ao redor do mundo estarem em níveis bastante adiantados em relação aos programas de avaliação brasileiro nas raças HOP e Jer. Quando avaliamos o desenvolvimento da tecnologia genômica nestes programas, torna-se difícil acompanhar estas avaliações em território nacional, onde os testes de progênie das raças de leite sempre tiveram grandes dificuldades em se desenvolver”, finalizou o presidente.
Tabela 1. Produção de sêmen por raças leiteiras, em 2013 e 2014
Fonte: ASBIA
As exportações de sêmen de raças de leite aumentaram 23,4% de 2013 para 2014, atingindo 112,7 mil doses. A Colômbia foi o país que mais importou sêmen brasileiro (82% do volume exportado), em seguida aparecem Equador e Panamá. Tanto o Gir leiteiro puro quanto o Girolando são responsáveis pela grande maioria de doses exportadas, participando de aproximadamente 95% de toda a produção de doses destinadas ao leite para o comércio internacional, que foi de 112.787 unidades no todo.As exportações, todavia, representam menos de 10% do total.
Já nas importações, o Brasil aumentou 14% a quantidade de doses em relação a 2014, importadas principalmente dos Estados Unidos (53% das importações), Canadá (32%) e Holanda (11%).
Tabela 2. Prestação de serviços por raça, em 2013 e 2014
Fonte: ASBIA
Comparando os registros dos últimos 6 anos, houve uma evolução de 58,5% nas vendas (gráfico 1). Em 2014, houve retração de 7% – segundo a ASBIA, isso se deu porque, a partir de 2014, foi usada a nova metodologia, separando a quantidade exportada e a prestação de serviços.
Grafico 1. Evolução das vendas nas raças de leite nos últimos 6 anos
Fonte: ASBIA
Os estados com maior produção leiteira novamente figuram como maiores comerciantes. Minas Gerais é o primeiro colocado da lista (28%), seguido pelos três estados do Sul do país - Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, que representam 17%; 14% e 13% do mercado, respectivamente.
Gráfico 2: Participação dos estados brasileiros na venda de sêmen nacional
Fonte: ASBIA
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